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Como investidores ativistas planejam enfrentar grandes petroleiras em 2026
Publicado 14/01/2026 • 10:02 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 14/01/2026 • 10:02 | Atualizado há 3 horas
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Bomba de petróleo
O grupo holandês Follow This lançou nesta quarta-feira (14) uma estratégia revisada para enfrentar as grandes petroleiras na próxima temporada de assembleias de acionistas (proxy season), com o objetivo de aumentar a pressão dos investidores sobre a sustentabilidade financeira dos modelos de negócios baseados em combustíveis fósseis.
O influente grupo de ativismo climático, que no ano passado suspendeu a apresentação de resoluções de acionistas devido à falta de apetite dos investidores, afirmou que vai mudar de abordagem para concentrar-se nos riscos financeiros associados à queda da demanda por petróleo e gás, em vez de solicitar metas de redução de emissões.
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A mudança ocorre em um momento em que as grandes empresas de petróleo e gás dobram a aposta nos hidrocarbonetos e reduzem investimentos em energia verde como parte de uma estratégia para elevar os lucros.
Ao lado de 23 investidores institucionais que administram 1,5 trilhão de euros (US$ 1,75 trilhão) em ativos, o Follow This informou que apresentou conjuntamente novas resoluções de acionistas para as Assembleias Gerais Anuais (AGMs) da britânica Shell e da BP.
As resoluções solicitam que as duas empresas listadas em Londres divulguem estratégias para criar valor aos acionistas em cenários de queda da demanda por petróleo e gás, inclusive sob o Cenário de Políticas Declaradas (STEPS) e o Cenário de Compromissos Anunciados (APS) da Agência Internacional de Energia (IEA).
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“Todo investidor em sã consciência sabe, até a BlackRock sabe, que a mudança climática ameaça todo o portfólio. Todos sabem disso, mas não ousam agir”, disse Mark van Baal, fundador do Follow This, à CNBC por videoconferência.
“Concluímos que, se quisermos aumentar a pressão sobre as empresas de petróleo para que mudem, precisamos elevar os votos e acrescentar um novo ponto de discussão”, afirmou Van Baal.
“Elas só vão mudar se o modelo de negócios deixar de ser lucrativo, se a licença para operar desaparecer ou se os acionistas as direcionarem para outro caminho. Sempre trabalhamos com a alavanca dos acionistas.”
Em resposta, um porta-voz da Shell afirmou: “Como ocorre com qualquer resolução que atenda aos requisitos processuais, o Conselho irá analisá-la e responder com uma recomendação aos acionistas em nosso Aviso de Convocação para a AGM”.
A BP não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da CNBC.
O Follow This, que anteriormente já obteve apoio majoritário de investidores, viu esse apoio se estabilizar em cerca de 20% nos últimos anos, em parte devido a preocupações com riscos legais, especialmente nos Estados Unidos.
Segundo o grupo, uma mudança de abordagem é necessária, já que muitos investidores continuam cautelosos em apoiar resoluções rotuladas como climáticas. O risco financeiro, por outro lado, é um tema que os conselhos de administração não podem descartar como não financeiro, afirmou o Follow This.
“Todo mundo está hesitante. Os políticos hesitam porque temos um presidente negacionista do clima nos EUA, enquanto na Europa políticos de direita apenas repetem essa mensagem, e os políticos de centro já não ousam falar muito sobre o clima”, disse Van Baal.
Cientistas do clima têm alertado repetidamente que uma redução substancial no uso de combustíveis fósseis será necessária para conter o aquecimento global, sendo a queima de carvão, petróleo e gás identificada como o principal motor da crise climática.
No caso da Shell, que planeja se tornar uma empresa com emissões líquidas zero até 2050, o Follow This afirmou que a resolução de acionistas foi apresentada conjuntamente, pela primeira vez, por funcionários atuais e ex-funcionários da companhia. Segundo o grupo, a iniciativa conta com cinco empregados atuais e 19 ex-empregados da Shell.
“O conselho deveria ser transparente sobre como a Shell planeja criar valor à medida que a demanda por combustíveis fósseis diminui”, afirmou Arjan Keizer, um dos ex-funcionários da Shell que apoiam a resolução. Ele ocupou diversos cargos na empresa, incluindo o de diretor de estratégia da unidade da Shell anteriormente chamada de NewMotion.
“Acionistas e funcionários precisam dessas informações para tomar decisões informadas sobre ficar ou sair.”
Tanto a Shell quanto a BP reduziram, nos últimos anos, seus planos de investimento em projetos de energia verde, priorizando um foco renovado em seus negócios centrais de hidrocarbonetos.
Em entrevista à CNBC no ano passado, o CEO da Shell, Wael Sawan, disse que o gás e o gás natural liquefeito (GNL) serão fundamentais para a transição energética, acrescentando que a maior contribuição que a empresa pode oferecer é por meio de suas vendas de GNL.
A companhia espera que a demanda global por GNL aumente cerca de 60% até 2040, impulsionada principalmente pelo crescimento econômico na Ásia e pela redução de emissões na indústria pesada, entre outros fatores.
A BP, que se tornou a primeira grande petroleira a anunciar o compromisso de alcançar emissões líquidas zero até 2050, anunciou recentemente a nomeação de seu quarto CEO em seis anos.
A empresa informou que Meg O’Neill, atual CEO da gigante australiana de gás Woodside Energy, assumirá o cargo de presidente-executiva da BP a partir de 1º de abril, substituindo Murray Auchincloss.
“Os acionistas estão, com razão, solicitando transparência vital da BP sobre sua estratégia de negócios de longo prazo”, afirmou Sara E. Murphy, diretora de investimentos em nível sistêmico da Sierra Club Foundation, uma das investidoras que coapresentaram a resolução.
“Vários analistas confiáveis, incluindo os cenários STEPS e APS da IEA, projetam uma queda na demanda por petróleo e gás. A estratégia atual da BP, que pressupõe crescimento, portanto, gera séria preocupação entre os investidores”, acrescentou.
A BP anunciou uma guinada em sua estratégia verde em fevereiro do ano passado, comprometendo-se a reduzir os gastos com renováveis e aumentar o investimento anual em seu negócio principal de petróleo e gás.
A medida, amplamente bem recebida por analistas do setor de energia, incluiu planos para alcançar US$ 20 bilhões em desinvestimentos até o fim de 2027. Como parte desse movimento, a BP informou no mês passado que concordou em vender uma participação de 65% no negócio de lubrificantes Castrol para a Stonepeak por US$ 6 bilhões.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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