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O que observar ao analisar o resultado de uma seguradora

Publicado 09/02/2026 • 21:40 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Ao contrário de outros segmentos da economia, o setor de seguros possui características próprias e receitas robustas e perenes.
  • Além de depreciação e amortização, o que sobra após essas deduções é o lucro operacional.
  • As seguradores possuem um modelo ganha-ganha, se beneficiando no operacional com juros baixos e no resultado financeiro com juros altos.
Notebook com papéis d egráficos encima

Foto: Freepik

Resultado operacional e financeiro: o que esses números dizem sobre o lucro de uma seguradora

Quando ocorrem divulgações de balanços trimestrais e anuais, compreender os números apresentados por uma seguradora é fundamental para avaliar sua real saúde financeira.

Em relatórios publicados regularmente, empresas do setor detalham receitas, despesas, investimentos e resultados que, à primeira vista, podem parecer complexos.

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No centro dessa análise estão dois indicadores decisivos, o resultado operacional e o resultado financeiro. Juntos, eles explicam como, onde e por que uma seguradora gera lucro, além de indicar se esse resultado é sustentável no longo prazo.

Ao contrário de outros segmentos da economia, o setor de seguros possui características próprias. As empresas recebem os prêmios antecipadamente, assumem riscos futuros e mantêm grandes volumes de recursos aplicados no mercado financeiro.

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Por isso, separar o desempenho da operação de seguros do desempenho financeiro não é apenas uma formalidade contábil, mas uma exigência para uma análise precisa.

O que é resultado operacional?

O resultado operacional representa o desempenho da seguradora em sua atividade principal: a operação de seguros. Ele mostra se a empresa é eficiente ao vender apólices, administrar riscos, pagar indenizações e controlar seus custos.

Esse indicador é calculado a partir da receita operacional líquida, formada essencialmente pelos prêmios recebidos dos segurados, já descontados impostos sobre vendas, cancelamentos, devoluções e abatimentos. A partir dessa receita, são deduzidas todas as despesas diretamente ligadas à operação.

Entre esses custos estão os sinistros:

  • Pagos aos segurados;
  • Despesas com resseguros;
  • Comissões a corretores;
  • Gastos administrativos;
  • Despesas comerciais;
  • Custos de pessoal.

Além de depreciação e amortização, o que sobra após essas deduções é o lucro operacional. Caso as despesas superem a receita, o resultado operacional será negativo. Na prática, esse número indica se a seguradora consegue equilibrar o valor que cobra dos clientes com os riscos que assume.

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Um resultado operacional positivo e recorrente sinaliza boa precificação dos produtos, controle da sinistralidade e eficiência na gestão.

Já um resultado negativo pode apontar problemas estruturais, como aumento excessivo de indenizações, falhas na avaliação de risco ou crescimento desordenado das despesas.

Vale lembrar que o resultado operacional de uma seguradora se potencializa em um ambiente de juros baixos, porque a empresa consegue vender mais seguros.

O que é resultado financeiro?

O resultado financeiro reflete o desempenho da seguradora fora da sua operação principal, mais especificamente na gestão dos recursos financeiros. Como as seguradoras lidam com grandes volumes de caixa provenientes dos prêmios pagos antecipadamente, esses valores costumam ser aplicados no mercado financeiro.

Nesse indicador entram receitas como juros de aplicações financeiras, rendimentos de títulos públicos e privados, ganhos com fundos de investimento e variações positivas de ativos.

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O peso do resultado financeiro tende a variar de acordo com o cenário econômico. Em períodos de juros elevados, esse resultado pode ganhar protagonismo e representar uma parcela relevante do lucro total. Já em ambientes de maior volatilidade ou queda nas taxas, o desempenho financeiro pode ser mais modesto ou até negativo.

Diferentemente do resultado operacional, o resultado financeiro está mais exposto a fatores externos, como política monetária, inflação, comportamento dos mercados e decisões macroeconômicas.

Esse modelo faz com que o negócio de seguros tenha uma característica particular: a capacidade de se beneficiar em diferentes cenários de juros.

Em ambientes de juros elevados, o resultado financeiro tende a ganhar força, impulsionado pelos rendimentos das aplicações. Já em períodos de juros baixos, embora o ganho financeiro diminua, a atividade operacional costuma se fortalecer, com maior demanda por seguros, custos financeiros menores e maior previsibilidade na precificação.

Na prática, isso cria um modelo de “ganha-ganha”: a seguradora ganha com juros baixos no resultado operacional e quando temos juros altos, ela compensa e ganha com o resultado financeiro. Esse mecanismo favorece a perenidade e robustez deste tipo de companhia.

Como esses resultados se conectam ao lucro líquido?

O lucro líquido é o número final apresentado no balanço e corresponde à soma do resultado operacional com o resultado financeiro, descontados impostos sobre o lucro, despesas extraordinárias e outros itens não recorrentes.

É comum que o lucro líquido receba mais destaque, mas ele não deve ser analisado de forma isolada. Uma seguradora pode apresentar lucro líquido elevado mesmo com um resultado operacional fraco, desde que o resultado financeiro seja suficientemente forte.

Da mesma forma, uma empresa com operação sólida pode ter o lucro reduzido por fatores financeiros pontuais ou por maior carga tributária.

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O que esses números dizem sobre o lucro de uma seguradora?

A análise conjunta do resultado operacional e do resultado financeiro revela a origem do lucro da seguradora.

Quando a maior parte do lucro vem da operação, o sinal é de um negócio mais equilibrado e previsível. Isso indica que a empresa consegue ganhar dinheiro com sua atividade principal, independentemente das oscilações do mercado financeiro.

Por outro lado, quando o lucro depende excessivamente do resultado financeiro, o cenário exige atenção. Nesse caso, a rentabilidade pode estar sustentada por condições temporárias, como juros altos, e se tornar mais vulnerável a mudanças econômicas.

Analistas e investidores costumam observar se o resultado operacional é consistente ao longo do tempo e se o resultado financeiro atua como complemento, não como base do lucro. Essa leitura ajuda a identificar seguradoras mais resilientes e menos expostas a riscos externos.

A importância da análise setorial

No setor de seguros na bolsa, a comparação entre empresas deve levar em conta o segmento de atuação, como: seguros de vida, prestamista, saúde, imobiliário, automóveis, patrimonial e seguro rural.

Cada área possui níveis diferentes de risco, margens e sinistralidade. Um resultado operacional considerado modesto em um segmento pode ser aceitável em outro.

Além disso, fatores regulatórios e exigências de capital também influenciam os resultados, reforçando a importância de uma análise contextualizada.

Resultado operacional e financeiro

O resultado operacional e o resultado financeiro são indicadores centrais para compreender o desempenho de uma seguradora.

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Enquanto o primeiro revela a eficiência da atividade principal, o segundo mostra o impacto da gestão financeira sobre os números finais. Juntos, eles ajudam a explicar não apenas se houve lucro, mas como esse lucro foi gerado.

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