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Balanço do BB bate consenso, mas “qualidade” do lucro e agro seguem no centro do debate

Publicado 11/02/2026 • 23:18 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Lucro de R$ 5,7 bilhões no quarto trimestre superou o consenso e avançou 51,7% na comparação trimestral, mas ainda ficou 40% abaixo do resultado de um ano antes.
  • Parte do “beat” veio de efeitos não recorrentes, como tesouraria e impostos, enquanto o crédito ainda mostra pressão.
  • Agronegócio segue como risco central: inadimplência acima de 90 dias em 5,17% e analistas veem recuperação gradual, com melhora mais consistente apenas a partir de 2026–2027.

Divulgação/Banco do Brasil

Fachada do Banco do Brasil

O Banco do Brasil divulgou nesta quarta-feira (11) lucro de R$ 5,7 bilhões no quarto trimestre de 2025, acima das expectativas e 51,7% maior que no terceiro trimestre. Apesar da recuperação sequencial, o resultado ainda ficou 40% abaixo do registrado um ano antes. No acumulado de 2025, o lucro ajustado foi de R$ 20,7 bilhões, enquanto a inadimplência acima de 90 dias chegou a 5,17%, com o agronegócio ainda no centro das preocupações do mercado.

A surpresa no número cheio, porém, não elimina as dúvidas. Para parte dos analistas ouvidos pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o mais importante agora é entender a qualidade do resultado e se a melhora pode se sustentar em 2026.

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Surpresa no lucro, mas “qualidade” entra na conta

Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, avalia que o resultado acima do consenso teve forte influência de fatores pontuais, ligados a efeitos tributários e ao desempenho da tesouraria, e não necessariamente a uma melhora estrutural da operação de crédito. “O beat do resultado é como eles bateram consenso de uma combinação de não recorrente de imposto com tesouraria”, afirmou.

Na mesma linha, ele destaca que, quando o recorte vai para a carteira e inadimplência, o quadro ainda exige cautela: a inadimplência total segue pressionada e o agro continua acima de 6%, o que mantém a discussão sobre “pico” do estresse rural em aberto.

Gabriel Uarian, analista CNPI da Cultura Capital, reconhece o peso de itens não recorrentes, mas vê sinal mais construtivo no conjunto do trimestre. Para ele, o balanço trouxe melhora sequencial e “gatilhos” que podem sustentar a narrativa de recuperação, inclusive com o anúncio de Juros sobre Capital Própio adicional. “No geral, vejo esse balanço como um turning point positivo”, afirmou, embora ressalte que parte do resultado teve benefício de itens extraordinários e que a inadimplência acima de 90 dias subiu, exigindo monitoramento.

Agro ainda não é “passeio no parque”

Para Pedro Ávila, analista de bancos da Varos Research, um ponto favorável do trimestre foi a leitura de estabilidade na despesa de provisões e a sinalização embutida no guidance (projeções). Ele chama atenção para o custo de crédito projetado para 2026 no ponto médio, menor que o de 2025, o que sugere expectativa de um ano menos turbulento na inadimplência.

Ainda assim, ele alerta que o curto prazo segue espinhoso. “Isso não quer dizer que o cenário para o agro no curto prazo é de um passeio no parque. Pelo contrário, a inadimplência cresceu no trimestre e mesmo que caia no primeiro trimestre de 2026, levará alguns trimestres para que ela volte a patamares saudáveis”, pontuou.

Ávila também aponta sinais operacionais relevantes dentro do agro, como a queda da carteira de operações prorrogadas, e destaca melhora nos índices de capital, especialmente no capital principal, como variável importante para atravessar o ciclo de crédito.

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Recuperação em andamento

Milton Rabelo, analista da VG Research, observa que o resultado veio acima das expectativas e trouxe evolução no ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) e no lucro na comparação trimestral, mas evita leitura de “virada definitiva”. “Foi possível perceber uma clara evolução. Porém, o BB ainda tem um caminho considerável até a normalização das suas operações”, disse, acrescentando que a trajetória de recuperação, na visão dele, tende a se estender por um horizonte mais longo.

Ele também chama atenção para a dificuldade de comparar ano contra ano por mudanças de padrão contábil/regulatório em provisões, sugerindo que o investidor deve olhar com lupa a tendência trimestral, especialmente na qualidade do crédito rural.

Bruno Oliveira, analista do Vida de Acionista, interpreta 2025 como um ano fraco quando se olha o agregado, com deterioração de indicadores e risco de uma leitura otimista demais se o foco ficar só na melhora do quarto trimestre. “O ponto de atenção é que olhar apenas para a melhora recente do lucro pode induzir a uma leitura excessivamente otimista”, afirmou.

Na leitura dele, a inadimplência do agro e métricas associadas ao estresse da carteira ainda colocam dúvidas sobre o ritmo e a “qualidade” da recuperação em 2026. Além disso, sugerem que uma retomada mais robusta tende a ser mais plausível adiante, caso os indicadores de crédito de fato cedam e a rentabilidade volte a ganhar tração.

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Amanda Souza

Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.

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