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Preocupado com a inflação vinda do Estreito de Ormuz? A economia global tem uma palavra para você: plásticos
Publicado 29/03/2026 • 08:24 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 29/03/2026 • 08:24 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Foto: Freepik.
O preço da nafta pode não tirar seu sono quando pensa na inflação que ainda vai atingir a economia devido à guerra entre EUA e Irã e ao fechamento do Estreito de Hormuz — mas talvez devesse.
Com a alta da gasolina acompanhando o petróleo bruto, os custos dos derivados — os petroquímicos — também estão subindo, e isso pode ter impacto muito mais amplo sobre os consumidores do que os combustíveis.
A lista de petroquímicos parece saída de um manual escolar de química: benzeno, butadieno, amônia, estireno, nafta e muitos outros subprodutos do petróleo. Conhecidos como feedstocks na indústria, eles estão em praticamente tudo: das luvas hospitalares às embalagens de alimentos. E seus preços já estão em alta, mesmo que os consumidores só percebam mais adiante.
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Stanislav Krykun, CEO da DST-Pack, empresa de embalagens da Polônia, já sente os efeitos.
“Nossos fornecedores de plástico na China aumentaram os preços em cerca de 15%, citando custos maiores de matéria-prima e incerteza de mercado”, disse.
A fábrica de Krykun produz embalagens para clientes em todo o mundo, inclusive nos EUA, e ele já vê o que os consumidores verão depois: preços mais altos.
Pedidos para a temporada de Natal de 2026 já estão em andamento, e os tradicionais calendários do advento — que incluem bandejas plásticas moldadas — estão ficando mais caros.
“Estamos recalculando custos de vários projetos especificamente por causa da alta nos preços do plástico”, afirmou Krykun.
Ele explica que o impacto não é imediato: empresas que já tinham contratos fechados mantêm preços antigos, mas novos pedidos já estão sendo cotados com valores mais altos.
Quando esse atraso se dissipar, o efeito será sentido em praticamente tudo.
“Os usos dos petroquímicos são vastos e impactam essencialmente tudo o que consumimos. Seria difícil encontrar algo sem componente derivado de petróleo ou gás, a menos que fosse feito apenas de madeira”, disse Tom Seng, professor do Instituto de Energia da Texas Christian University.
Dos 193 complexos petroquímicos ativos no Oriente Médio, 79% estão em Arábia Saudita, Irã e Catar. Só a Arábia Saudita responde por 75% da capacidade de produção. Juntos, os países do Conselho de Cooperação do Golfo produzem cerca de 12% dos petroquímicos globais — 150 milhões de toneladas por ano — quase todos dependentes do Estreito de Hormuz para exportação.
Jeff Krimmel, da consultoria Krimmel Strategy Group, alerta que a escassez e os preços mais altos vão atingir têxteis, detergentes, alimentos e bebidas.
“Grande parte do mundo é embalada e transportada em plástico”, disse.
A nafta é considerada insubstituível como feedstock líquido, com múltiplos subprodutos que se espalham pela economia. Mesmo que os combates cessassem hoje, levaria tempo para normalizar oferta e demanda.
Atsi Sheth, diretora de crédito da Moody’s Ratings, lembra que o setor já sofreu choques recentes: Covid, guerra na Ucrânia, crise no Mar Vermelho e agora o Estreito de Hormuz. Ela afirma que o excesso de oferta da China pressionou margens e levou a rebaixamentos de crédito. Mas, com estoques se esgotando, o choque deve virar rapidamente para o outro lado, impulsionando a inflação ao longo do ano.
“Isso vai alimentar a inflação ao consumidor, atingindo especialmente alimentos, roupas e bens de varejo — e pesando mais sobre famílias de baixa renda”, disse Sheth.
Peter Swartz, da Altana, empresa de análise de cadeias de suprimento, afirmou que o mercado já precifica incerteza e que o efeito de longo prazo será aumento de custos.
“Não há substituição mágica para esses produtos”, disse.
Dados da Altana mostram que feedstocks avaliados em US$ 733 bilhões — 22% da oferta global — passam pelo Golfo, com impacto em US$ 3,8 trilhões em bens, de creme dental a toalhas.
Enquanto isso, Krykun observa a volatilidade dos pedidos com preocupação. Ele diz que marcas já estão simplificando embalagens para reduzir custos: caixas de chocolates com estruturas internas mais simples, acessórios de celular com menos componentes plásticos, cosméticos com embalagens menos elaboradas.
Mas o tempo joga contra os produtores.
“Redesenhar embalagens exige desenvolvimento, testes e aprovações que levam semanas ou meses. Muitas vezes, as marcas não têm tempo e acabam fazendo novos pedidos já com preços mais altos, enquanto trabalham em soluções alternativas em paralelo”, explicou Krykun.
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