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Isenção de imposto sobre o milho reduz custos? Especialistas questionam eficácia da medida
Publicado 08/03/2025 • 20:57 | Atualizado há 11 meses
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Publicado 08/03/2025 • 20:57 | Atualizado há 11 meses
O governo brasileiro anunciou recentemente a isenção da alíquota de importação sobre o milho, antes fixada em 7,2%. A medida visa reduzir os custos para os produtores de proteína animal e, consequentemente, para o consumidor final. No entanto, especialistas do setor questionam a eficácia da iniciativa.
Em entrevista ao canal Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Paulo Bertolini, presidente da Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo), apontou falhas na análise governamental sobre a precificação do grão e seus impactos na inflação dos alimentos.
O Brasil é o terceiro maior produtor e o segundo maior exportador mundial de milho, o que levanta questionamentos sobre a necessidade de importar o grão. Em 2023, o país importou cerca de 1,6 milhão de toneladas, principalmente do Paraguai, devido à proximidade geográfica e custos logísticos reduzidos.
“A questão da importação ou da redução dos impostos de importação nos leva a perguntar: vamos importar de quem?”, questiona Bertolini, destacando que apenas três países concentram 80% do milho comercializado globalmente: Brasil, Estados Unidos e Argentina.
Além disso, a safra brasileira ocorre em três ciclos ao longo do ano, garantindo oferta constante do grão. Com essa produção robusta, o preço do milho não é o fator preponderante na alta dos alimentos, segundo o especialista.
Bertolini argumenta que a inflação alimentar no Brasil está mais associada à política monetária e ao gasto público do que ao custo do milho. O real desvalorizado encarece commodities precificadas em dólar, elevando os preços internos.
“Se tínhamos um milho caro, não estaríamos exportando. A inflação é consequência da expansão monetária e dos gastos públicos elevados”, explicou.
Mesmo que a importação dos Estados Unidos fosse economicamente viável, haveria desafios logísticos significativos. Os portos brasileiros estão operando no limite devido à exportação de soja, dificultando a entrada de grandes volumes de milho. Além disso, o Brasil enfrenta um déficit de armazenagem de 120 milhões de toneladas, tornando inviável o estoque adicional.
Em vez de zerar a alíquota de importação do milho, Bertolini sugere medidas mais eficazes, como a redução de impostos sobre fertilizantes e defensivos agrícolas. O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que consome, tornando a produção agrícola dependente do mercado externo.
“Seria muito mais eficaz reduzir as alíquotas de importação de insumos essenciais e acelerar a liberação de jazidas de fertilizantes, como a de potássio na foz do rio Madeira”, afirmou.
Atualmente, o mercado projeta um pico nos preços do milho em março, reflexo da entressafra. No entanto, a previsão é de que os valores recuem no decorrer do ano, independentemente da isenção da alíquota de importação.
A preocupação do setor, no entanto, está voltada para possíveis medidas drásticas do governo, como a imposição de cotas ou taxas sobre exportação. Para Bertolini, tais medidas poderiam prejudicar a competitividade do agronegócio nacional e aproximar o Brasil da política econômica intervencionista que levou a Argentina à crise.
“Se houver restrição à exportação, entraremos na rota da Argentina na época dos Kirchners, o que levou o país à ruína e de onde até hoje não conseguiu se recuperar”, alertou.
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