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Disputa pela Groenlândia se intensifica com visita da primeira-ministra da Dinamarca
Publicado 31/03/2025 • 11:07 | Atualizado há 12 meses
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Publicado 31/03/2025 • 11:07 | Atualizado há 12 meses
KEY POINTS
Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca
Wikipédia
A disputa pela Groenlândia deve se intensificar nesta semana, com a primeira-ministra da Dinamarca viajando para a ilha ártica apenas alguns dias depois de o vice-presidente dos EUA, JD Vance, ter visitado o território e criticado o país escandinavo por negligenciar a vasta região.
O governo dinamarquês anunciou no fim de semana que a primeira-ministra Mette Frederiksen visitará a Groenlândia de quarta (01) a quinta-feira (02). Sua visita ocorre em meio ao contínuo interesse dos EUA na ilha, que o presidente Donald Trump já afirmou que deveria se tornar parte dos Estados Unidos.
Durante a visita, Frederiksen discutirá “a cooperação entre a Groenlândia e a Dinamarca” com o novo primeiro-ministro da ilha, Jens-Frederik Nielsen, informou o governo dinamarquês.
“Estou ansiosa para continuar a estreita e confiável cooperação entre a Groenlândia e a Dinamarca junto com Jens-Frederik Nielsen e o restante do Governo da Groenlândia”, comentou Frederiksen antes da viagem.
“A Groenlândia acaba de passar por um bom processo democrático e formou um governo amplo. Para mim, é importante visitar e cumprimentar o futuro presidente do Governo da Groenlândia o mais rápido possível”, disse ela, referindo-se a uma eleição antecipada realizada em março.
A votação, disputada principalmente por partidos pró-independência, resultou na vitória do partido pró-negócios Democratas, que conquistou a maior parte das cadeiras no Parlamento de 31 assentos, o Inatsisartut.
O partido defende um processo gradual de independência da Dinamarca, mas o novo primeiro-ministro, Jens-Frederik Nielsen, reiterou as declarações de seu antecessor de que a ilha “não está e nunca estará à venda”. O sentimento pró-independência da Groenlândia significa que a Dinamarca precisa agir com cautela em relação ao futuro da ilha. No entanto, um levantamento recente mostrou que a grande maioria dos groenlandeses não quer que a ilha deixe a Dinamarca para se tornar parte dos EUA, o que pode ser um alívio para o governo dinamarquês.
A líder dinamarquesa Frederiksen afirmou ter o “mais profundo respeito” pela forma como o povo e os políticos da Groenlândia estão lidando com o que ela descreveu como “a grande pressão” dos repetidos esforços dos EUA para cortejar a ilha, rica em minerais raros.
“É uma situação que exige unidade entre os partidos políticos, entre os países do Reino da Dinamarca e uma cooperação respeitosa e igualitária”, declarou Frederiksen.
Embora a Groenlândia seja um território autônomo dentro do Reino da Dinamarca, mantém laços históricos com os EUA, abrigando instalações militares americanas desde a Segunda Guerra Mundial.
A crescente competição geopolítica no Ártico entre Rússia, China e EUA também aumentou o interesse pela ilha, que está localizada em rotas marítimas potencialmente lucrativas no Oceano Ártico.
A decisão da Dinamarca de marcar presença na ilha ocorre poucos dias após a visita do vice-presidente JD Vance e sua esposa, que gerou desconforto na Groenlândia e na Dinamarca.
Na sexta-feira, Vance acusou a Dinamarca de investir pouco na segurança da Groenlândia e alegou que outros aliados europeus também falharam em acompanhar os gastos com defesa.
“A Dinamarca não tem feito um bom trabalho em manter a Groenlândia segura”, disse Vance a militares na Base Espacial Pituffik, na Groenlândia, na última sexta-feira (28). “Sabemos que, muitas vezes, nossos aliados na Europa não acompanharam o ritmo. Eles não acompanharam os investimentos militares, e a Dinamarca não tem destinado os recursos necessários para manter esta base, proteger nossas tropas e, na minha visão, garantir a segurança do povo da Groenlândia diante de incursões agressivas da Rússia, da China e de outros países interessados nesta região”, afirmou o vice-presidente a repórteres.
Trump já expressou repetidamente o desejo de obter controle sobre o território autônomo dinamarquês, descrevendo essa possibilidade como uma “necessidade absoluta” para a segurança nacional dos EUA.
Indiferente às recusas da Dinamarca e da Groenlândia às investidas americanas, o presidente afirmou novamente, em entrevista à NBC News no sábado: “Vamos conseguir a Groenlândia. Sim, 100%.”
Ele acrescentou que há uma “boa possibilidade de que possamos fazer isso sem o uso da força militar… Eu não descarto nenhuma opção.”
A economia da Groenlândia é baseada principalmente na pesca, mas seus depósitos de minerais raros e críticos — essenciais para eletrônicos, energia e defesa — despertaram grande interesse internacional. O aquecimento global e a perda de gelo estão tornando acessíveis algumas das maiores reservas inexploradas de minerais críticos do mundo, tornando a ilha um alvo estratégico para o governo Trump
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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