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Turismo na Europa: sonho econômico ou pesadelo urbano?
Publicado 26/06/2025 • 12:13 | Atualizado há 4 meses
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Publicado 26/06/2025 • 12:13 | Atualizado há 4 meses
Fonte: autor com imagem gerada pelo ChatGPT
Talvez o episódio mais emblemático dessa crise tenha ocorrido na semana passada, com o fechamento inesperado do Museu do Louvre.
O turismo sempre foi celebrado como motor de desenvolvimento. Gera divisas, empregos, promove o intercâmbio cultural e dinamiza regiões antes esquecidas no mapa.
Em excesso, transforma cidades em vitrines, moradores em figurantes e a qualidade de vida em slogan publicitário.
A Europa vive essa tensão: entre a euforia econômica do turismo e seus efeitos colaterais urbanos, sociais e ambientais.
Talvez o episódio mais emblemático dessa crise tenha ocorrido na semana passada, com o fechamento inesperado do Museu do Louvre. Milhares de turistas foram surpreendidos por uma paralisação de funcionários que denunciaram a superlotação, a sobrecarga de trabalho e a precariedade da infraestrutura.
O Louvre, que recebeu 8,7 milhões de visitantes em 2024, enfrenta problemas como vazamentos, variações de temperatura e salas abarrotadas, especialmente em torno da Mona Lisa. O fenômeno do turismo em massa compromete não apenas a experiência do visitante, mas a própria preservação do acervo.
Segundo dados da WTCC, o setor de viagens e turismo contribuiu com US$ 10,9 trilhoes para a economia global em 2024, o equivalente e cerca de 10% do PIB global com a Europa liderando o movimento. França, Espanha, Itália e Grécia são os principais destinos, com dezenas de milhões de visitantes ao ano e receitas bilionárias:

A título de comparação, o Brasil recebeu 6,6 milhões de turistas em 2024, com 6,3 bilhões de euros em receitas. (0,3% do PIB).
Barcelona, por exemplo, virou atração de si mesma: com 26 milhões de turistas em 2023 — mais de 15 vezes sua população — viu manifestantes com pistolas d’água gritando “turistas, voltem para casa”.
Apartamentos viram Airbnbs, padarias viram lojas de souvenir — e a vida real é empurrada para longe. Em festas populares, vizinhos atiram água e ovos em turistas. Lojas de bairro fecham para dar lugar a comércios voltados à demanda estrangeira. Moradores relatam a impossibilidade de circular por suas próprias cidades. O ruído, os congestionamentos, a sujeira e a especulação imobiliária tomaram os bairros tradicionais. A cidade proibiu aluguéis para turistas a partir de 2028.
O sentimento se espalha: 48% dos catalães dizem que há turistas demais; protestos não se limitam à Barcelona, se multiplicam em Veneza, Lisboa, Palma, Milão e Atenas.
| Aspecto | Benefícios | Efeitos adversos |
| Emprego e salários | Milhões de empregos em hotelaria e serviços como transporte, refeições e entretenimentos | Empregos sazonais e precários |
| Receita local | PIB, investimentos, infraestrutura | Alta de aluguéis, imóveis e custo de vida |
| Comunidade | Conserva patrimônio, atrai recursos culturais | Deslocamento de moradores, gentrificação, descaracterização urbana, disruptura do tecido urbano, cultural e social |
Em 2025, cidades como Amsterdã e Veneza reforçaram políticas contra o turismo excessivo. Amsterdã elevou impostos, restringiu ônibus pesados e proibiu veículos poluentes no centro.
Veneza aplicará taxas para excursionistas em mais datas e limitou aluguéis de curto prazo, tentando frear a superlotação e preservar a moradia local.
Pompeia impôs limites diários de visitantes para proteger seu sítio arqueológico. Medidas similares foram adotadas por museus como o Louvre e o Museu da Acrópole. O controle de fluxo e a venda antecipada de ingressos visam equilibrar conservação patrimonial e turismo em massa.
A Grécia criou impostos sazonais sobre hotéis e cruzeiros, congelou licenças de aluguel em partes de Atenas e estendeu a temporada em Mykonos para redistribuir turistas.
Portugal aumentou as taxas em Lisboa, Porto e regiões insulares, alinhando-se à tendência de financiamento sustentável do turismo.
O Reino Unido lançou a ETA, autorização digital de entrada, que atua como taxa turística. Escócia e País de Gales discutem medidas semelhantes.
Essas ações sinalizam um esforço europeu coordenado para proteger o tecido urbano e cultural das cidades, promovendo um turismo mais equilibrado e responsável.


Cidades não são palcos. Patrimônio não é mercadoria. Organizar o turismo é essencial para que ele siga sendo um ativo econômico — e não um passivo civilizacional. Quando um museu fecha por excesso de visitantes, não é apenas o turismo que colapsa: é o próprio sentido da cidade que se esvai.
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