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Gastos com cartão da Presidência chegam a R$ 84,5 milhões desde 2023, e 98,6% das despesas estão sob sigilo
Publicado 23/10/2026 • 13:08 | Atualizado há 12 minutos
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Publicado 23/10/2026 • 13:08 | Atualizado há 12 minutos
KEY POINTS
Foto: unsplash
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) abriu nesta sexta-feira (23) uma nova frente na disputa pelos sigilos com o presidente Lula (PT). Ao entregar ao Tribunal Superior Eleitoral as autorizações para a divulgação de seus dados bancários e telefônicos, o senador desafiou o petista a abrir os gastos do cartão corporativo da Presidência e os registros de visitas ao gabinete presidencial. Na petição, Flávio cita auditoria do Tribunal de Contas da União segundo a qual 99,55% das despesas do cartão foram classificadas como sigilosas ou reservadas entre janeiro de 2023 e abril de 2025.
A campanha petista afirma que os dados dos gastos com o cartão da Presidência foram entregues ao Tribunal Superior Eleitoral.
Quanto a Presidência gastou no cartão corporativo
O Times Brasil | CNBC consultou o Portal da Transparência, da Controladoria-Geral da União, com dados atualizados até a fatura de agosto de 2026. A Presidência da República gastou R$ 24,3 milhões no cartão em 2023, R$ 26,6 milhões em 2024 e R$ 23,1 milhões em 2025. Em 2026, até agosto, foram R$ 10,5 milhões. No total, são R$ 84,5 milhões no terceiro mandato de Lula.
O valor inclui todas as unidades ligadas à Presidência. A maior parte saiu das duas unidades da Secretaria de Administração, que concentram as despesas de funcionamento da Presidência: R$ 54,4 milhões. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) gastou R$ 16,4 milhões, e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), R$ 11,8 milhões. A Vice-Presidência aparece com R$ 1,3 milhão.
Por que os gastos do cartão estão sob sigilo
Dos R$ 84,5 milhões, R$ 83,4 milhões (98,6%) estão registrados no portal com o fornecedor marcado como “Sigiloso”. Nesses casos, aparecem só o mês, o valor e a unidade que fez o gasto. Não é possível saber o nome do portador do cartão, a data exata da compra, quem recebeu o pagamento nem o que foi adquirido.
A maioria dessas despesas é classificada como “reservada”, com base no artigo 24 da Lei de Acesso à Informação, que protege dados capazes de pôr em risco a segurança do presidente, do vice e de seus familiares. Em nota ao Estadão Verifica, em janeiro de 2026, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) afirmou que o sigilo segue a lei e é temporário. Pela regra, ele vale até o fim do mandato. Em caso de reeleição, vai até o fim do último mandato.
Foi a regra do fim do mandato que permitiu a abertura dos gastos de Jair Bolsonaro, divulgados pela Secretaria-Geral da Presidência em janeiro de 2023, depois que ele deixou o cargo.
O que é o sigilo de 100 anos
A promessa de Lula citada por Flávio na petição se refere a outra regra. O chamado sigilo de 100 anos está no artigo 31 da Lei de Acesso à Informação, sancionada por Dilma Rousseff em 2011, e pode ser aplicado a informações pessoais, como dados ligados à intimidade e à vida privada. Segundo dados da CGU publicados pelo g1, nos dois primeiros anos de mandato o governo Lula negou 3.244 pedidos de informação, 16,4% do total, alegando que se tratava de dados pessoais. Na primeira metade do governo Bolsonaro, foram 4.095, ou 18,9%. Entre os casos do atual governo está a agenda da primeira-dama Janja. Em setembro de 2024, a CGU proibiu o uso automático do prazo de 100 anos e fixou em 15 anos o sigilo presumido para dados pessoais.
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Siga o Times | CNBCO que o governo divulga sobre os gastos
Por determinação do TCU, a Casa Civil divulga uma tabela com os gastos do cartão separados por tipo de despesa: alimentação, gêneros alimentícios, hospedagem, aluguel de veículos e material de limpeza. A planilha cobre as duas unidades da Secretaria de Administração.
Em julho de 2025, o TCU apontou falhas repetidas na transparência desses gastos, como a falta de detalhamento por item e de vínculo com notas fiscais, e deu prazo de 30 dias para a Presidência apresentar um plano de correção, segundo o Poder360. O tribunal mantém um processo de auditoria sobre os gastos sigilosos do cartão.
Quanto Lula gastou no cartão em viagens ao exterior
O dado oficial mais detalhado sobre viagens ao exterior pagas com o cartão foi obtido pelo Poder360 via Lei de Acesso à Informação e cobre os cinco primeiros meses de 2023. No período, o cartão da Presidência pagou R$ 2,6 milhões em viagens de Lula a outros países.
A China concentrou R$ 1,7 milhão, ou 66% do total, com gastos de preparação. O valor soma duas viagens: R$ 861 mil da visita prevista para março, cancelada porque o presidente teve pneumonia, e R$ 851 mil da viagem feita em abril. Na Europa, foram R$ 597 mil. Portugal respondeu por R$ 389 mil, e a ida ao Reino Unido para a coroação do rei Charles 3º custou R$ 205 mil.
Para os anos seguintes, o Times Brasil | CNBC não encontrou divulgação oficial dos gastos do cartão separados por viagem.
Janja tem cartão corporativo?
Segundo a Secom, nem Lula nem a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, têm cartão corporativo. Os gastos são feitos por servidores da Presidência. Janja não ocupa cargo público, e as despesas da comitiva presidencial, quando ela viaja com o presidente, entram nos gastos da Presidência.
Sobre as viagens que fez sozinha em representação oficial, os dados conhecidos vieram de pedidos via Lei de Acesso. Na Olimpíada de Paris, em julho de 2024, a Casa Civil informou à agência Fiquem Sabendo gastos de cerca de R$ 236 mil com passagens, diárias da equipe, seguro e intérpretes. Segundo o documento, a primeira-dama não recebeu diárias. Os custos com segurança não foram informados por serem considerados sigilosos.
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