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Caso Master: Vorcaro buscou apoio de interlocutores de Alexandre Padilha, ministro de Lula, para captar até R$ 10 bilhões de fundos de pensão
Publicado 11/10/2026 • 07:45 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 11/10/2026 • 07:45 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Mensagens e registros de telefonemas revelam uma série de articulações do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com pessoas ligadas ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), para tentar captar recursos de fundos de pensão de empresas estatais. Os contatos começaram em fevereiro de 2024 e envolveram reuniões, pedidos de intermediação política e negociações sobre investimentos que poderiam chegar a R$ 10 bilhões.
Na época das primeiras tratativas, Padilha comandava a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. As mensagens indicam a participação de Olavo Noleto, então secretário-executivo da pasta, e de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.
O principal intermediário era o consultor Júlio Cezar, de Goiânia (GO), que mantinha contato frequente com Vorcaro. Segundo os jornalistas Robson Bonin e Hugo Marques, da revista Veja, o objetivo do banqueiro era conseguir investimentos de entidades como Petros, dos funcionários da Petrobras; Postalis, dos trabalhadores dos Correios; Caixa Econômica Federal; e Banco do Brasil.
De acordo com a versão atribuída a Vorcaro, R$ 1 bilhão dos recursos captados seria destinado ao pagamento de propinas, enquanto o restante permaneceria no banco.
Leia também: Vorcaro recebeu Alexandre Padilha em jantar e, dois dias depois, disse a Mares Guia que precisava “muito ver o Lula”
As primeiras movimentações registradas ocorreram em fevereiro de 2024. Em uma gravação de maio daquele ano, Júlio Cezar informou a Vorcaro que tentaria antecipar um encontro com Henrique Jäger, então presidente da Petros. Durante a conversa, também solicitou informações sobre as negociações com o Banco do Brasil.
“Se tiver alguma novidade sobre o Banco do Brasil, você me avisa? Porque qualquer coisinha, já estando ok, eu já ponho você na boca do gol na quarta-feira quando você estiver lá”, afirmou o consultor.
A aproximação com o grupo político ligado a Padilha teve início depois que uma reunião entre representantes da Petros e o banco foi cancelada. Hamilton Buzelin, ex-diretor de Finanças Corporativas do Banco Máxima, instituição que deu origem ao Master em 2018, procurou Vorcaro para tentar reorganizar o encontro.
Em 28 de fevereiro de 2024, Buzelin se reuniu com o empresário em São Paulo. Na ocasião, informou que havia uma nova reunião marcada para 1º de março e pediu que Vorcaro conversasse previamente com Júlio.
“Preciso que você e o Júlio se encontrem antes da reunião para que ele possa expor os detalhes que não pudemos conversar hoje. Vocês precisam se conhecer”, escreveu Buzelin.
O encontro com Alexandre Padilha ocorreu em 1º de março de 2024, no Palácio do Planalto, em Brasília. Também participaram da reunião Olavo Noleto, Júlio Cezar e um primo do consultor identificado como Fernando.
Em uma das mensagens, o empresário informou ao intermediário que havia chegado ao local. “Júlio, já estou aqui no Palácio”, escreveu Vorcaro.
Após a reunião, o banqueiro afirmou que Padilha havia acompanhado a maior parte da conversa e que os assuntos discutidos com Olavo Noleto seriam os mesmos tratados diretamente com o então ministro.
O empresário também relatou que, depois do encontro, Júlio, Olavo e Fernando foram à sua residência, em Brasília. Segundo sua versão, nesse segundo momento teria sido discutida uma condição para facilitar o acesso do Master aos fundos de pensão: o pagamento de propina equivalente a 10% dos valores captados.
Os registros mostram que os contatos continuaram nas semanas seguintes. Em 4 de março de 2024, três dias depois da reunião no Planalto, Vorcaro voltou a se encontrar com representantes da Petros. Conversas posteriores indicam que Júlio Cezar também buscava facilitar uma aproximação entre o banqueiro e a direção do Postalis.
Em uma mensagem de 24 de março, o consultor informou que o presidente do fundo reservaria parte da tarde de 2 de abril para receber Vorcaro. “Boa tarde Daniel, preciso que você envie o e-mail pro presidente da Postalis amanhã ele vai travar a agenda do dia 2 de abril na parte da tarde só pra você!!! Me avisa quando enviar para avisá-lo”, escreveu Júlio.
Em 8 de abril, Vorcaro cobrou informações sobre o andamento das tratativas com as duas entidades. O diálogo mostra a preocupação do empresário em acelerar as negociações. “E o email que pediram petros”, perguntou. Júlio respondeu: “Já repassei”.
O banqueiro quis saber, então, sobre os contatos com a Petros. “E o da petros já foi?”, questionou.
O intermediário confirmou que o assunto estava encaminhado. Na mesma conversa, Júlio afirmou que aguardava a evolução das discussões com o Postalis e que tentava organizar novos encontros. Diante da demora, Vorcaro escreveu: “Vamos pressionar pra boletar”, em referência à formalização do investimento do fundo no Banco Master.
As mensagens também mostram o consultor tentando conciliar reuniões e agendas dos dirigentes. Em determinado momento, ele afirmou que encaminharia e-mails e procuraria resolver as pendências ainda naquela semana.
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Siga o Times | CNBCOutro ponto abordado nas conversas foi a inclusão do Master na chamada lista exaustiva, documento do Ministério da Previdência Social que relaciona instituições financeiras habilitadas a receber recursos de fundos de pensão. A inclusão era considerada necessária para viabilizar parte das operações pretendidas pelo banco.
Em 29 de abril de 2024, o Master passou a integrar a relação. Augusto Lima, então sócio de Vorcaro, comunicou a autorização ao empresário. “Entramos na lista exaustiva. Resolvido”, escreveu Lima. Vorcaro respondeu: “Você é foda”.
No mesmo dia em que o banco passou a integrar a lista, Júlio Cezar cobrou R$ 500 mil de Daniel Vorcaro. O intermediário afirmou que precisava receber o dinheiro e que sua conta seria liberada em cinco dias úteis. Na conversa, vinculou a cobrança à atuação que vinha desempenhando nas negociações.
Vorcaro respondeu que faria o pagamento mediante a apresentação dos resultados cobrados. “Quero ver agora você virar uma boleta de verdade”, escreveu o banqueiro. Júlio insistiu: “Pode deixar. É empenho de vida, Daniel, isso”.
Em outras mensagens, o consultor afirmou que o empresário poderia contar com ele e que pretendia concluir as articulações em andamento. O pagamento ocorreu dois dias antes de um jantar realizado na residência de Vorcaro, em Brasília, com a presença de Padilha, Olavo Noleto, Fernando e Júlio.
As negociações para obter investimentos dos fundos de pensão foram prejudicadas após reportagens publicadas em julho de 2024 sobre possíveis mudanças em cargos de gestores da Caixa Asset. Esses dirigentes teriam se oposto à aplicação de recursos em letras financeiras do Banco Master.
Apesar dos obstáculos, o banqueiro afirmou que continuou buscando investimentos de fundos municipais, com previsão de pagamentos de 10% em propinas, segundo sua própria versão dos acontecimentos. As conversas mostram que os contatos políticos permaneceram ativos.
Em 22 de outubro de 2024, Júlio enviou uma mensagem a Vorcaro sobre um novo encontro envolvendo Padilha e Olavo Noleto. “Daniel, acertado !!! Padilha e Olavo amanhã às 22 horas um jantar contigo em bsb”, escreveu o consultor.
Vorcaro respondeu: “Combinado ?!”. Três dias depois, Júlio voltou a tratar da agenda de Olavo. “Daniel, não esquece de Olavo”, afirmou.
Na sequência, acrescentou que o interlocutor transmitiria informações e procuraria organizar outro compromisso. “Ele vai te passar informações. Fazer agenda. Porque semana que vem é sua reunião importante”, escreveu.
O relacionamento entre Vorcaro e Júlio Cezar continuou ao longo de 2025. Em 2 de outubro daquele ano, o consultor voltou a procurar o empresário para apresentar uma operação envolvendo letras financeiras, títulos utilizados pelos bancos para captar dinheiro de investidores.
“Bom dia Daniel, tudo bem? Daniel, quero falar contigo. Tenho uma estruturação para comprar suas LF dos rpps que vc vendeu pra te aliviar”, escreveu Júlio. Na mesma mensagem, informou que pretendia realizar a operação por meio de fundos que tinha à disposição.
O documento também apresenta conversas de agosto de 2025 nas quais aparecem referências a recursos financeiros e à continuidade do trabalho entre os interlocutores. Em uma dessas mensagens, Júlio agradeceu ao banqueiro pela confiança depositada nele.
“E obrigado por essa confiança”, escreveu. As comunicações indicam que o consultor continuava buscando negócios ligados ao Master mesmo depois dos entraves registrados no ano anterior.
Júlio também havia organizado, em outubro de 2024, um jantar entre Vorcaro, Padilha e Olavo Noleto. O intermediário teria tentado ainda agendar uma reunião entre o banqueiro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas esse encontro não se confirmou.
Após a divulgação das primeiras mensagens pela revista Veja, Alexandre Padilha negou a existência de irregularidades e contestou as acusações relacionadas às supostas negociações de propina. Em declaração a jornalistas no sábado (10), o ministro classificou o caso como uma tentativa de interferir no segundo turno das eleições presidenciais, segundo a reportagem.
Padilha afirmou que as alegações seriam uma “farsa” criada para influenciar a disputa e favorecer o candidato Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente Lula. “Foi uma farsa montada ontem. Montaram um teatro para o candidato da oposição, que chama Vorcaro de irmão, que pegou dinheiro de Vorcaro e que visitou Vorcaro preso”, declarou o ministro.
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