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Combate à degradação florestal pode preservar mais biodiversidade na Amazônia do que restauração isolada
Publicado 16/10/2026 • 15:58 | Atualizado há 40 minutos
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Publicado 16/10/2026 • 15:58 | Atualizado há 40 minutos
KEY POINTS
Prefeitura de São José do Xingu (MT)
Um estudo liderado pela Rede Amazônia Sustentável (RAS) concluiu que evitar incêndios e a extração de madeira poderia mitigar 68% das perdas de biodiversidade registradas entre 2010 e 2020 em uma área de mais de 3 milhões de hectares na Amazônia. A medida também evitaria 47% das perdas de carbono, segundo a pesquisa.
O levantamento apontou que impedir o desmatamento evitaria 28% dos prejuízos à biodiversidade e 61% das perdas de carbono. Já a restauração de áreas degradadas, quando realizada isoladamente, compensaria apenas 6% das perdas de biodiversidade e 15% das destruições de carbono.
Os resultados foram divulgados pela revista Science às vésperas da Semana do Clima de Nova York, realizada recentemente na cidade.
“Embora a gente saiba que é melhor não degradar do que depois recuperar o que foi degradado, carecíamos de uma análise quantitativa desses benefícios e da relação custo-benefício dessas intervenções”, afirma Pedro Brancalion, professor associado de Florestas Tropicais da Esalq/USP.
O pesquisador reforçou que os melhores resultados são alcançados com a combinação de três medidas: impedir o desmatamento, combater incêndios e a extração de madeira e restaurar áreas degradadas.
A diferença entre as estratégias também aparece quando os resultados são comparados aos custos de implementação. De acordo com o estudo, evitar a degradação florestal tem um índice médio de custo-efetividade cerca de três vezes maior que o de impedir o desmatamento e quase 15 vezes superior ao da restauração.
Para a preservação do carbono, porém, impedir o desmatamento apresentou o maior retorno, seguido pelo controle da degradação e pela restauração.
Leonardo de Souza Miranda, pesquisador da Universidade de Lancaster, destaca que a restauração continua sendo necessária, mas não consegue compensar sozinha as perdas enquanto o desmatamento e a degradação avançam. “Restaurar sem proteger é tentar repor continuamente algo que segue sendo destruído”, afirma.
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Siga o Times | CNBCJoice Ferreira, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental e uma das autoras do estudo, também ressalta que não há uma única medida capaz de responder à crise das florestas tropicais. “Precisamos proteger as áreas remanescentes, impedir que elas sejam degradadas e restaurar territórios estratégicos”, diz.
Quando as três estratégias são adotadas em conjunto, a biodiversidade pode aumentar 22% e os estoques de carbono, 42%, em comparação com os níveis de 2010.
A combinação potencializa os resultados porque florestas preservadas favorecem a recuperação de áreas próximas, enquanto o controle do fogo permite que a vegetação em regeneração sobreviva e amadureça.
“A mensagem importante é que precisamos de soluções integradas. Não adianta desmatar um lugar e recuperar outro”, afirma Brancalion.
O pesquisador também destaca a importância das medidas para produtores rurais e empresas agrícolas. “Este estudo aponta a importância, pensando numa escala de prioridade, de fazer um bom manejo e proteção da vegetação nativa que ainda há na propriedade e isso deve ser complementado com ações de restauração, quando necessário”, afirma.
As conclusões ampliam o foco das políticas florestais, historicamente concentradas no combate ao desmatamento e na restauração. Os autores defendem que a prevenção de incêndios e da extração ilegal de madeira, o cumprimento das regras de manejo sustentável na exploração autorizada, a redução do uso do fogo em áreas rurais sempre que possível e o fortalecimento de brigadas locais passem a ocupar um lugar central nas estratégias de clima e biodiversidade.
Para chegar aos resultados, o estudo reuniu dados de biodiversidade coletados em 381 áreas de amostragem, distribuídas por 38 microbacias, informações socioeconômicas obtidas em entrevistas com 499 propriedades rurais e imagens de satélite de alta resolução.
Com base nesse material, os pesquisadores reconstruíram as mudanças ocorridas entre 2010 e 2020 e simularam cenários em que as três estratégias seriam adotadas de forma isolada ou combinada.
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