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Crise no STF: suspeita sobre reunião de Moraes com cúpula da PF motivou Fux a pedir acesso ao inquérito das fake news

Publicado 09/10/2026 • 07:58 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Reunião de Alexandre de Moraes com três dirigentes da Polícia Federal provoca questionamentos e aumenta a tensão nos bastidores do Supremo Tribunal Federal.
  • Luiz Fux determina prazo de 48 horas para acessar os autos do inquérito das fake news e de outros três procedimentos, com o objetivo de analisar possíveis irregularidades apontadas pelo PP.
  • Divergências entre ministros do STF envolvendo investigações sobre Daniel Vorcaro ampliam o clima de desconfiança na Corte, enquanto o motivo do encontro de Moraes com a cúpula da PF permanece sem esclarecimento oficial.

Uma reunião entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e três integrantes da cúpula da Polícia Federal (PF) provocou inquietação entre ministros da Corte e antecedeu a decisão de Luiz Fux de solicitar acesso integral ao inquérito das fake news e a outros três procedimentos relacionados à investigação.

O encontro ocorreu na tarde de terça-feira (06) e contou com a participação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, do diretor da Divisão de Crime Organizado, Dennis Cali, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. A reunião não constava na agenda oficial do ministro.

A presença simultânea dos três dirigentes chamou a atenção por não ser habitual em encontros relacionados a investigações específicas.

Nessas situações, o procedimento mais comum é que o magistrado responsável pelo caso converse diretamente com o delegado encarregado das apurações. A participação de autoridades de diferentes setores da corporação alimentou especulações sobre a possibilidade de uma iniciativa envolvendo investigações em andamento.

Visita ao gabinete de Fachin amplia questionamentos

Segundo Malu Gaspar, do Globo, a movimentação ganhou repercussão interna depois que Moraes procurou o gabinete do presidente do STF, Edson Fachin, logo após a conversa com os representantes da Polícia Federal.

Nos bastidores do tribunal, integrantes próximos ao ministro André Mendonça demonstraram preocupação com a possibilidade de mudanças na condução do inquérito das fake news ou de medidas relacionadas aos desdobramentos da investigação.

Leia também: Moraes recebe Andrei Rodrigues e integrantes da cúpula da PF em encontro fora da agenda oficial

Fux estabelece prazo de 48 horas para entrega dos autos

Em meio à movimentação, Luiz Fux determinou que a Secretaria Judiciária do Supremo disponibilizasse, no prazo de 48 horas, a íntegra dos documentos do inquérito das fake news e de outros três procedimentos ligados ao caso. O objetivo é examinar questionamentos apresentados pelo Progressistas (PP) sobre a atuação de Alexandre de Moraes na condução das investigações.

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A ação do partido, protocolada em abril de 2024, aponta possíveis irregularidades, entre elas a abertura do inquérito por iniciativa do próprio STF, sem provocação do Ministério Público Federal (MPF).

A legenda também questiona a concentração de funções atribuídas a Moraes, especialmente quanto à condução de procedimentos investigativos e à atuação judicial nos casos decorrentes das apurações. Entre os processos relacionados está o das chamadas milícias digitais, que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 22 pessoas.

A solicitação de Fux busca reunir os elementos necessários para avaliar os argumentos apresentados pelo partido. O pedido de acesso aos documentos, por si só, não representa uma conclusão sobre a existência de irregularidades.

Mudança na relatoria e divergências entre ministros

Instaurado em 2019, o inquérito das fake news passou à responsabilidade de Edson Fachin em 09 de setembro. A mudança ocorreu em um período de divergências internas no Supremo relacionadas a investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e seus contatos com Alexandre de Moraes.

André Mendonça havia solicitado a abertura de uma investigação para examinar a relação entre o empresário e o colega de tribunal. A iniciativa provocou reação de Moraes, que também defendeu a apuração da conduta de Mendonça.

O ministro alegou possível abuso de autoridade na solicitação de um relatório da Polícia Federal sobre 53 mensagens trocadas entre ele e Vorcaro. O episódio aprofundou as diferenças entre integrantes da Corte quanto aos procedimentos adotados nas apurações e aos limites da atuação dos magistrados.

Relatório de inteligência entra no centro da controvérsia

Outro ponto de discussão envolve um documento de inteligência da Polícia Federal utilizado por Moraes para sustentar seus questionamentos à atuação de Mendonça. Segundo o relato, o material não apresentava identificação formal de autoria e continha informações que o próprio documento classificava como desprovidas de valor probatório.

O relatório teria sido elaborado em uma unidade de inteligência vinculada à divisão comandada por Dennis Cali, um dos participantes da reunião com Moraes. Essa ligação contribuiu para aumentar a atenção de integrantes do STF próximos a Mendonça, entre eles Fux, sobre os contatos recentes entre o ministro e a direção da corporação.

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