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DECISÃO 2026: “A responsabilidade é toda minha”, diz Lula sobre resultado negativo no 1º turno da eleição

Publicado 15/10/2026 • 22:34 | Atualizado há 46 minutos

KEY POINTS

  • Em mudança de posição, Lula se declarou favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos.
  • Presidente defendeu mandato para ministros do STF e disse que uma reforma do Judiciário será “irreversível” após as denúncias envolvendo integrantes da Corte.
  • Lula anunciou plano para a União comprar dívidas antigas de até R$ 4 mil e disse que a explicação do diretor-geral da PF sobre festa de Daniel Vorcaro “não foi convincente”.

Reprodução/TV Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu nesta quinta-feira (15) a responsabilidade pelo resultado negativo obtido no primeiro turno da eleição presidencial e reconheceu que seu governo teve dificuldades para transformar as ações da gestão em apoio da população.

“Acho que tudo é responsabilidade minha. Eu sou o governo. Então, se eu não consegui ser compreendido pela sociedade brasileira sobre o governo, eu não posso ficar jogando a culpa em ninguém”, afirmou durante sabatina no Jornal Nacional, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete.

Lula disse que considera sua responsabilidade tanto os resultados positivos quanto os problemas enfrentados pelo governo.

“Quando as coisas dão certo, sou eu que ganho. Quando elas não dão certo, sou eu que perco. Então, a responsabilidade é toda minha”, declarou.

O presidente afirmou que sua gestão passou parte relevante do mandato tentando reorganizar áreas do governo e sustentou que realizou uma série de entregas, mas não conseguiu comunicá-las de maneira suficiente à população.

“Eu só lamento que eu não tenha tido a capacidade de fazer o povo compreender as coisas que eu fiz, porque foram muitas coisas”, disse.

Apesar da avaliação sobre o primeiro turno, Lula afirmou estar confiante na disputa do dia 25 de outubro.

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Lula defende ampliação da base no Congresso

Questionado sobre a relação com o Congresso em um eventual novo mandato, Lula rejeitou a avaliação de que seu governo tenha ficado restrito a uma base política estreita.

O presidente afirmou que partidos de diferentes campos participaram da administração e disse que a construção de uma maioria parlamentar será novamente necessária caso seja reeleito.

“Quando você ganha, você precisa pensar na governabilidade e precisa construir um bloco que dê sustentação no Congresso Nacional”, afirmou.

Maioridade penal

Em uma mudança de posição, Lula afirmou ser favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. Historicamente contrário à medida, o presidente declarou durante a sabatina: “Eu sou favorável a reduzir”.

Lula ponderou, porém, que o tema não deveria ser incluído na PEC da Segurança Pública em discussão no Congresso e defendeu uma votação separada sobre a maioridade penal.

“Primeiro você discute a PEC, aprova a PEC, e aí você pode discutir a maioridade penal ou não”, afirmou.

Na entrevista, Lula também defendeu maior participação da União no combate ao crime organizado, com a criação de um Ministério da Segurança Pública e ampliação da estrutura federal destinada ao sistema prisional.

“Para o trabalhador, para a comunidade, para o território, o que nós queremos é tranquilidade, segurança e proteção. Para os bandidos, a gente vai querer prisão”, disse.

Lula cobra apuração no STF e defende reforma do Judiciário

O presidente afirmou que os episódios recentes envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) precisam ser apurados integralmente e disse que a sociedade não aceitará que as denúncias sejam simplesmente encerradas sem esclarecimento.

“Não é possível imaginar que a sociedade brasileira vai aceitar que não seja apurado tudo e sobretudo, e que não fique pedra sobre pedra, e que se puna quem precisar punir”, afirmou.

Lula disse que as controvérsias envolvendo a Corte abriram um debate que considera “irreversível” sobre uma nova reforma do Judiciário.

“Nós temos que começar a discutir critério para escolher as pessoas. Nós temos que discutir mandato para as pessoas”, disse.

O presidente também questionou situações em que ministros chegam ao Supremo mantendo vínculos profissionais que possam gerar conflitos com processos analisados pela própria Corte.

“Nós temos que discutir se uma pessoa que quer ser ministro da Suprema Corte pode ser um cara que tem um escritório envolvido na própria Suprema Corte”, afirmou.

Ao falar das denúncias que atingem o tribunal, Lula usou termos duros.

“Não é possível que apareça na Suprema Corte tantas e tantas denúncias, tantas coisas de orgia, de mulher, de dinheiro. Não é possível, Renata. A sociedade brasileira precisa que seja apurada”, disse.

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Lula argumentou que o grau de responsabilidade dos integrantes do Supremo é ainda maior porque suas decisões ocupam o topo da estrutura judicial.

“Quando eles tomam uma decisão, ninguém pode mais tomar decisão, ninguém pode voltar atrás”, afirmou.

O presidente disse ainda ter conversado três vezes com o presidente do STF, Edson Fachin, para defender a apuração dos episódios.

“É importante que ele, enquanto for presidente, faça a apuração que tiver que fazer e que julgue, porque senão o Congresso vai fazer”, disse.

Em outro momento, Lula resumiu sua visão sobre a função de ministro da Corte: “Quem quiser ser rico não pode ser ministro da Suprema Corte. Ali é um sacerdócio.”
Segundo ele, uma eventual reforma seria formulada com apoio de especialistas.

“Eu não sou jurista, eu não tenho como fazer um projeto. Eu vou ter que montar uma comissão de especialistas e discutir que reforma a gente vai propor ao Brasil”, afirmou.

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Diretor da PF

Lula também disse ter repreendido o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, após saber de sua participação em uma festa de Daniel Vorcaro em Londres.

“Quando eu fiquei sabendo que ele tinha ido a Londres, eu chamei ele a atenção de que o papel do diretor da Polícia Federal não permite que ele tivesse ido a Londres”, afirmou.

Segundo o presidente, a explicação apresentada pelo diretor não o convenceu.

“Ele me deu uma explicação, não foi convincente para mim. Não precisava ter ido. Aliás, ninguém precisava ter ido para aquela festa”, disse.

Apesar da crítica, Lula elogiou o trabalho de Rodrigues e evitou dizer se o manterá no cargo em caso de reeleição.

“Primeiro eu preciso ganhar as eleições. Quando eu ganhar as eleições, eu vou sentar e vou montar o time outra vez”, afirmou.

Dívidas e ajuste fiscal

No segundo bloco da sabatina, Lula afirmou que o governo prepara uma operação para adquirir dívidas antigas de pessoas com débitos de até R$ 4 mil.

“Nós estamos comprando a dívida de todas as pessoas que devem acima de dois anos, até R$ 4 mil. A União vai comprar essa dívida”, afirmou.

Segundo Lula, a expectativa é que os bancos concedam descontos de 90% ou mais no leilão desses créditos. Ele citou um estoque de cerca de R$ 150 bilhões em dívidas potencialmente abrangidas pela medida.

Ao tratar das contas públicas, Lula reafirmou sua estratégia de buscar crescimento econômico e rejeitou um ajuste baseado em cortes sobre a população de menor renda.

“O jeito de você resolver o problema fiscal é fazer a economia ficar crescendo”, afirmou.

“Eu não quero que a dívida cresça. […] Eu estou propondo não cortar dinheiro dos pobres”, disse.

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“Eu não sabia”, diz Lula sobre reajuste do Bolsa Família

O presidente também afirmou que não sabia que o Bolsa Família ainda não havia sido reajustado durante o atual mandato.

“Eu não sabia, porque é inexplicável que no governo do Lula alguém pense em não reajustar […] a inflação no salário das pessoas”, declarou.

Segundo ele, depois de tomar conhecimento da situação, determinou a correção do benefício.

Nas considerações finais, Lula voltou a defender o fim da escala 6×1 e citou a possibilidade de incluir, em um eventual novo programa de governo, uma proposta de transporte gratuito aos fins de semana.

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