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DECISÃO 2026: disputa por cargos em possível governo Flávio Bolsonaro envolve partidos políticos, Faria Lima, e aliados
Publicado 11/10/2026 • 08:01 | Atualizado há 52 minutos
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Publicado 11/10/2026 • 08:01 | Atualizado há 52 minutos
KEY POINTS
Foto: Evaristo Sá / AFP
A disputa por espaços em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) já mobiliza diferentes setores políticos e econômicos, mesmo antes da definição do segundo turno da eleição presidencial de 2026. Integrantes do Centrão, representantes do mercado financeiro, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e políticos próximos ao governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) estão entre os interessados em participar de uma possível administração federal.
As articulações ocorrem após Flávio terminar o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O resultado intensificou as conversas sobre a composição de uma eventual equipe ministerial.
Pelo menos cinco grupos participam dessas movimentações. Além das indicações partidárias, as negociações envolvem nomes ligados à antiga equipe econômica de Paulo Guedes, integrantes da família Bolsonaro e profissionais sem trajetória política conhecida.
Segundo a Folha de S.Paulo, a definição dos responsáveis pela condução da economia está entre os principais pontos de interesse dos grupos que se aproximam de Flávio Bolsonaro. Entre os nomes discutidos estão profissionais que participaram da gestão do ex-ministro Paulo Guedes e executivos de instituições financeiras.
Daniella Marques, que presidiu a Caixa Econômica Federal, e Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia, foram mencionados durante a campanha como possíveis escolhas para os ministérios da Fazenda ou do Planejamento.
Daniella, entretanto, teria manifestado preferência por atuar em outra área. A possibilidade de sua indicação para uma pasta social também passou a ser considerada, ampliando a lista de alternativas para o comando da equipe econômica.
Outro nome em avaliação é Alexandre Ywata, que ocupou a Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade e posteriormente assumiu a presidência da Caixa. Também aparece nas discussões Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional e atualmente ligado ao banco BTG Pactual.
Campos Neto aparece entre os possíveis candidatos à Fazenda, apesar das críticas recebidas quanto à fiscalização do Banco Master durante sua passagem pelo Banco Central.
As negociações não se limitam aos postos econômicos. Partidos que se aproximaram da candidatura de Flávio Bolsonaro também avaliam possibilidades de participação em diferentes áreas da administração pública.
PP, União Brasil, Republicanos e Podemos estão entre as legendas envolvidas nas articulações. O MDB, por sua vez, pode ampliar o apoio ao candidato por meio de manifestações favoráveis de parte de seus diretórios. No PP, a senadora Tereza Cristina, que comandou o Ministério da Agricultura durante o governo Jair Bolsonaro, é apontada como uma alternativa tanto para a Casa Civil quanto para o Ministério das Relações Exteriores.
A Casa Civil também é disputada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela coordenação da campanha presidencial de Flávio. Na área agrícola, outro nome considerado é o do ex-governador de Mato Grosso e senador eleito Mauro Mendes, do União Brasil. A pasta também aparece como possível destino do senador Ronaldo Caiado (PSD), que declarou apoio ao candidato do PL.
No Podemos, existe a expectativa de que a presidente nacional da legenda, Renata Abreu, receba um convite para integrar o eventual governo. Ainda não há indicação de qual ministério poderia ser oferecido.
Já integrantes do Republicanos defendem a indicação do presidente da sigla, Marcos Pereira, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A possibilidade depende, entre outros fatores, da abertura de uma cadeira na Corte e dos procedimentos constitucionais necessários para a nomeação.
Outro grupo com possibilidade de participação em um eventual governo federal é formado por auxiliares e aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Depois de manter uma participação mais discreta na campanha durante o primeiro turno, Tarcísio intensificou sua atuação política em favor de Flávio Bolsonaro, com viagens a Brasília e Goiânia.
Integrantes de sua equipe consideram provável que o governador tenha espaço para sugerir nomes a cargos federais, independentemente das indicações negociadas pelo Republicanos. Entre os possíveis escolhidos está Guilherme Derrite (PP), senador eleito por São Paulo, citado para comandar o Ministério da Justiça.
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Siga o Times | CNBCO secretário estadual da Educação, Renato Feder, também aparece como alternativa para a pasta federal da Educação. Feder já havia sido considerado para o cargo durante o governo Jair Bolsonaro. Na área econômica, outros dois integrantes da administração paulista são mencionados: Samuel Kinoshita, secretário da Fazenda, e Caio Paes de Andrade, responsável pela área de Gestão.
Ambos possuem experiência profissional relacionada à equipe de Paulo Guedes. Paes de Andrade também presidiu a Petrobras. Tarcísio já sinalizou publicamente disposição para contribuir com indicações de integrantes de seu governo, caso haja interesse em aproveitar esses profissionais na esfera federal.
Além das articulações partidárias, integrantes do núcleo político mais próximo da família Bolsonaro buscam participação em uma possível equipe ministerial. Uma das indicações discutidas é a do deputado federal Mario Frias (PL-SP) para o Ministério da Cultura.
Frias foi secretário especial da Cultura durante o governo Jair Bolsonaro e permaneceu próximo ao grupo político mesmo após a divulgação de informações sobre o financiamento do filme Dark Horse, que recebeu recursos de Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal.
Para o Ministério da Defesa, um dos nomes considerados é Marcos Degaut, ex-secretário de Produtos de Defesa. Após deixar o governo federal, ele atuou como executivo da Edge Group, empresa dos Emirados Árabes Unidos que passou a controlar companhias brasileiras do setor de defesa.
Degaut mantém relações com o grupo político da família Bolsonaro e também se aproximou dos Emirados Árabes Unidos em iniciativas que envolveram Eduardo Bolsonaro.
A eventual participação de Eduardo em um novo governo também é discutida por aliados. Uma das possibilidades mencionadas é o Ministério das Relações Exteriores.
O ex-deputado, entretanto, enfrenta obstáculos judiciais. Ele foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão por tentar intimidar o Judiciário brasileiro e interferir no julgamento da trama golpista. Também foi alvo de uma ordem de prisão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Fora dos principais grupos partidários, profissionais com trajetórias distintas também são considerados para integrar uma eventual administração. Na Saúde, Flávio Bolsonaro já mencionou publicamente o médico Claudio Lottenberg como sua preferência para comandar a pasta.
A indicação foi apresentada em agosto, durante uma entrevista a um canal de TV. Posteriormente, Lottenberg sinalizou que, caso receba o convite e assuma o cargo, pretende adotar uma gestão de perfil técnico.
Outro nome mencionado nas articulações é o do ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo, que se aproximou de Jair Bolsonaro a partir de 2024. Ele aparece entre as alternativas levantadas por interlocutores políticos, sem definição sobre uma função específica.
Também existem movimentações para incluir o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo) em um eventual governo. No setor industrial, o nome em discussão é Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Roscoe disputou o governo mineiro pelo PL e é apontado como possível escolha para uma pasta voltada ao desenvolvimento e à indústria. Empresários de Minas Gerais que apoiaram a candidatura de Flávio participam das articulações em favor de sua indicação.
As movimentações em torno da possível distribuição de cargos também passaram a ser exploradas politicamente pela campanha do presidente Lula. O objetivo dos aliados do petista é apresentar as negociações como uma antecipação da formação de governo antes da conclusão do processo eleitoral.
Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda e candidato derrotado por Tarcísio de Freitas na disputa pelo governo paulista, criticou publicamente as conversas entre apoiadores de Flávio. “Nem ganhou eleição, já está loteando o governo. Não é assim”, afirmou Haddad na quinta-feira (08).
A declaração expõe uma das linhas de confronto político nesta fase da campanha, marcada pela disputa presidencial e pela busca de apoio de partidos e lideranças regionais.
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