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DECISÃO 2026: em carta a Lula e Flávio Bolsonaro, economistas defendem ‘Plano Real dos Juros’ com metas para inflação e dívida pública

Publicado 23/10/2026 • 07:44 | Atualizado há 14 minutos

KEY POINTS

  • Grupo de 380 empresários e economistas propõe ajuste fiscal para reduzir a Selic a 7,5% até o fim de 2027.
  • Carta destinada a Lula e Flávio Bolsonaro estabelece metas para inflação, dívida pública e crescimento econômico.
  • Documento também defende reformas políticas, mudanças tributárias e medidas para educação, segurança e produtividade.
Lula Flávio

AFP

Um grupo formado por aproximadamente 380 empresários, economistas, executivos e representantes da sociedade civil elaborou uma carta com propostas para o próximo governo federal. O documento, que será encaminhado a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), estabelece como prioridade o equilíbrio das contas públicas para permitir a redução da taxa básica de juros, a Selic, a 7,5% ao ano até dezembro de 2027.

A iniciativa é do Grupo Parlatório, coordenado pelo economista Roberto Giannetti da Fonseca. Organizada em 14 áreas temáticas, a carta apresenta um conjunto de medidas que seus integrantes comparam a uma espécie de “Plano Real para os juros”, com metas fiscais e econômicas para os próximos anos.

Metas para juros, inflação e dívida pública

A proposta prevê que o próximo presidente assuma o compromisso de alcançar uma inflação de 3% e um superávit primário de pelo menos 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. Outra meta é reduzir a dívida bruta, atualmente equivalente a 82,9% do PIB, para menos de 70% até 2030.

Segundo os cálculos apresentados pelo grupo, a dívida pública de R$ 10,9 trilhões tem custo médio anual de 12,68%, o que representa aproximadamente R$ 1,4 trilhão em juros.

Conforme informações do Globo, os autores defendem que o controle das despesas e a estabilidade econômica podem abrir espaço para a redução do custo do crédito. A expectativa apresentada é de crescimento econômico médio de pelo menos 3% ao ano e investimentos superiores a 20% do PIB entre 2027 e 2030.

A carta ressalta que as decisões sobre a Selic devem continuar sob responsabilidade técnica do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central.

Leia também: DECISÃO 2026: Flávio Bolsonaro tem 45,2% e Lula 44,1% no 2º turno, revela Indexa/Broadcast

Reforma tributária e aumento da produtividade

Na área tributária, o documento recomenda evitar novos aumentos da carga de impostos, estimada em aproximadamente 34% do PIB. O grupo também sugere transferir parte da tributação sobre o consumo para a renda, ampliar o combate à sonegação e revisar regras de despesas obrigatórias.

As propostas incluem a continuidade da reforma tributária, especialmente na definição das alíquotas dos novos tributos sobre bens e serviços, o IBS e a CBS.

Para estimular a atividade econômica, os signatários defendem uma agenda nacional de produtividade, ampliação das concessões e parcerias público-privadas, investimentos em infraestrutura e melhorias no saneamento básico.

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No agronegócio, as medidas envolvem maior industrialização das matérias-primas, fortalecimento da produção nacional de fertilizantes e ampliação dos recursos destinados à Embrapa. A pauta ambiental estabelece como objetivo neutralizar as emissões da agropecuária até 2042, recuperar 15 milhões de hectares de florestas e desenvolver o mercado regulado de carbono.

Mudanças políticas e administrativas

O documento também apresenta propostas para o funcionamento das instituições públicas. Entre elas estão o fim da reeleição para cargos do Executivo, a adoção do voto distrital misto e a limitação das emendas parlamentares a 5% da receita discricionária.

O grupo sugere ainda uma reforma administrativa com avaliação de desempenho dos servidores, redução da estrutura governamental e ampliação dos serviços digitais.

Em relação ao Judiciário, a carta defende alterações nas regras de escolha e mandato dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além da preservação da independência entre os três Poderes e do fortalecimento dos órgãos de fiscalização e combate à corrupção.

Segurança, educação e políticas sociais

Na segurança pública, as propostas priorizam ações integradas contra o crime organizado, com foco no combate ao financiamento das facções, controle de armas e melhorias no sistema prisional.

Para a educação, o grupo defende a erradicação do analfabetismo e a expansão do ensino técnico. Na saúde, recomenda fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), ampliar os programas Farmácia Popular e Mais Médicos e recuperar a cobertura vacinal.

A carta também prevê a continuidade dos programas de assistência social, medidas de incentivo ao emprego formal e ações contra o feminicídio, o racismo e os efeitos sociais das apostas eletrônicas.

Na política externa, os participantes defendem o fortalecimento das relações comerciais, a aproximação com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e investimentos em defesa nacional, especialmente na proteção das fronteiras amazônicas.

Documento reúne representantes de diferentes setores

Entre os participantes da iniciativa estão o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney; o ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates; o empresário Roberto Klabin; a especialista em segurança pública Ilona Szabó; e a educadora Viviane Senna.

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