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DECISÃO 2026: Flávio cita elo entre Lulinha e Luchsinger; Lula devolve com dinheiro do Master para filme de Bolsonaro
Publicado 18/10/2026 • 20:00 | Atualizado há 5 minutos
Publicado 18/10/2026 • 20:00 | Atualizado há 5 minutos
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão frente a frente neste domingo (18) no primeiro debate entre os dois candidatos no segundo turno da eleição presidencial. Realizado nos estúdios do Grupo Bandeirantes, em São Paulo, o confronto abre a última semana da campanha antes da votação marcada para 25 de outubro.
Previsto inicialmente para as 20h, o debate começou às 20h15 após um atraso na chegada dos candidatos.
A primeira pergunta tratou do avanço do crime organizado, do domínio de territórios por facções e milícias e da discussão sobre a redução da maioridade penal.
Flávio afirmou que, caso seja eleito, pretende “declarar guerra ao narcoterrorismo” e classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas.
“Eu vou recuperar cada metro, eu vou recuperar cada rua, eu vou recuperar cada bairro, eu vou recuperar cada cidade, eu vou recuperar cada território que foi tomado do povo brasileiro”, disse.
O candidato do PL também prometeu endurecer o combate às facções, criar mais de 500 mil vagas no sistema penitenciário e afirmou que criminosos “vão ser presos ou vão ser neutralizados pelas nossas polícias”.
Lula respondeu defendendo a PEC da Segurança Pública enviada por seu governo ao Congresso. O presidente afirmou que a União precisa ampliar sua participação no combate ao crime organizado e disse que criará o Ministério da Segurança Pública caso a proposta seja aprovada pelo Senado.
“Para o trabalhador, para a comunidade, proteção. Para o bandido, prisão. Vai ser assim quando aprovar a PEC da Segurança”, afirmou.
Lula também disse que pretende articular União, estados e municípios para recuperar áreas dominadas por organizações criminosas e afirmou que seu governo já endureceu as penas para integrantes de facções.
Na segunda pergunta, Lula e Flávio foram questionados sobre crescimento econômico, dívida pública, juros, carga tributária e a recuperação do grau de investimento do Brasil.
Lula defendeu uma política de distribuição de renda e afirmou que o crescimento depende de ampliar a circulação de dinheiro entre a população.
“Nós precisamos fazer primeiro o dinheiro circular na mão das pessoas, porque muito dinheiro na mão de poucos significa pobreza e miséria, e pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição de renda”, disse.
O presidente também citou medidas adotadas em seus mandatos anteriores, como a criação do MEI, o pagamento da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o aumento das reservas internacionais. Para um eventual novo mandato, afirmou que pretende apostar em setores como as economias digital, verde e criativa.
Flávio concentrou a resposta no custo de vida, na dívida pública e nos gastos do governo. O candidato perguntou aos eleitores se alimentos como arroz, feijão e carne ficaram mais caros e responsabilizou a gestão de Lula pelo encarecimento.
O candidato do PL também afirmou que a queda dos juros futuros após o primeiro turno abriria espaço para uma economia superior a R$ 200 bilhões no Orçamento caso seja eleito.
“Eu vou ajudar você a pagar sua dívida, eu vou ajudar o governo a pagar a própria dívida”, afirmou.
Flávio acusou ainda o atual governo de gastar de forma excessiva para tentar a reeleição e disse que pretende combinar controle das contas públicas com combate à corrupção.
O tom subiu no primeiro embate livre entre os candidatos, em que cada um recebeu 15 minutos para administrar o próprio tempo. Flávio Bolsonaro levou para o centro do confronto as declarações recentes de Roberta Luchsinger e as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Lula reagiu com questionamentos sobre a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Flávio questionou o presidente sobre as declarações de Luchsinger e afirmou que a empresária teria apontado uma sociedade com Lulinha. Também citou Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e perguntou quem estaria financiando a permanência do filho do presidente na Espanha.
Lula respondeu que as acusações envolvendo Luchsinger devem ser investigadas pela Polícia Federal e afirmou que não pretende interferir nas apurações.
“A Roberta é uma questão da Polícia Federal. A Polícia Federal vai cuidar. E quando a Polícia Federal fizer investigação, você vai saber o que é Roberta”, disse.
O presidente afirmou ainda que Lulinha disponibilizou informações para ser investigado e comparou sua postura à adotada por Jair Bolsonaro quando familiares eram alvo de apurações.
“O meu filho abriu a sua conta bancária e abriu o seu telefone para ser investigado, porque eu não sou um pai que protege o filho como você foi protegido pelo seu pai”, declarou.
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Siga o Times | CNBCFlávio rebateu dizendo que a PF ainda não teria avançado sobre Lulinha e voltou a citar Luchsinger.
“É melhor você não botar a mão no fogo pelo seu filho não, porque ela falou que o seu filho é sócio dela”, afirmou.
As declarações da empresária e as suspeitas envolvendo Lulinha são objeto de investigação e não representam, por si só, comprovação de crime.
Na sequência, o confronto migrou para o Banco Master. Lula cobrou repetidamente de Flávio explicações sobre R$ 134 milhões que, segundo o presidente, estariam relacionados a Vorcaro. Em meio às cobranças, também mencionou o filme sobre Jair Bolsonaro.
“Você tem que explicar os R$ 134 milhões que você disse que não pegou e pegou, disse que foi para o fundo e não foi”, afirmou Lula.
Flávio negou irregularidades e respondeu citando um áudio atribuído a Vorcaro. Segundo o candidato do PL, a gravação indicaria que as operações envolvendo o filme de Bolsonaro teriam ocorrido de forma regular e mencionaria, em contraste, supostos R$ 30 milhões relacionados ao Instituto Lula.
“Você vai ver lá o áudio do Vorcaro, onde ele fala o seguinte: o filme do Bolsonaro foi tudo bem, tudo certinho. O filme do Lula teve R$ 30 milhões por fora no Instituto Lula”, disse.
Lula insistiu na cobrança e perguntou diversas vezes qual teria sido o destino dos R$ 134 milhões. Flávio afirmou que já havia prestado os esclarecimentos necessários e levou a discussão para críticas aos gastos do governo e ao Bolsa Família.
O embate passou então para segurança pública e política de armas. Lula questionou Flávio sobre medidas tomadas durante o governo Jair Bolsonaro que ampliaram o acesso a armas e munições e voltou a mencionar episódios envolvendo policiais investigados.
Flávio respondeu que o principal problema está na entrada de armamento ilegal pelas fronteiras e acusou o governo atual de não conseguir conter esse fluxo.
Os dois também trocaram acusações sobre criminalidade. Lula insistiu que Flávio deveria responder por sua atuação em casos envolvendo agentes de segurança, enquanto o candidato do PL citou o desempenho do petista entre eleitores do sistema prisional e tentou associá-lo a uma política mais tolerante com criminosos.
Na reta final do bloco, Lula levou a discussão novamente para a economia e perguntou se Flávio pretende seguir o modelo de ajuste fiscal associado ao presidente argentino Javier Milei. O petista criticou a chamada política da “motosserra” e afirmou que seu próprio modelo prioriza crescimento, emprego e inclusão social.
Flávio respondeu que pretende cortar gastos e combater a corrupção, mas evitou assumir o modelo argentino como referência direta.
“O que eu vou fazer, Lula, é tesourar na corrupção no seu governo”, afirmou.
O confronto terminou com novas trocas de acusações sobre gastos públicos, benefícios sociais e corrupção. Depois que o tempo de Flávio se esgotou, Lula usou o período restante para acusar o adversário de evitar respostas às perguntas feitas ao longo do bloco.
O segundo bloco começou com uma pergunta sobre os gargalos do Sistema Único de Saúde (SUS), as filas para consultas e exames e a necessidade de ampliar o financiamento do setor.
Flávio Bolsonaro afirmou que pretende adotar no SUS um padrão de atendimento semelhante ao da rede privada e citou Cláudio Lottenberg como escolhido para comandar o Ministério da Saúde em um eventual governo.
“Eu quero colocar padrão Einstein no SUS, aquele mesmo atendimento com tecnologia, com médicos, com hora marcada, sem fila, que tem na rede privada. Eu quero levar para o SUS”, afirmou.
Entre as propostas, Flávio prometeu criar um prontuário eletrônico único, integrado pelo CPF, reunindo informações das redes municipal, estadual, federal e privada. O candidato também defendeu o uso de telemedicina, inteligência artificial e sistemas que direcionem o paciente para a unidade de saúde adequada.
Lula reagiu criticando a experiência do bolsonarismo na área da saúde e mencionou as mortes registradas durante a pandemia de Covid-19. O presidente também questionou se a proposta apresentada por Flávio poderia abrir caminho para uma privatização do SUS, interpretação contestada durante o confronto.
O petista afirmou que o adversário “não entende de saúde pública” e defendeu as ações de seu governo para fortalecer o sistema.
“Tenho muito orgulho de estar trabalhando para recuperar o SUS, de dar dignidade ao SUS, de dar dignidade aos médicos”, afirmou.
A resposta de Lula foi marcada por interrupções e troca de provocações entre os candidatos. A mediação precisou intervir para pedir que Flávio respeitasse o tempo de fala do presidente.
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