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DECISÃO 2026: Flávio Bolsonaro vence em 9 a cada 10 cidades mais afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos e frusta estratégia petista 

Publicado 08/10/2026 • 06:40 | Atualizado há 36 minutos

KEY POINTS

  • Dos 100 municípios mais afetados, Flávio Bolsonaro foi o mais votado em 92.
  • Campanha petista tentou vincular o senador às sanções de Washington devido à proximidade do clã Bolsonaro com o entorno de Trump.
  • Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de R$ 55 bilhões em produtos brasileiros enquadram-se nessa dupla tributação de até 37,5% do governo dos EUA.
Flávio

Fotos: AFP

O senador Flávio Bolsonaro (PL) superou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na grande maioria dos municípios brasileiros mais vulneráveis ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos nacionais.

Dos 100 municípios mais afetados, Flávio Bolsonaro foi o mais votado em 92, enquanto Lula liderou em apenas 8. No panorama geral do país, o senador obteve maioria dos votos válidos em 52% (2.907 municípios), frente a 48% (2.663) do candidato petista.

O levantamento baseia-se nas exportações direcionadas aos EUA em 2025, utilizando dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) cruzados com a lista de produtos taxados pelo governo norte-americano. As capitais foram excluídas por possuírem economias diversificadas, o que dilui o impacto dessas medidas.

Perfil das cidades e inversões de voto

De acordo com a Folha de S.Paulo, a maior parte dos municípios atingidos já exibia alinhamento com o bolsonarismo no pleito de 2022. Exemplo emblemático é Piracicaba (SP), importante polo industrial de máquinas e equipamentos que lidera o ranking de exportações afetadas — cerca de R$ 5,4 bilhões anuais sob risco. No último domingo (4), Flávio venceu no município com 63,4% dos votos, contra 27,6% de Lula, repetindo o cenário de 2022.

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Apesar da hegemonia bolsonarista na região, houve exceções. Das 100 cidades analisadas, oito inverteram o resultado do último pleito e optaram por Flávio Bolsonaro. Entre os exemplos estão Ouro Branco (MG), com forte peso siderúrgico; Ribeirão Pires (SP), afetada pela queda nas exportações de munições; e Bituruna (PR), dependente do setor madeireiro.

O impacto das sanções e a estratégia política

As tarifas foram anunciadas pela gestão Trump em julho, divididas em duas rodadas (25% e 12,5%), podendo acumular até 37,5% em tributações sobre mercadorias. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de R$ 55 bilhões em produtos brasileiros enquadram-se nessa dupla tributação.

O desempenho de Flávio Bolsonaro nessas praças sugere que a aposta da campanha petista — que tentou vincular o senador às sanções de Washington devido à proximidade do clã Bolsonaro com o entorno de Trump — pode não ter surtido o efeito esperado. O PT cunhou o termo “tariflávio” para associar o candidato à oposição externa e desgastar sua imagem.

Para tentar conter o impacto eleitoral negativo, Flávio chegou a apelar publicamente a autoridades americanas para que adiassem a decisão tarifária para o período pós-eleitoral, sob o argumento de que a medida beneficiaria politicamente o adversário. Por sua vez, a campanha de Lula apostou na defesa da soberania nacional, tema presente 42 vezes em seu plano de governo.

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