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DECISÃO 2026: Lula preparou reajuste do Bolsa Família em sigilo um dia antes do anúncio; veja documento

Publicado 19/10/2026 • 23:14 | Atualizado há 51 minutos

KEY POINTS

  • Ofícios, notas técnicas e pareceres que embasaram o reajuste foram produzidos em 16 de setembro, um dia antes do anúncio do novo valor do benefício.
  • A necessidade de manter a medida sob sigilo levou o governo a usar um procedimento excepcional, com documentos fora do sistema eletrônico e encaminhados fisicamente à Casa Civil.
  • Reajuste elevou o piso de R$ 600 para R$ 691 e tem impacto estimado pelo governo em R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22 bilhões em 2027.

Foto: Pamela Marciano/Shutterstock

Bolsa Família foi reajustado pouco antes do primeiro turno

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentrou em um único dia a produção dos documentos usados para embasar o reajuste do Bolsa Família anunciado às vésperas do primeiro turno das eleições. Os papéis foram preparados em 16 de setembro e o aumento foi anunciado no dia seguinte.

Para preservar o sigilo durante a preparação da medida, documentos do Ministério do Planejamento e Orçamento foram encaminhados em papel à Casa Civil, fora do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), usado normalmente para a circulação de atos e processos dentro da administração federal. Os registros foram obtidos pelo Estadão por meio da Lei de Acesso à Informação.

Os documentos mostram que o governo recorreu a uma exceção prevista em decreto de 2024 para permitir o envio físico dos documentos enquanto a medida ainda estava mantida em caráter reservado.

Leia também: DECISÃO 2026: Lula diz que não sabia do congelamento do Bolsa Família e nega viés eleitoreiro em reajuste anunciado antes do 1º turno

Governo usou procedimento excepcional

Um despacho do Ministério do Planejamento registra que o formato foi adotado devido à “necessidade de preservação do sigilo durante a preparação da medida”.

O documento cita o artigo 51, parágrafo 2º, do Decreto nº 12.002, de abril de 2024, que permite, excepcionalmente, o encaminhamento físico de propostas e dos documentos que as acompanham mediante autorização da Secretaria Especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil.

O material relacionado ao reajuste foi posteriormente reunido em um processo eletrônico no Ministério do Planejamento em 1º de outubro.

Trecho de documento do Ministério do Planejamento mostra tramitação incomum de documentos sobre o aumento do Bolsa Família | Foto: Reprodução/Estadão

Os documentos indicam que ofícios, notas técnicas e pareceres jurídicos ligados à medida têm data de 16 de setembro. Como a tramitação anterior ocorreu em papel, os registros digitalizados posteriormente não permitem identificar os horários em que cada documento foi produzido ou encaminhado.

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social inicialmente informou não possuir registros sobre o tema e, após recurso, apresentou cópias dos documentos que também constavam no Ministério do Planejamento.

Já documentos da Casa Civil relacionados à preparação da medida permaneceram sob sigilo.

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Reajuste foi anunciado 17 dias antes do primeiro turno

O aumento do Bolsa Família foi anunciado em 17 de setembro, 17 dias antes do primeiro turno da eleição presidencial.

Na última quinta-feira (15), durante entrevista ao Jornal Nacional, Lula afirmou que não sabia que o Bolsa Família havia ficado sem reajuste durante seu terceiro mandato. O presidente disse que cobrou explicações de ministros depois de tomar conhecimento da situação e determinou a correção do benefício ao saber que havia espaço fiscal. “Eu não sabia”, afirmou. Lula também negou que o aumento tivesse motivação eleitoral.

O reajuste de cerca de 15% elevou o valor mínimo pago às famílias de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio passou para R$ 777.

Segundo as estimativas apresentadas pelo governo, a mudança terá impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027. O Executivo afirmou que as despesas seriam absorvidas pelo espaço fiscal disponível nos dois anos.

Leia também: Governo antecipa pagamento do Bolsa Família com reajuste

Pagamentos também foram antecipados antes do segundo turno

Nesta segunda-feira (19), o governo também alterou o calendário de outubro do Bolsa Família. Os beneficiários com NIS final 1 recebem no dia 19 e os de final 2 no dia 20. Todos os demais, que originalmente teriam pagamentos distribuídos até o dia 30, poderão acessar o benefício na quarta-feira (21).

Com isso, o pagamento de outubro estará disponível para todos os beneficiários até quatro dias antes do segundo turno, marcado para domingo (25).

O governo afirma que a unificação foi adotada como medida preventiva diante dos efeitos previstos do El Niño sobre famílias vulneráveis. A mesma sistemática deverá ser aplicada em novembro e dezembro. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, foram registrados 518 reconhecimentos federais de situação de emergência ou calamidade em agosto e setembro, mais que o dobro dos 253 do mesmo período do ano anterior.

Em 2022, o governo de Jair Bolsonaro também antecipou o pagamento do então Auxílio Brasil durante o período eleitoral, logo após o primeiro turno.

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