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DECISÃO 2026: ‘será muito difícil uma virada do Lula’, diz CEO do RealTime Big Data sobre vantagem de Flávio Bolsonaro; assista
Publicado 20/10/2026 • 12:36 | Atualizado há 27 minutos
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Publicado 20/10/2026 • 12:36 | Atualizado há 27 minutos
KEY POINTS
A possibilidade de uma virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra Flávio Bolsonaro no segundo turno é considerada difícil pelo cientista político Bruno Soller, sócio e CEO do instituto Real Time Big Data. Com uma diferença estimada por ele em quase 3 milhões de votos entre os candidatos, Lula precisaria conquistar uma parcela expressiva do eleitorado que apoiou outros nomes no primeiro turno, além de mobilizar brasileiros que deixaram de votar.
Em entrevista exclusiva ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Soller apontou que o presidente enfrenta dificuldades para alcançar pelo menos 65% dos votos de outros candidatos considerados terceira via — Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, por exemplo.
Isso porque parte desses eleitores demonstra maior preferência por uma mudança de governo, movimento que favorece Flávio Bolsonaro. “As probabilidades são muito mais favoráveis ao Flávio Bolsonaro”, afirmou o analista ao comentar os resultados da pesquisa RealTime Big Data mais recente, que deu 52% das intenções de voto ao senador contra 48% do atual presidente.
Segundo Soller, o presidente precisaria conseguir uma transferência significativa de votos em poucos dias, enquanto Flávio mantém a vantagem obtida na primeira votação e apresenta uma tendência de consolidação da liderança. Apesar do cenário, o analista ressaltou que a disputa ainda pode sofrer alterações. “Não estamos tratando de matemática, estamos tratando de comportamento humano. Ainda temos cinco dias pela frente e coisas podem acontecer”, ponderou.
Leia também: DECISÃO 2026: Flávio Bolsonaro tem 52% e Lula 48% dos votos válidos, diz pesquisa RealTime Big Data
Um dos principais obstáculos para Lula está no comportamento do eleitorado que escolheu outras candidaturas no primeiro turno.
Segundo Soller, os eleitores de outros candidatos de direita, como Zema e Caiado, por exemplo, apresentam maior tendência a migrar para Flávio Bolsonaro. Já os que apoiaram Augusto Cury, terceiro colocado, demonstram uma divisão mais equilibrada entre os finalistas.
Essa distribuição dificulta a obtenção do volume de votos necessário para uma virada, especialmente porque Flávio já iniciou o segundo turno à frente do presidente.
Na avaliação do analista, a maior parte dos eleitores dos dois principais candidatos mantém suas escolhas anteriores. Assim, a disputa está concentrada no grupo que votou em nomes derrotados e entre aqueles que ainda não definiram uma preferência. “A maioria desse eleitorado deseja mais mudança do que continuidade”, afirmou.
Para Soller, esse sentimento explica por que Flávio consegue ampliar sua vantagem, mesmo sem conquistar necessariamente uma identificação pessoal com todos os novos apoiadores.
Além da transferência de votos, Lula precisaria convencer brasileiros que não compareceram às urnas no primeiro turno a participar da segunda votação. Soller considera essa estratégia particularmente difícil porque não basta aumentar o comparecimento. O presidente também precisaria garantir que uma parcela expressiva dos novos votantes escolhesse sua candidatura.
“Não é só ir votar. Ele tem que ir votar e votar no presidente Lula. São dois desafios para tratar com a abstenção”, explicou.
O analista destacou ainda que a ausência de disputas para governador em grande parte dos estados pode reduzir a mobilização eleitoral. Segundo ele, apenas seis unidades da Federação terão segundo turno para os governos estaduais, enquanto as demais já definiram seus representantes.
No primeiro turno, o Nordeste registrou a menor abstenção do país, fenômeno que Soller relaciona à intensidade das disputas estaduais na região. Sem campanhas locais em boa parte do território nacional, o comparecimento pode diminuir, dificultando os esforços para ampliar a votação de Lula.
A pesquisa Real Time Big Data, realizada ao longo de cinco dias, também captou parte da repercussão do debate presidencial e acontecimentos políticos recentes. Entre eles estão a promulgação da proposta relacionada ao fim da escala de trabalho 6×1 e as discussões sobre a PEC da Segurança Pública.
Segundo Soller, esses movimentos tiveram impacto limitado sobre as intenções de voto. O eleitorado apresenta baixa volatilidade, com a maior parte dos apoiadores dos dois candidatos mantendo suas posições.
O analista afirmou que levantamentos de outros institutos também vêm apontando uma consolidação da dianteira de Flávio. Para ele, a convergência dos resultados reforça a percepção de que o senador chega à reta final em posição mais favorável, embora a eleição permaneça competitiva.
A estratégia das campanhas é outro fator que, segundo Soller, contribui para a vantagem do candidato da oposição. Flávio Bolsonaro passou a concentrar sua comunicação na ideia de mudança, procurando atrair brasileiros insatisfeitos com o governo federal.
O analista avalia que o senador compreendeu que parte de seus votos não representa necessariamente apoio pessoal ou adesão às suas propostas, mas o desejo de substituir Lula na Presidência. “Ele sabe que esse voto não é dele. É um voto das pessoas que estão insatisfeitas com o Lula”, afirmou.
Por outro lado, Soller considera que Lula cometeu um erro no primeiro turno ao insistir na defesa de sua gestão, sem reconhecer suficientemente as dificuldades percebidas pela população. Entre os principais fatores de insatisfação, citou o custo de vida e a insegurança pública.
No segundo turno, o presidente passou a reconhecer problemas e a relacioná-los à situação herdada do governo de Jair Bolsonaro. Para o analista, porém, essa mudança de estratégia ocorreu tardiamente. “Essa conversa tinha que ter começado no primeiro turno, e ela não começou”, declarou.
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Siga o Times | CNBCO perfil dos eleitores ainda indecisos também representa uma dificuldade para o presidente. De acordo com Soller, dois grupos se destacam entre aqueles que ainda não definiram seu voto: mulheres com renda superior a cinco salários mínimos que apoiaram candidaturas alternativas e mulheres mais jovens de baixa renda, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Apesar dessas diferenças, o analista considera que a aprovação do governo é o principal indicador para estimar a direção desses votos. “Esse indeciso mais desaprova a gestão do que aprova”, afirmou.
Assim, entre aqueles que decidirem votar em um dos finalistas, a tendência identificada pelo instituto é de maior aproximação com Flávio Bolsonaro. A avaliação é que o desejo de mudança tende a prevalecer sobre outros fatores, como gênero e renda.
A elevada rejeição aos dois candidatos também influencia a disputa, segundo Soller. O analista considera que o segundo turno leva parte dos eleitores a votar não necessariamente no candidato de sua preferência, mas naquele ao qual apresenta menor resistência.
“Você tem um duelo de rejeições no segundo turno. Só que, no Brasil, estamos com essas duas rejeições altíssimas”, afirmou.
Esse comportamento ajuda a explicar a estratégia adotada pelos candidatos nos debates, marcados por ataques e tentativas de ampliar a rejeição ao adversário.
Segundo Soller, o acompanhamento qualitativo de indecisos durante o último confronto mostrou que esses eleitores terminaram o debate mais frustrados do que convencidos pelas propostas apresentadas.
A distribuição regional do eleitorado também favorece Flávio Bolsonaro. Segundo Soller, o senador apresenta tendência de vitória em quatro das cinco regiões brasileiras, enquanto Lula deve conquistar uma vantagem expressiva no Nordeste.
Sul e Centro-Oeste são apontados como regiões de maior força de Flávio. No Norte, a disputa é mais equilibrada, com o presidente apresentando desempenho competitivo em estados como Pará e Amazonas.
Já Flávio tem perspectivas favoráveis em Rondônia, Acre e Roraima.
O Sudeste, por sua vez, é considerado decisivo devido à concentração do eleitorado. Na avaliação de Soller, Lula precisa reduzir a diferença em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de buscar maior equilíbrio em Minas Gerais, para manter chances concretas de recuperação.
Em São Paulo, o desempenho dos candidatos apresenta diferenças entre a capital e o interior. Flávio Bolsonaro tem maior força em cidades do interior e do litoral, enquanto Lula encontra um eleitorado mais favorável na capital paulista.
Soller relaciona esse comportamento à composição socioeconômica da população. Segundo ele, eleitores de menor renda historicamente demonstram maior apoio ao presidente, padrão também observado em regiões como o Vale do Ribeira e o Pontal do Paranapanema.
Na capital, existe ainda uma concentração de eleitores de maior renda identificados com posições progressistas e contrários ao bolsonarismo. O analista citou Vila Madalena, partes da Vila Mariana e Higienópolis como exemplos de bairros em que esse perfil contribui para fortalecer a votação petista.
Parte desses eleitores, explicou, apoiava anteriormente candidatos do PSDB, mas passou a escolher Lula diante da polarização com o grupo político de Jair Bolsonaro. A combinação entre setores de baixa renda e segmentos progressistas de maior poder aquisitivo ajuda a explicar o desempenho mais favorável do presidente na cidade de São Paulo.
Ao comentar as divergências entre pesquisas e resultados eleitorais, Soller defendeu a modernização das metodologias utilizadas pelos institutos. Segundo ele, os levantamentos devem ser interpretados principalmente como instrumentos para identificar tendências, e não como previsões exatas das urnas.
O Real Time Big Data realizou duas mil entrevistas, amostra que busca representar aproximadamente 160 milhões de eleitores. Por isso, os resultados estão sujeitos a variações estatísticas, consideradas por indicadores como margem de erro e nível de confiança.
O analista destacou que os institutos já identificavam uma aproximação de Flávio em relação a Lula na reta final do primeiro turno. A principal dificuldade, segundo ele, foi estimar o tamanho da terceira via, cuja votação ficou abaixo das projeções de diversas pesquisas.
No segundo turno, os institutos contam com uma referência adicional: o resultado efetivo da primeira votação, utilizado para recalibrar as amostras. Soller também criticou aspectos das regras da Justiça Eleitoral para registro e divulgação de pesquisas, argumentando que exigências regulatórias e questionamentos judiciais podem dificultar a adoção de novas metodologias.
“As pesquisas precisam se atualizar”, afirmou. Apesar das limitações, ele considera que a convergência dos levantamentos em torno da liderança de Flávio é um indicativo relevante para os últimos dias da disputa.
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