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Disputa por herança do empresário Jorge Mitre envolve acusações de “terrorismo psicológico”, suspeitas de fraude e crise de R$ 680 milhões
Publicado 13/10/2026 • 22:30 | Atualizado há 60 minutos
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Publicado 13/10/2026 • 22:30 | Atualizado há 60 minutos
KEY POINTS
Foto: Faculdade de Clínica Médica da Santa Casa de São Paulo
A disputa pela herança do médico e empresário Jorge Mitre, morto em junho de 2022, aos 68 anos, envolve acusações de “terrorismo psicológico”, suspeitas de fraudes e uma série de processos judiciais entre familiares. O conflito opõe a viúva, Maria Elisa Marcondes Mitre, e o filho mais velho, Fabrício Mitre, aos outros dois herdeiros, Júlio e Juliana, em meio a divergências sobre a administração e a divisão do patrimônio deixado pelo empresário.
Em depoimento que integra documentos do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Maria Elisa Mitre acusou os filhos Júlio e Juliana de submetê-la a pressões psicológicas constantes, segundo reportagem do portal Metrópoles. Segundo a viúva, os desentendimentos provocaram o rompimento de relações familiares e prejudicaram até mesmo a convivência com os netos.
As divergências também atingem os negócios da família. Fabrício é CEO da Mitre Realty, construtora e incorporadora listada na Bolsa de Valores, enquanto Júlio atua como economista e Juliana é médica. Parte dos questionamentos envolve a gestão de empresas ligadas ao Grupo HOSP, do setor hospitalar, e operações financeiras realizadas antes da morte do patriarca.
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Entre os principais pontos de tensão está a situação da Elisa Agro, antiga Mitre Agropecuária, da qual Jorge, Maria Elisa e Fabrício foram sócios. A companhia entrou em recuperação judicial em fevereiro de 2024, com dívidas estimadas em R$ 680 milhões. Embora não integrassem o quadro societário da empresa, Júlio e Juliana passaram a contestar operações realizadas durante sua administração, incluindo a autenticidade de assinaturas atribuídas ao pai em documentos financeiros.
A Elisa Agro atua na produção agrícola irrigada e desenvolveu uma estrutura de cultivo em Britânia, em Goiás. O empreendimento recebeu aproximadamente R$ 500 milhões em investimentos, incluindo a instalação de equipamentos de irrigação.
Parte dos recursos foi obtida por meio de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), títulos utilizados para captar dinheiro de investidores e financiar atividades do setor. Esses papéis passaram a representar uma parcela significativa das obrigações financeiras da companhia.
A empresa recorreu à recuperação judicial, procedimento que permite a negócios em dificuldades negociar o pagamento de suas dívidas sob supervisão da Justiça, buscando preservar suas atividades. Na ocasião, o endividamento alcançava R$ 680 milhões, incluindo aproximadamente R$ 327 milhões devidos a investidores detentores de CRAs.
Entre os fatores apontados para a crise estavam os atrasos na implantação do sistema de irrigação durante a pandemia de Covid-19, as dificuldades na entrega de equipamentos importados e a redução dos preços de produtos agrícolas, enquanto os custos de produção permaneciam elevados.
A situação também atingiu o patrimônio familiar, já que imóveis pertencentes a Jorge e Maria Elisa foram oferecidos como garantia de parte das operações financeiras.
De acordo com o site Metrópoles, na avaliação de Maria Elisa, os questionamentos dos filhos sobre a condução da empresa contribuíram para intensificar as divergências em torno da herança. Júlio e Juliana, por sua vez, levantaram suspeitas de irregularidades na administração dos negócios pela mãe e pelo irmão mais velho.
A disputa financeira levou Júlio e Juliana a questionarem judicialmente a autenticidade de três assinaturas atribuídas ao pai em documentos relacionados à Elisa Agro.
Uma delas aparece em um memorando de entendimento assinado em abril de 2022, cerca de dois meses antes da morte do empresário. O documento estabelecia condições para uma possível operação societária e tratava, entre outros assuntos, da emissão de títulos para captação de recursos.
O Instituto de Criminalística de São Paulo apontou divergências gráficas entre uma das assinaturas atribuídas a Jorge Mitre e os padrões considerados autênticos. A conclusão, contudo, foi contestada por outros pareceres periciais apresentados durante a investigação. Fabrício Mitre, que havia solicitado a realização de uma perícia, passou também a defender a autenticidade da assinatura após tomar conhecimento das conclusões divergentes.
Os irmãos alegaram ainda que documentos digitais teriam sido validados em circunstâncias questionáveis, considerando o estado de saúde do pai, que enfrentava um câncer. A defesa de Maria Elisa e Fabrício rejeitou as acusações. Segundo ambos, Jorge Mitre tinha conhecimento das operações e participava das decisões empresariais, mesmo durante o tratamento médico.
Apesar dos questionamentos apresentados pelos herdeiros, o Ministério Público de São Paulo não encontrou elementos suficientes para sustentar uma acusação criminal contra Maria Elisa e Fabrício. O inquérito foi arquivado, e a decisão foi confirmada em setembro de 2025 pela Procuradoria-Geral de Justiça.
Na avaliação do órgão, as provas reunidas não permitiram demonstrar com segurança a prática de falsificação ou fraude. A promotoria também considerou que as divergências estavam relacionadas, em parte, à disputa patrimonial entre os familiares. Sobre a assinatura questionada no memorando, o Ministério Público observou que, embora uma perícia tenha identificado diferenças gráficas, não foi possível estabelecer quem teria realizado eventual falsificação.
O órgão destacou ainda que o documento continha assinaturas atribuídas a cinco pessoas e que a análise não permitia determinar a autoria da irregularidade investigada. Com o arquivamento, as acusações não resultaram na responsabilização criminal de Maria Elisa ou de Fabrício naquele procedimento.
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Siga o Times | CNBCMaria Elisa declarou que os conflitos com Júlio e Juliana ultrapassaram as divergências sobre patrimônio e negócios. Segundo seu relato, ela passou a enfrentar situações de pressão emocional e a perder a convivência com integrantes da família.
A viúva afirmou que Jorge já demonstrava preocupação com a possibilidade de desentendimentos entre os herdeiros antes de morrer. Durante a elaboração do testamento, segundo ela, o empresário teria solicitado a inclusão de uma cláusula prevendo a redução de parte da herança destinada a quem provocasse conflitos.
A intenção, segundo Maria Elisa, era evitar que a divisão do patrimônio comprometesse as relações familiares. A medida, entretanto, não impediu que a disputa chegasse aos tribunais. Ao descrever as consequências do confronto, a viúva afirmou que os familiares passaram a apresentar denúncias criminais uns contra os outros, o que agravou o rompimento entre os envolvidos.
A defesa de Juliana Mitre apresenta uma versão diferente dos acontecimentos e sustenta que a médica passou a sofrer retaliações depois de questionar a administração do patrimônio da família. Segundo seus advogados, Juliana identificou operações que considera irregulares, envolvendo Maria Elisa e Fabrício, e buscou medidas judiciais para apurar os fatos.
A defesa afirma que, após conseguir o afastamento da mãe de funções administrativas em sociedades do Grupo HOSP e da posição de inventariante, Juliana passou a enfrentar dificuldades financeiras, processos judiciais e denúncias criminais que classifica como infundadas.
Os advogados também relataram suspeitas de monitoramento clandestino e violência doméstica, além de acusarem Maria Elisa e Fabrício de desvios patrimoniais. Essas alegações são contestadas pelos dois.
Em fevereiro de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo considerou que a atuação da herdeira representava risco civil, penal e tributário para duas sociedades do Grupo HOSP, das quais foi judicialmente afastada. A médica também passou a responder a investigações relacionadas a movimentações patrimoniais e conflitos com o irmão.
Em agosto de 2026, uma medida judicial determinou que Juliana mantivesse distância mínima de 200 metros de Fabrício Mitre. A restrição foi adotada em meio a acusações de perseguição, envolvendo supostas mensagens e áudios considerados ofensivos, intimidatórios e constrangedores.
No mesmo período, Juliana foi indiciada pela Polícia Civil pelo crime de extorsão contra o irmão. Em outra investigação, a médica foi indiciada por suspeitas de apropriação indevida e dilapidação do patrimônio do pai, a partir de uma denúncia apresentada por Júlio, que também integra a disputa familiar.
Entre as movimentações financeiras analisadas pela polícia estavam transferências que somaram R$ 700 mil para uma conta de Juliana em junho de 2022, pouco antes da morte de Jorge Mitre. A herdeira chegou a ser convocada para prestar esclarecimentos sobre a origem e a finalidade dos valores, mas não compareceu às convocações.
A defesa de Juliana nega as irregularidades e afirma que as acusações fazem parte de uma tentativa de atingir a médica depois que ela passou a contestar a gestão dos bens familiares.
O conflito entre os herdeiros também alterou a condução do inventário, processo judicial destinado a identificar, administrar e dividir os bens de uma pessoa falecida. Maria Elisa, que exercia a função de inventariante, foi afastada pela Justiça. A decisão foi tomada após questionamentos apresentados por Juliana, incluindo uma controvérsia sobre a venda de um apartamento.
Em fevereiro de 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo avaliou que as divergências demonstravam um ambiente de intensa hostilidade entre os herdeiros. Diante da complexidade do patrimônio e da dificuldade de conciliação, o tribunal determinou a nomeação de um inventariante dativo, profissional sem vínculo direto com a disputa familiar, responsável por conduzir a administração dos bens durante o procedimento.
A medida buscou evitar que os conflitos pessoais interferissem na organização do espólio e no andamento da partilha.
O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC procurou os envolvidos e segue com o espaço aberto para manifestações. A defesa de Júlio Mitre informou que vai se posicionar em breve.
Os advogados de Maria Elisa Mitre, Fabrício Mitre e Juliana Mitre não retornaram até o momento.
Contatos também foram feitos com a assessoria de imprensa da Mitre Realty e com o escritório de advocacia à frente da Recuperação Judicial da Elisa Agro – ainda sem resposta.
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