CNBC

CNBCAutoridade de aviação dos EUA descarta risco à segurança em falha de software do Boeing 737 Max

Notícias do Brasil

Disputa presidencial é marcada por rejeição e “letargia” do eleitor, diz sócio do Real Time Big Data Bruno Soler

Publicado 02/10/2026 • 17:15 | Atualizado há 51 minutos

KEY POINTS

  • Pesquisa do Real Time Big Data mostra 8% dos brasileiros ainda sem saber o que farão no domingo, segundo Soler.
  • Analista afirma que candidatos fora da polarização podem concentrar mais votos do que em 2022, quando esse grupo somou apenas 8%.
  • Soler diz que fazer pesquisas eleitorais ficou mais difícil, com o número de ligações necessárias para concluir uma entrevista quase dobrando nos últimos anos.

A reta final da eleição presidencial é marcada por rejeição elevada aos principais candidatos e por um eleitorado mais cansado e menos mobilizado. A avaliação é de Bruno Soler, analista e sócio do Real Time Big Data.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Soler afirmou que o comportamento observado nesta disputa é diferente do registrado em 2022, quando havia maior identificação positiva dos eleitores com as principais candidaturas.

“Essa eleição tem uma característica muito diferente daquela, porque ela é negativa. As pessoas estão escolhendo o Flávio ou o Lula muito mais em função de não deixar o outro ganhar do que querer realmente que o seu candidato vença”, afirmou.

Leia também: Lula tem 43% e Flávio, 39% em pesquisa Real Time

Segundo Soler, essa dinâmica também aparece nos indicadores de rejeição. Na pesquisa mais recente do Real Time Big Data, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) registram 49% de rejeição cada.

8% ainda não sabem o que farão no domingo

Para o analista, um dos principais fatores de incerteza até a votação é o comportamento dos eleitores que ainda não definiram o que farão no primeiro turno.

“A nossa pesquisa de ontem mostrava um dado que 8% dos brasileiros dizem ainda não ter nem ideia do que vão fazer no domingo”, afirmou.

Soler disse que esse grupo pode tanto ampliar a abstenção quanto produzir votos decididos apenas no momento da votação.

Segundo ele, a indecisão aparece com maior força entre jovens de 16 a 24 anos de renda mais baixa e entre pessoas com mais de 60 anos também de menor renda.

“Isso pode virar ou uma grande abstenção ou isso pode fazer com que tenha aquele voto, que é o voto mais incerto possível”, afirmou.

Real Time Big Data vê aproximação entre Lula e Flávio

Na pesquisa do Real Time Big Data, Lula aparece com 43% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro, com 39%, no limite do empate técnico.

Para o analista, houve nas últimas semanas uma aproximação do candidato do PL, impulsionada por eleitores que deixaram candidaturas menores e passaram a buscar uma opção de oposição a Lula.

“A gente tem percebido esse volume nas últimas duas semanas, uma certa volatilidade do eleitor”, afirmou.

Soler ponderou, no entanto, que candidatos fora da polarização podem manter uma fatia maior do eleitorado do que tiveram em 2022.

Na avaliação dele, algumas dessas candidaturas possuem eleitores mais afirmativos e podem preservar parte relevante de seus votos até a urna.

Pesquisa identifica movimentos

O sócio do Real Time Big Data também afirmou que pesquisas eleitorais devem ser interpretadas como instrumentos para identificar tendências e mudanças de comportamento, e não como previsões exatas do resultado.

“A gente tem que desmistificar essa lógica de que pesquisa tem que acertar o resultado da urna”, afirmou.

Segundo Soler, bancos, empresas e casas de análise utilizam pesquisas privadas para antecipar cenários e ajustar estratégias de negócios.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

“O fato é que a pesquisa indica movimentos, ela mostra tendências, ela mostra o que pode acontecer, ela dá dados para que a gente possa analisá-los”, disse.

Ele afirmou ainda que instituições financeiras têm recorrido a agregadores que combinam levantamentos de diferentes institutos para formar uma leitura própria do cenário eleitoral.

Plataformas de apostas não substituem pesquisas

Soler também fez uma distinção entre pesquisas de opinião e plataformas de apostas eleitorais.

Segundo ele, mercados como Kalshi e Polymarket podem funcionar como uma informação adicional, mas não possuem o mesmo valor metodológico dos levantamentos quantitativos e qualitativos.

“Para tentar avaliar a eleição, não é o tipo de plataforma mais indicado, porque, na verdade, ali é uma grande bolsa de apostas”, afirmou.

Para o analista, as próprias pesquisas influenciam as probabilidades negociadas nesses mercados.

Leia também: Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados no 2º turno

“O que vale cientificamente é pesquisa”, disse.

Fazer pesquisa ficou mais difícil

Soler afirmou ainda que o setor enfrenta dificuldades crescentes para conseguir entrevistar eleitores.

Segundo ele, excesso de spam, golpes telefônicos e mudanças no comportamento das pessoas reduziram a taxa de resposta.

“A cada 15 ligações feitas, a gente concluía uma, em média. Hoje, isso está quase que dobrando. A gente está chegando perto de 30 ligações para uma pessoa concluir uma pesquisa”, afirmou.

No contato presencial, segundo Soler, movimento semelhante também ocorre: antes, cerca de uma entrevista era concluída a cada 20 abordagens; atualmente, o número se aproxima de 40.

Para ele, esse cenário exigirá metodologias cada vez mais híbridas e uso maior de ferramentas digitais.

“Letargia” resume comportamento do eleitor

Ao analisar o ambiente político da reta final, Soler afirmou que o eleitor demonstra cansaço com o processo eleitoral e com a percepção de que mudanças de governo não produziram melhora suficiente em sua vida.

Segundo ele, esse desgaste não tem se convertido necessariamente em maior mobilização.

“O sintoma que a gente tem comentado internamente na empresa, na Real Time Big Data, se a gente pudesse resumir esse comportamento do brasileiro, é de letargia”, afirmou.

“Ele está cansado, mas não está nem com vontade de brigar. Ele simplesmente aceitou”, completou.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil