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Apesar de crescimento, baixa eficiência tira R$ 42,4 bi da indústria têxtil em 2024
Publicado 30/03/2025 • 14:05 | Atualizado há 1 ano
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Publicado 30/03/2025 • 14:05 | Atualizado há 1 ano
Em 2024, o setor faturou R$ 212,6 bilhões, 7% a mais que um ano antes
Febratex/Divulgação
Ao analisar os resultados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, em especial os resultados ao nível interanual, o aumento de 17,5% na produção da indústria têxtil em fevereiro parece indicar um novo auge do ramo.
Não é o caso. As importações chinesas de vestuário saltaram 17,54% no primeiro bimestre deste ano, foram criados somente 10,5 mil postos de trabalho formais em 12 meses até janeiro e as perdas de eficiência se aprofundam, chegando a tirar 20% do faturamento do setor.
Segundo Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), apesar de o peso morto da economia ser aplicável à indústria como um todo, ele é especificamente cruel no têxtil.
No ano passado, o setor faturou R$ 212,6 bilhões, 7% a mais que um ano antes. Sem as perdas, as empresas teriam faturado R$ 255 bilhões e estariam em melhores condições para brigar com a concorrência estrangeira, além de prospectar novos mercados no exterior.
Como um todo, o mercado de moda no Brasil é forte. Mas já foi mais relevante para a economia. No ano passado, o setor respondeu por 1,8% do PIB, segundo o IBGE. O mesmo recorte, feito em 2010, dava à indústria têxtil uma participação de 3,2%; antes dos anos 2000, o percentual era de 4,1%.
Os motivos para tal redução são muitos. O envelhecimento do parque industrial e o custo Brasil explicam, em parte, a queda.
Mas não sua velocidade. Segundo Pimentel, um bom retrato do que tem acontecido pode ser analisado ao olhar o desempenho do varejo têxtil com uma lupa. A venda de vestuário avançou 4,3% no acumulado de 12 meses. “No entanto, quando olho para o meu setor, vejo que geramos poucos empregos no mesmo período”.
Para entender este quebra-cabeça, é preciso olhar para fora. Para o outro lado do mundo, especificamente. Em 12 meses, a importação de vestuário cresceu 21,6%. “Em termos reais, ele cresceu mais de três vezes a produção têxtil e em torno de cinco vezes o crescimento da produção de vestuário. Isso mostra que o Brasil está sob um ataque forte nos importados.”
Os dados oficiais da balança comercial brasileira, filtrados no Camex Stat, mostram o atual cenário. No ano passado, entre janeiro e fevereiro, a China exportou para o Brasil US$ 695,63 milhões.
Este ano, houve um aumento de 17,54%, somando US$ 817,65 milhões. O maior peso das importações chinesas vem acontecendo desde 2020, com a popularização do e-commerce crossborder, mas era esperado um arrefecimento depois da aprovação da Lei 14.902/2024, que ficou conhecida como “taxa das blusinhas”.
Em vigor desde 24 de agosto do ano passado, a medida foi uma resposta do governo federal ao pleito de varejistas de moda, que reclamaram da injustiça tributária na concorrência estrangeira. Para compras com valores entre US$ 50 e US$ 3 mil (R$ 290 e R$ 17,4 mil ao câmbio atual), a alíquota fixada foi de 60%. Além disso, incidem sobre as encomendas o ICMS de 17% — patamar que será elevado a 20% em alguns estados a partir de abril, conforme anunciado pelo Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em dezembro. Nas gôndolas brasileiras, o resultado já foi sentido.
Segundo a Receita Federal, os itens importados com valores inferiores a US$ 50 caíram 11% no ano passado — mesmo com a nova regra valendo apenas no segundo semestre. Em 2024, entraram no país 187 milhões de remessas deste perfil, ante 210 milhões de itens que atravessaram a fronteira em 2023. Na média do segundo semestre, a redução foi de 30%. Ainda que a medida tenha freado as compras na ponta, o volume de importações em contêiner, por tonelada, ainda segue como a pedra no sapato da indústria. “Os aumentos anunciados pelo Comsefaz ajudam a diminuir a distância entre o que pagam os importadores e o que nós pagamos, mas ainda precisaremos de mais igualdade tributária e regulatória para a proteção da indústria local”, disse Pimentel.
Segundo o presidente da Abit, faltam no mercado brasileiro informações mais claras e precisas sobre o perfil das pequenas encomendas que chegam, e isso tem tornado ainda mais difícil mensurar o impacto de empresas estrangeiras na indústria e no varejo local. “Esperamos que a partir deste ano, como prometido pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, já tenhamos as primeiras estatísticas sobre isso”.
Mas, se o cenário está assim tão periclitante, o que explicaria a alta de 17,5% na produção sinalizada pela pesquisa mensal do IBGE? Quem responde é André Luiz Macedo, gerente de Análise e Estatísticas Derivadas do Instituto.
Segundo ele, o incremento estaria relacionado ao abastecimento de estoque. Na metodologia para a sondagem com os empresários, quando é reportada uma variação acima de 10% (para cima ou para baixo), o respondente precisa, necessariamente, justificar a variação.
Neste caso, o motivo mais citado foi reposição de estoque. Segundo ele, isso reflete o ciclo de 10 meses de crescimento que o setor atravessa, que é anterior ao da própria indústria como um todo.
“Ano passado, o setor começou menos otimista, com os estoques mais baixos. Quando a economia ganhou tração, os estoques ficaram ainda menores, ou seja, uma margem depreciada”.
Além da reposição de estoques citada por Macedo, o presidente da Associação Brasileira de Varejo Têxtil (Abvtex), Edmundo Lima, afirma haver um esforço do industrial têxtil em retomar o ritmo de produção também por exigência do varejo.
“Com a concorrência acirrada, os varejistas vêm adotando estratégias mais dinâmicas de reposição e gestão de estoques para atender à demanda de forma mais eficiente”, disse.
Com os desafios postos, Fernando Pimentel avalia que a mudança precisa envolver uma virada de chave coletiva: governo, empresas e consumidor.
“Queremos inverter a lógica atual. Queremos exportar mais produtos manufaturados do que commodities, como o algodão.” Para chegar lá, é preciso um esforço coletivo para financiamento das empresas, atração de capital estrangeiro e recursos de programas como o da Indústria 2.0, anunciado pelo governo federal no ano passado. “Precisamos criar plataformas similares às que abastecem o Brasil com produtos importados para exportarmos para outros mercados, mas para isso precisamos ser mais competitivos”, disse. “Isso é usar a situação atual ao nosso favor.”
Para este ano, o plano é que o mercado interno volte a consumir mais algodão, a fim de manufaturar uma commodity e ganhar valor agregado na exportação. “E esse objetivo passa também por atrair investimentos estrangeiros para transformar o algodão brasileiro dentro do território nacional. A China, por exemplo, importa muito o algodão brasileiro.”
Em fevereiro, a libra-peso (equivalente a 453 gramas) de algodão estava cotada a R$ 4,01 e, segundo Pimentel, manufaturado, este produto poderia superar os R$ 100 o quilo. No ano passado, o Brasil faturou US$ 5,2 bilhões com a exportação de algodão, o equivalente a 2,8 milhões de toneladas. Os principais mercados importadores da fibra foram China (US$ 1,7 bilhão), Vietnã (US$ 1 bilhão) e Bangladesh (US$ 604,4 milhões). “Nós exportamos US$ 1 bilhão de manufaturados. Nós queremos inverter esse dado, mas também queremos exportar algo em torno de US$ 5 bilhões em manufaturados”, afirmou Pimentel.
Ao longo de 2024, as exportações de produtos têxteis e de confecção totalizaram US$ 908 milhões, enquanto as importações chegaram a US$ 6,6 bilhões, com saldo negativo de US$ 5,7 bilhões. Em relação ao ano anterior, o volume das importações aumentou 20,8% e das exportações diminuiu 3,9%, segundo Camex Stat.
Um dos caminhos adotados pela Associação para abrir portas é o programa Texbrasil, realizado por meio de parceria entre a Abit e a Apex, que apoiou 181 empresas em 20 feiras e eventos internacionais em 2024.
Outro programa da Abit, o Vista Brasil, em parceria com o Sebrae, apoiou 15 empresas em duas feiras nacionais. Na interlocução com o governo federal, Pimentel reconhece os avanços trazidos por programas como o Nova Indústria Brasil (NIB), o Brasil + Produtivo, além dos benefícios fiscais trazidos pela Depreciação Acelerada.
“Para este ano, os principais desafios incluem a escassez de mão de obra qualificada, custos de produção e a necessidade de adaptação às novas tecnologias, que poderão ser amenizados com o acordo entre Mercosul e União Europeia.”
Ainda que as ambições sejam altas, as expectativas para este ano se mostram mais comedidas.
A Abit espera que a indústria têxtil cresça 2% no acumulado de 2025 e que o setor de vestuário e confecções tenha um aumento por volta de 1%.
“Continuamos perdendo o market share, e isso inibe investimentos”, disse. Com menos capital, o caminho para se tornar mais competitivo fica mais distante.
“O que posso dizer é que não há expectativa de catástrofe, mas há cautela, principalmente porque os efeitos da Selic também atrapalham a expansão econômica”, disse.
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