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Economia Brasileira

Derrubada do tarifaço: expectativa de juros menores nos EUA pode impulsionar Ibovespa B3, avalia especialista

Publicado 20/02/2026 • 18:05 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A queda nas expectativas de juros nos EUA, motivada pelo fim ou diminuição das tarifas de Trump, reduz a pressão inflacionária e atrai capital estrangeiro para o Brasil.
  • O diferencial de juros entre os dois países torna os rendimentos brasileiros mais competitivos para investidores globais em busca de maiores retornos.
  • A recente alta do Ibovespa reflete a reprecificação do mercado, que agora vê espaço para uma política monetária mais branda pelo Federal Reserve.

A possibilidade de uma política monetária menos restritiva nos Estados Unidos, por conta da derrubada das tarifas de Donald Trump pela Suprema Corte norte-americana, pode ajudar a sustentar a recente alta do Ibovespa, à medida que investidores globais reavaliam o destino de seus recursos diante das mudanças no cenário econômico internacional.

A análise é de Ricardo Leães, pesquisador do Departamento de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul, que, em entrevista ao Radar – programa da Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC –, analisou a relação direta entre a revisão de expectativas sobre juros americanos e o movimento de valorização da Bolsa brasileira.

De acordo com Leães, o mercado inicialmente projetava que as políticas comerciais defendidas pelo presidente Donald Trump pressionariam a inflação nos Estados Unidos, já que o aumento de tarifas tende a encarecer produtos. Esse cenário levaria o Federal Reserve a reagir com aumento de juros.

Segundo o professor, quando há expectativa de alta dos juros americanos, ocorre um movimento clássico de atração de capitais para os EUA; “toda vez que o FED aumenta os juros, há uma corrida desses investidores em direção aos Estados Unidos”, afirmou.

Leia também: Trump diz que substituirá acordos comerciais afetados por decisão de tarifas da Suprema Corte

Com a mudança de perspectiva – diante de sinais de que o tarifaço efetivamente cairá – o raciocínio do mercado também se inverteu. De acordo com Leães, a ausência de novas tarifas tende a reduzir pressões inflacionárias, abrindo espaço para uma política monetária mais branda.

“Se não vai houver um tarifaço, então provavelmente haverá uma queda no preço das mercadorias. Havendo essa queda, se abre espaço não apenas para que não haja aumento nos juros, mas talvez até mesmo uma diminuição nos juros nos Estados Unidos.”

Nesse contexto, avalia o economista, forma-se um diferencial de juros mais favorável ao Brasil. Segundo ele, caso as taxas americanas parem de subir ou recuem, os rendimentos brasileiros se tornam relativamente mais atrativos, estimulando a entrada de capital estrangeiro. “Os juros praticados no Brasil ficam ainda maiores em comparação com os Estados Unidos, o que atrai especuladores e investidores internacionais”, disse.

Para Leães, parte da valorização recente da Bolsa pode refletir justamente essa reprecificação de expectativas globais, com investidores redirecionando recursos para mercados emergentes em busca de retornos mais elevados.

Assim, conclui o pesquisador, o desempenho do Ibovespa no curto prazo pode continuar sensível não apenas a fatores domésticos, mas principalmente à trajetória dos juros nos Estados Unidos e à forma como o mercado interpreta os desdobramentos da política econômica americana.

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