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Economia Brasileira

FIEMG alerta para risco de aumento de preços e desabastecimento com fim da escala 6×1

Publicado 15/10/2026 • 14:06 | Atualizado há 52 minutos

KEY POINTS

  • O presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, considera curto o prazo de dois meses para as empresas se adaptarem ao fim da escala 6x1 e à redução da jornada.
  • A reorganização dos turnos e a necessidade de contratar mais trabalhadores podem elevar custos, pressionar preços e provocar desabastecimento em alguns setores, segundo Roscoe.
  • A FIEMG defende uma regra de transição mais longa e negociações coletivas que considerem as particularidades de cada atividade econômica.

O fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho podem elevar os custos da indústria brasileira e pressionar os preços de produtos e serviços. A avaliação é de Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), que considera insuficiente o prazo previsto para as empresas se adaptarem às novas regras.

Em entrevista ao Times Brasil | CNBC, Roscoe afirmou que a mudança exige não apenas a reorganização da jornada, mas também dos turnos de trabalho. Segundo ele, setores que operam continuamente, como a siderurgia, terão desafios adicionais para manter suas atividades sem interrupções.

O dirigente defende um período de transição mais longo e maior espaço para negociações coletivas, levando em conta as particularidades de cada segmento econômico.

Indústria terá de reorganizar turnos

Segundo Roscoe, a combinação entre redução da jornada e mudança na escala de trabalho torna a adaptação mais complexa. Empresas que funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana, precisarão reorganizar equipes e avaliar a necessidade de contratar novos profissionais.

O presidente da FIEMG alerta que o prazo de dois meses previsto para a implementação pode dificultar a contratação e o treinamento de trabalhadores em alguns setores.

“Efetivamente, na minha leitura, é necessária uma regra de transição mais longa do que a prevista”, afirmou.

Como exemplo, Roscoe citou os altos-fornos siderúrgicos, que não podem interromper suas operações sem risco de prejuízos à produção. Para ele, regras uniformes podem desconsiderar as particularidades de atividades industriais que dependem de funcionamento contínuo.

Custos maiores podem pressionar preços

Na avaliação do dirigente, a necessidade de ampliar equipes para manter o mesmo nível de operação pode elevar os custos das empresas. Esse aumento, segundo ele, tende a ser repassado aos consumidores.

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“Mais pessoas significam custos maiores”, afirmou Roscoe, ao explicar que serviços que exigem a mesma quantidade de horas para serem executados precisarão de mais trabalhadores caso a jornada individual seja reduzida.

O presidente da FIEMG também alertou para a possibilidade de desabastecimento em determinados segmentos, caso as empresas não consigam contratar e preparar equipes suficientes dentro do prazo previsto. Segundo ele, parte da demanda por produtos que não possam ser atendidos pela produção nacional poderá migrar para importações.

Roscoe avalia que o aumento dos custos do trabalho poderá provocar pressão inflacionária, embora os efeitos dependam das condições de cada setor e da capacidade de adaptação das empresas.

Escalas diferenciadas e negociação coletiva

Questionado sobre regimes como a escala 12×36, utilizada em atividades como saúde, segurança e serviços essenciais, Roscoe afirmou que, na interpretação preliminar da FIEMG, esse modelo poderá ser mantido mediante negociação coletiva com os sindicatos.

O dirigente ressalvou, porém, que a entidade ainda está aprofundando a análise da legislação e que a interpretação poderá depender da redação definitiva das regras aplicáveis.

Para Roscoe, a negociação coletiva é importante justamente porque os setores apresentam condições distintas de operação. Ele citou atividades embarcadas, plataformas petrolíferas e plantas industriais que não podem interromper o funcionamento como exemplos de operações que exigem tratamento específico.

Na avaliação do presidente da FIEMG, uma transição mais longa permitiria que as empresas ajustassem suas escalas, negociassem mudanças e planejassem contratações sem comprometer a continuidade das atividades.

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