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Eleições presidenciais podem mudar alianças políticas do Brasil, mas comércio com a China deve continuar, avalia especialista
Publicado 12/10/2026 • 16:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 12/10/2026 • 16:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O resultado da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) poderá alterar o posicionamento diplomático do Brasil, mas não deve provocar mudanças profundas nas relações comerciais do país. A avaliação é do professor Evandro Carvalho, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Politécnica de Macau, que analisou os possíveis impactos da eleição sobre as parcerias brasileiras com China, Estados Unidos e União Europeia.
Em entrevista ao programa Real Time, Carvalho afirmou que a estrutura das exportações brasileiras tende a permanecer semelhante, independentemente de quem assuma a Presidência. O país deve continuar fornecendo produtos como minério, petróleo e outras matérias-primas ao mercado internacional.
“Brasil continuará sendo um grande exportador de commodities, de minério, de petróleo, inclusive para a China, que é o seu maior parceiro comercial”, afirmou.
Segundo o especialista, as principais diferenças entre os dois possíveis governos estarão na condução da política externa e nas alianças estratégicas, enquanto o desempenho das exportações dependerá também das relações entre as grandes potências econômicas.
Na avaliação de Carvalho, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderá representar uma aproximação política mais intensa com Washington, em contraste com a atuação internacional do atual governo.
Sob Lula, Brasil e China compartilham posições em determinadas discussões multilaterais, especialmente no Brics e no G20. Essas articulações podem sofrer mudanças caso o senador vença a eleição.
“A preferência por parte do Flávio Bolsonaro, já anunciada, [é] de um maior alinhamento com os Estados Unidos na esfera política”, declarou.
Apesar dessa possível mudança diplomática, o professor não prevê uma interrupção significativa do comércio entre brasileiros e chineses. Isso porque as empresas exportadoras tendem a orientar suas atividades pela demanda dos mercados internacionais, independentemente das diferenças políticas entre os governos.
O cenário econômico, entretanto, poderá ser influenciado pela evolução das disputas entre China e Estados Unidos, especialmente em setores considerados estratégicos.
Questionado sobre a possibilidade de Pequim adotar medidas comerciais contra o Brasil diante de um governo mais próximo dos norte-americanos, Carvalho considerou pouco provável uma retaliação motivada exclusivamente por divergências políticas.
“Eu acho bem difícil que a China politize as relações comerciais com o Brasil. Muito pelo contrário, acredito que o governo chinês tem uma preocupação de manter essas relações comerciais com o Brasil de maneira estável”, afirmou.
O professor destacou a importância do mercado chinês para a balança comercial brasileira. Diferentemente das relações com os Estados Unidos, nas quais mencionou a existência de déficit comercial, o Brasil registra saldo positivo expressivo nas trocas com a China.
Ele também apontou que o superávit brasileiro nas transações com a União Europeia é menor do que o observado no comércio com os chineses.
Para Carvalho, a estabilidade e a previsibilidade são fatores importantes para a manutenção dessas parcerias. Mesmo assim, eventuais pressões de Washington, sobretudo na área tecnológica, poderiam levar Pequim a reorganizar parte de suas operações comerciais com o Brasil.
“Pode haver talvez aí algumas mudanças, acredito muito mais por uma pressão dos Estados Unidos do que por uma decisão unilateral da China”, explicou.
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Siga o Times | CNBCEm um cenário de reeleição de Lula, Carvalho considera possível uma retomada mais ampla das negociações comerciais com os Estados Unidos, especialmente em relação às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump aos produtos brasileiros.
O professor avalia que fatores políticos internos norte-americanos, incluindo pressões de setores econômicos afetados pelas medidas, podem favorecer uma revisão das restrições comerciais.
Para ele, a confirmação de um novo mandato de Lula exigiria que Washington considerasse a continuidade do atual governo brasileiro na condução das relações bilaterais.
“Ele terá que trabalhar com o dado já posto sobre a mesa, que é a vitória do Lula. E aí as pressões dos diversos setores da sociedade entram em campo para tentar normalizar essa situação”, afirmou, ao comentar a hipótese de reeleição.
Carvalho ressaltou, no entanto, que a possibilidade de um entendimento não significa que as negociações serão simples. Segundo ele, a imprevisibilidade das decisões de Trump representa um fator de incerteza para os parceiros comerciais dos Estados Unidos.
Ao analisar as barreiras comerciais adotadas por Washington, o professor questionou os fundamentos econômicos das tarifas direcionadas ao Brasil.
Segundo Carvalho, a existência de superávit norte-americano nas trocas bilaterais enfraquece o argumento de que as medidas seriam necessárias para corrigir um desequilíbrio comercial desfavorável aos Estados Unidos.
“A tarifação contra o Brasil, por exemplo, não tinha justificativa pelo fato de que, na verdade, os Estados Unidos eram superavitários na relação com o Brasil”, disse.
Na avaliação do especialista, as restrições também provocam efeitos negativos sobre a própria economia norte-americana. Ao mesmo tempo, ele considera que o Brasil encontrou alternativas para ampliar suas relações comerciais com outros países e reduzir a dependência de determinados mercados.
Carvalho observou que a China também tem buscado expandir suas trocas internacionais diante das barreiras impostas por Washington, o que limita a eficácia das medidas protecionistas.
Além do resultado das urnas brasileiras, Carvalho considera que os rumos do comércio exterior dependerão do relacionamento entre as duas maiores economias do mundo.
Uma eventual intensificação das disputas comerciais e tecnológicas entre Pequim e Washington poderá afetar o fluxo de mercadorias e investimentos, com reflexos para exportadores e importadores brasileiros.
Nesse contexto, o especialista distingue os efeitos das escolhas diplomáticas daqueles relacionados às necessidades econômicas. Embora Lula e Flávio Bolsonaro possam adotar prioridades diferentes na política externa, a manutenção de mercados consumidores continuará sendo um fator relevante para as decisões comerciais.
Assim, a avaliação apresentada por Carvalho indica que a eleição presidencial poderá redefinir a posição política do Brasil diante das grandes potências, sem necessariamente modificar de forma imediata a estrutura de suas exportações. O alcance de eventuais mudanças dependerá tanto das decisões do próximo governo quanto das condições do comércio internacional.
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