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Estudo estima impacto de até R$ 1,65 bilhão por ano com gestão de resíduos no Rio
Publicado 13/10/2026 • 10:30 | Atualizado há 42 minutos
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Publicado 13/10/2026 • 10:30 | Atualizado há 42 minutos
KEY POINTS
A gestão de resíduos sólidos na região do Rio de Janeiro está associada a efeitos econômicos, sociais e ambientais estimados entre R$ 1,40 bilhão e R$ 1,65 bilhão por ano. Os números fazem parte de um estudo elaborado pela Pezco Economics, que avaliou os impactos da infraestrutura operada pela Regenera Rio, incluindo custos ambientais evitados, efeitos sobre a atividade econômica e possíveis reduções de despesas com saúde pública.
A pesquisa considera sete municípios na área de influência direta da operação: Rio de Janeiro, Itaguaí, Mangaratiba, Miguel Pereira, Paty do Alferes, Piraí e Seropédica. Juntas, essas cidades reúnem mais de 7 milhões de habitantes, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025.
A estrutura analisada inclui cinco estações de transferência de resíduos na capital fluminense e o Centro de Tratamento de Resíduos (CTR-Rio), em Seropédica. A unidade recebe aproximadamente 10 mil toneladas de lixo por dia e processou 3,39 milhões de toneladas em 2025.
De acordo com o levantamento, a operação está associada a um incremento potencial de R$ 926,7 milhões no Produto Interno Bruto (PIB) regional, além da geração estimada de 1.791 empregos formais adicionais.
Ao comparar os efeitos monetizados com os recursos desembolsados pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), principal contratante do sistema, os pesquisadores chegaram a uma proporção de R$ 3,20 a R$ 3,80 em efeitos econômicos, sociais e ambientais para cada R$ 1 gasto.
O CEO da Pezco Economics, Gabriel Fiuza, ressalta que a comparação não representa um cálculo formal de retorno financeiro.
“Não se trata de uma razão benefício-custo formal. Mesmo sem contar o efeito sobre o PIB, que mede atividade econômica e não bem-estar, só os custos ambientais evitados já superam o desembolso. Parte relevante do valor gerado pela infraestrutura aparece fora do serviço diretamente contratado”, explica Fiuza.
A análise considera benefícios distribuídos por uma região mais ampla do que a área atendida diretamente pelo contrato da Comlurb, o que também deve ser levado em conta na interpretação dos resultados.
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O estudo também analisou o potencial de geração de empregos a partir da ampliação da triagem e da recuperação de materiais recicláveis.
Em um cenário no qual novas unidades consigam recuperar aproximadamente 33 mil toneladas de resíduos por ano, quantidade equivalente a 1% do volume recebido pelo sistema, a demanda por mão de obra poderia corresponder a cerca de 600 postos de trabalho.
Com uma expansão mais abrangente da coleta seletiva e do reaproveitamento de materiais, esse potencial poderia alcançar entre 2,3 mil e 2,9 mil postos equivalentes.
As projeções dependem da implantação de novas instalações, da disponibilidade de investimentos e da integração entre operadores, cooperativas de reciclagem e catadores. Portanto, não representam vagas já criadas.
Na área da saúde pública, os pesquisadores estimam que o tratamento adequado dos resíduos possa estar associado à prevenção de 28 mil a 44 mil casos anuais de doenças diarreicas agudas nos municípios abrangidos pela operação.
O levantamento aponta ainda uma possível redução de R$ 4,2 milhões a R$ 34,1 milhões por ano nas despesas hospitalares diretas do Sistema Único de Saúde (SUS).
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Siga o Times | CNBCA diferença entre os valores decorre dos métodos de cálculo utilizados. A estimativa mais conservadora considera aproximadamente 7,2 mil internações evitadas anualmente, com base em registros hospitalares do SUS. Já o limite superior aplica o custo médio de uma internação a todos os casos estimados de diarreia, representando o cenário máximo de economia potencial.
Os resultados expressam impactos estimados e não correspondem a uma contagem de casos efetivamente evitados.
Na dimensão ambiental, o levantamento estima uma redução de aproximadamente 227 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) nas emissões relacionadas ao tratamento dos resíduos nos municípios atendidos.
Outro resultado diz respeito aos custos sociais e ambientais associados à disposição inadequada do lixo. Considerando as 3,39 milhões de toneladas tratadas em 2025, os pesquisadores calcularam que a destinação em aterro sanitário, em comparação com o descarte em lixões, está associada a custos evitados entre R$ 466 milhões e R$ 690 milhões por ano.
A operação também envolve a captação de biogás produzido pela decomposição dos resíduos. O material pode ser aproveitado na geração de energia ou convertido em biometano, combustível renovável utilizado em parte da frota de transporte pesado da empresa.
Segundo a pesquisa, novos investimentos na separação e recuperação de recicláveis poderiam acrescentar entre R$ 232 milhões e R$ 291 milhões anuais em custos ambientais evitados. Para isso, seria necessário ampliar a coleta seletiva, instalar estruturas de triagem e fortalecer a articulação com a cadeia de reciclagem.
Além dos impactos anuais, a Pezco Economics examinou os efeitos territoriais do encerramento de áreas utilizadas para disposição irregular de resíduos.
Um dos casos analisados foi o antigo lixão de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
De acordo com o levantamento, a desativação do lixão e a reorganização territorial da área estão associadas a uma valorização imobiliária acumulada entre R$ 718 milhões e R$ 735 milhões, considerando aproximadamente 5.700 imóveis do bairro.
Por representar um ganho patrimonial estimado ao longo do tempo, esse montante não integra o cálculo dos benefícios anuais relacionados à operação da Regenera Rio.
A pesquisa indica que os impactos da gestão de resíduos ultrapassam os serviços de coleta, transporte e destinação final. Parte dos efeitos aparece em áreas como saúde, meio ambiente, emprego e desenvolvimento urbano, sem necessariamente estar refletida nos valores pagos pela prestação do serviço.
Para Gabriel Fiuza, a mensuração desses impactos pode contribuir para o planejamento de políticas públicas e para a definição de investimentos no setor.
“A gestão de resíduos deve ser entendida como infraestrutura urbana. Muito do que ela gera para a população não aparece no preço do serviço. Medir esses efeitos, mesmo em ordens de grandeza, ajuda a orientar as decisões do setor no Brasil”, afirma o CEO da Pezco Economics.
O estudo reúne estimativas de impactos associados à infraestrutura existente e projeções condicionadas à realização de novos investimentos. Dessa forma, os valores apresentados não devem ser interpretados integralmente como economia direta de recursos públicos ou como retorno financeiro da operação.
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