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Exército do Lula e Tropa do Flávio: a guerra por votos no WhatsApp

Publicado 22/10/2026 • 12:54 | Atualizado há 29 minutos

KEY POINTS

  • O canal “Exército do Lula”, administrado por André Janones, ultrapassou 7,7 milhões de seguidores na quarta-feira (21). A “Tropa do Flávio”, criada por Nikolas Ferreira, reúne cerca de 2 milhões.
  • Em 2018, pesquisa do DataSenado apontou que 45% dos eleitores levaram em conta informações vistas em redes sociais para decidir o voto, e 79% disseram usar sempre o WhatsApp para se informar.
  • O presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, barrou a proposta de desativar canais políticos com mais de 200 mil seguidores nos dias próximos ao segundo turno.
Flávio

A três dias do segundo turno da eleição presidencial, o WhatsApp se tornou mais uma frente de disputa entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Os dois lados usam canais administrados por aliados para mobilizar milhões de seguidores e ampliar a circulação de mensagens favoráveis aos candidatos.

Os principais exemplos são o “Exército do Lula”, comandado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), e a “Tropa do Flávio”, criada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Nenhum dos dois é perfil oficial dos candidatos, mas ambos concentram parte importante da mobilização digital das campanhas.

Os números superam os dos canais oficiais. O de Lula tem pouco mais de 2 milhões de seguidores, e o de Flávio, pouco mais de 200 mil. O grupo de Janones tinha cerca de 3 milhões de seguidores em 10 de outubro e superou os 7 milhões dez dias depois. A “Tropa do Flávio”, criada mais tarde, está estável na faixa dos 2 milhões.

Os dois canais funcionam de forma parecida. Os administradores publicam comandos, chamados de “missões”, que incentivam os seguidores a compartilhar conteúdos, abordar eleitores e manter determinados assuntos em circulação nas redes.

O tamanho dos canais, porém, não revela toda a dimensão das redes políticas no aplicativo. O campo bolsonarista atua desde 2018 em uma rede descentralizada de grupos, que não aparece na contagem de seguidores de um único canal. O número de inscritos também não mede, sozinho, a influência sobre o eleitorado. Pesam ainda o engajamento, a circulação das mensagens em outras plataformas e a capacidade de alcançar quem ainda não decidiu o voto.

Por que o WhatsApp funciona

A força do aplicativo na política está ligada à confiança. Diante da propaganda oficial, o eleitor tende a desconfiar, porque sabe que há interesse eleitoral por trás dela. Quando o mesmo conteúdo chega por um parente, um amigo ou um vizinho, a avaliação muda, e a confiança em quem enviou a mensagem passa a pesar.

A eleição presidencial de 2018 marcou uma virada no uso político do aplicativo no Brasil. Jair Bolsonaro, que tinha pouco tempo de propaganda na TV, construiu parte importante de sua comunicação no ambiente digital e foi eleito. Naquele ano, pesquisa do Instituto DataSenado com 2.400 entrevistados mostrou que 45% decidiram o voto levando em conta informações vistas em redes sociais. O WhatsApp aparecia como a principal fonte de informação: 79% disseram usá-lo sempre para se informar.

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Em 2022, um monitoramento do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisou 115,9 mil mensagens publicadas em grupos públicos de WhatsApp durante o primeiro turno, além de 180,3 mil mensagens em grupos e canais públicos do Telegram.

Bolhas e desinformação

A mesma confiança que dá força ao WhatsApp dificulta a identificação de conteúdos falsos. Por serem fechados, os grupos do aplicativo favorecem a formação de bolhas, em que as pessoas recebem e compartilham conteúdos que convergem com aquilo em que acreditam.

Antes do primeiro turno deste ano, circularam conteúdos falsos sobre candidatos, pesquisas, urnas e até sobre o calendário da votação. Em um dos casos, um áudio dizia que eleitores de candidatos diferentes votariam em dias distintos, e o TSE precisou desmentir a informação.

Disputa no TSE

A atuação dos canais também chegou à Justiça Eleitoral. Na semana passada, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, suspendeu o “Exército do Lula” a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que alegou disseminação de desinformação. O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal, mas Nunes Marques voltou a suspendê-lo, sob o argumento de que havia vínculo com a campanha oficial e de que o canal deveria estar registrado no TSE. O “Exército do Lula” foi liberado depois que a campanha fez o registro.

Uma minuta de resolução redigida pelo vice-presidente do TSE, ministro André Mendonça, propunha desativar canais políticos com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores e nas 24 horas posteriores ao segundo turno. A medida atingiria os dois canais, mas foi barrada por Nunes Marques na quarta-feira (21). Diante da possibilidade de novas restrições, Janones passou a direcionar seguidores para seu perfil pessoal no Instagram.

Pelas regras desta eleição, mensagens enviadas de forma consensual por pessoas físicas, no privado ou em grupos restritos, não estão sujeitas às mesmas normas da propaganda eleitoral. Em decisão deste ano, porém, o TSE reforçou que divulgar conteúdo ofensivo, falso ou descontextualizado contra um candidato, em grupos com muitos participantes e grande potencial de difusão, pode configurar propaganda eleitoral irregular.

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