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Expectativa com vitória de Flávio Bolsonaro faz Ibovespa romper os 200 mil pontos pela primeira vez na história e dólar baixar de R$ 5

Publicado 05/10/2026 • 13:45 | Atualizado há 45 minutos

KEY POINTS

  • Ibovespa renovou máximas históricas e chegou a 209.605 pontos, com alta de 9,10% na máxima do dia
  • Dólar caiu abaixo de R$ 5 e juros futuros recuaram na primeira sessão após o primeiro turno
  • Especialistas atribuem o movimento à reprecificação de risco, mas destacam que os fundamentos da economia ainda não mudaram

O mercado brasileiro vive uma sessão de forte valorização nesta segunda-feira (5), no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições. O Ibovespa renovou máximas históricas e chegou a 209 mil pontos, enquanto o dólar caiu abaixo de R$ 5 e os juros futuros recuaram.

Na máxima do dia, o principal índice da Bolsa chegou a 209.605 pontos, alta de 9,10%. O movimento foi puxado principalmente por bancos, empresas ligadas ao mercado doméstico e companhias mais sensíveis aos juros. Itaú, Banco do Brasil e Bradesco avançaram mais de 10%, enquanto ações como Cyrela, Localiza e Vamos chegaram a subir mais de 20%. O dólar estava sendo negociado a R$ 4,99 no começo da tarde.

A disparada ocorre um dia após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16%. Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro.

Para especialistas ouvidos pelo Times Brasil | CNBC, a reação dos ativos reflete principalmente uma reprecificação do risco político e fiscal após o resultado das urnas. A leitura é de que os investidores passaram a ajustar os preços dos ativos brasileiros diante dos diferentes cenários possíveis para a economia a partir de 2027.

A mudança, porém, está nas expectativas, e não nos fundamentos da economia. Indicadores como a dívida pública, o resultado fiscal e as projeções de crescimento não se alteraram entre sexta-feira e esta segunda-feira.

Leia também: Recorde histórico: Ibovespa supera 200 mil pontos após resultado do primeiro turno

Mercado reduz prêmio de risco

Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, afirma que o resultado eleitoral alterou as expectativas do mercado sobre a trajetória das contas públicas e provocou uma forte reprecificação dos juros futuros.

Segundo ele, o contrato de DI para janeiro de 2031 recuou de cerca de 14% para 12,85% nesta segunda-feira.

A queda dos juros futuros tende a favorecer a Bolsa por dois caminhos. O primeiro é a redução do retorno relativo da renda fixa, o que aumenta a atratividade da renda variável. O segundo é a queda da taxa usada para descontar os fluxos de caixa futuros das empresas, o que pode elevar seus valuations.

“Essa queda nos juros gera um fator direto de valorização para a própria Bolsa através do custo de oportunidade e da taxa de desconto dos valuations”, afirma Perri.

Marcelo Bassani, economista e fundador da Boa Brasil Capital, também relaciona a alta à expectativa de uma possível mudança na condução da política fiscal a partir do próximo ano.

“O Ibovespa está em forte alta devido à expectativa positiva do mercado em relação à possível troca de presidente para o próximo exercício”, afirma.

Na avaliação dele, parte dos investidores passou a incorporar aos preços diferentes cenários para a política fiscal no próximo governo. Essa reprecificação ajuda a explicar o movimento simultâneo de alta da Bolsa, queda do dólar e recuo dos juros futuros.

Por que o dólar cai?

A reprecificação de risco também atingiu o mercado de câmbio. O dólar saiu da região de R$ 5,22 na sexta-feira e caiu abaixo de R$ 5 nesta segunda.

Perri explica que uma percepção de menor risco fiscal tende a favorecer a valorização do real, porque aumenta a atratividade dos ativos brasileiros.

Outro fator é o fluxo de capital estrangeiro. Uma maior entrada de recursos no país aumenta a oferta de dólares no mercado doméstico e pode pressionar a cotação da moeda americana para baixo.

“O dólar cai motivado por dois grandes fatores. O primeiro está ligado à melhora da percepção de risco do país. O segundo é o fluxo de capital”, afirma Perri.

Bassani também associa o movimento à possibilidade de maior entrada de investimentos no Brasil.

“Com o cenário e a expectativa de que uma eventual troca de liderança na Presidência possa fazer com que se tenha um fiscal mais ajustado, isso acaba incentivando investidores, no geral, a quererem aportar no país”, afirma.

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Bancos e empresas domésticas lideram ganhos

A alta da Bolsa se espalha por diferentes setores, mas empresas mais sensíveis aos juros e à atividade doméstica aparecem entre os destaques.

Segundo Perri, os bancos são beneficiados pela queda dos juros futuros e pela expectativa de menor pressão da inadimplência sobre o crédito.

Empresas cíclicas, mais dependentes da atividade econômica brasileira, também registram ganhos. Perri cita companhias como Cyrela e Localiza, além de empresas do setor de utilities.

Bassani também destaca o desempenho dos bancos e afirma que a alta acompanha a expectativa dos investidores de melhora na dinâmica fiscal.

Em sentido contrário, empresas com receitas mais expostas ao dólar podem sofrer pressão com a valorização do real. Perri cita a Suzano como exemplo, já que parte relevante de suas receitas é denominada na moeda americana.

Alta é sustentável?

Apesar da reação forte dos ativos, André Matos, CEO da MA7 Capital, destaca que houve uma mudança nos preços e nas expectativas, mas não nos fundamentos da economia no intervalo entre sexta-feira e esta segunda.

“Esse movimento é reprecificação de prêmio de risco, não mudança de fundamento”, afirma.

Segundo Matos, o dólar saiu de R$ 5,22 para menos de R$ 5 e o Ibovespa passou da região de 192 mil pontos para acima dos 200 mil em apenas um pregão, sem que indicadores estruturais da economia tivessem mudado no mesmo período.

“O que mudou foi o prêmio que o investidor cobrava”, afirma.

Na avaliação dele, ainda será preciso observar se as expectativas incorporadas aos preços serão acompanhadas por mudanças concretas na condução econômica e pelos dados nos próximos meses.

“Mercado precifica a execução, não o discurso”, diz Matos.

Ele acrescenta que, caso a valorização do real se mantenha, o câmbio mais baixo pode reduzir custos de combustíveis, fertilizantes e outros insumos importados, ajudando a aliviar a inflação e aumentando o espaço para cortes de juros pelo Banco Central.

Nesse cenário, afirma Matos, parte da valorização dos ativos deixaria de depender apenas das expectativas e passaria a encontrar respaldo em mudanças nos indicadores econômicos.

Mercado pode devolver parte dos ganhos

Apesar da forte alta desta segunda-feira, os especialistas ressaltam que parte do movimento reflete expectativas e pode ser revertida diante de mudanças no cenário incorporado aos preços.

Bassani afirma que os investidores ainda estão digerindo o resultado do primeiro turno e recomenda cautela diante da intensidade da valorização.

“Muita volatilidade ainda é esperada, e um superotimismo do mercado como um todo se reflete até o presente momento”, afirma.

Perri também considera possíveis movimentos de realização de lucros depois da forte alta, especialmente diante da velocidade da valorização registrada no pregão.

Matos destaca que movimentos baseados principalmente em expectativas podem ser revertidos caso os fundamentos econômicos não evoluam na direção esperada pelos investidores.

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