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Fim da escala 6×1 exige análise por setor e aumenta incerteza para 2027, avalia economista-chefe da Austin Rating Alex Agostini

Publicado 14/10/2026 • 21:44 | Atualizado há 38 minutos

KEY POINTS

  • Economista-chefe da Austin Rating afirma que impactos sobre produtividade, custos e preços devem variar entre indústria, serviços, agronegócio e regiões do país.
  • Agostini diz que mudança na jornada se soma à reforma tributária, ao cenário fiscal e aos juros externos entre os fatores de atenção para 2027.
  • Para o economista, mercado financeiro já demonstra cautela diante da combinação de incertezas domésticas e externas.

O impacto econômico do fim da escala 6×1 não será uniforme e dependerá do setor, do porte das empresas e das características regionais do mercado de trabalho, avaliou Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo ele, ainda é cedo para determinar se a redução da jornada resultará predominantemente em ganhos de produtividade ou em aumento de custos para as empresas.

“O Brasil tem uma condição muito mais complexa em termos de trabalho do que simplesmente colocar na mesa e encerrar ou alterar a jornada 6×1”, afirmou.

Agostini destacou que setores e regiões apresentam estruturas de emprego diferentes, o que exige avaliar os efeitos da mudança de forma segmentada.

“Você precisa atender cada setor de uma forma. Então, implementar sem aprofundar essa discussão, é claro que vão ocorrer alguns erros”, disse.

Produtividade será ponto central

O economista afirmou que a redução da jornada acompanha uma transformação histórica nas relações de trabalho e citou economias desenvolvidas nas quais modelos como 5×2 já são amplamente utilizados.

Para o Brasil, porém, um dos principais pontos de atenção será o impacto sobre a produtividade, que Agostini considera um desafio estrutural da economia.

“Será que isso vai comprometer o nível de produtividade no Brasil, que já é um problema? A gente tem o nível de produtividade baixo, se os custos vão aumentar, tudo isso ainda será observado ao longo da implementação”, afirmou.

Segundo ele, eventuais efeitos negativos sobre custos poderiam se traduzir em pressão sobre preços caso não sejam acompanhados por ganhos de eficiência.

Mudança se soma a outras incertezas de 2027

Agostini afirmou que a discussão sobre a jornada ocorre em um momento em que empresas e investidores já precisam lidar com outras mudanças relevantes para o próximo ano.

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Entre os fatores estão a implementação da reforma tributária, o cenário fiscal, a trajetória dos juros nos Estados Unidos e a definição da política econômica após a eleição presidencial.

“Naturalmente, a gente tem o caldeirão borbulhando muito para o ano que vem, com grandes expectativas”, disse.

Para o economista, ainda não há elementos suficientes para estimar com precisão os impactos combinados sobre crescimento, inflação e custos trabalhistas.

“Nós vamos acompanhando o desdobramento disso”, afirmou.

Efeitos precisarão ser acompanhados mês a mês

Na avaliação de Agostini, os impactos da mudança na jornada deverão aparecer de maneira diferente no agronegócio, nos serviços e na indústria.

“Os impactos setoriais são diferentes de agronegócio, de serviços, de indústria. Então tem que ser acompanhado mês a mês”, disse.

O economista afirmou que esse acompanhamento também deverá considerar os efeitos simultâneos da reforma tributária e da política econômica do próximo governo.

Segundo Agostini, o comportamento recente do mercado financeiro já demonstra uma postura mais cautelosa diante desse conjunto de fatores.

“O que se nota é cautela”, afirmou. “Não preocupação, cautela.”

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