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Fim da escala 6×1 pode aumentar contratações, mas também ampliar pejotização, diz Cristina Helena Mello da PUC-SP

Publicado 07/10/2026 • 21:26 | Atualizado há 3 minutos

KEY POINTS

  • Economista diz que redução da jornada de 44 para 40 horas teria impactos diferentes conforme setor e porte das empresas.
  • Cristina Helena afirma que grandes companhias têm mais espaço para absorver custos, enquanto pequenas e médias enfrentariam maior pressão.
  • Professora vê risco de aumento da pejotização e de menor crescimento dos salários em alguns segmentos.

O fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas podem produzir efeitos distintos sobre emprego, salários e informalidade, a depender do setor e do porte das empresas. A análise é de Cristina Helena Pinto de Mello, economista e professora da PUC-SP, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo ela, não há uma resposta única para os efeitos da mudança. Em alguns setores, empresas poderiam contratar mais trabalhadores para compensar a redução da jornada. Em outros, o aumento do custo por hora poderia ampliar a pejotização ou reduzir o ritmo de crescimento dos salários.

“Pode acontecer, sim, um aumento na contratação, pode acontecer um aumento na pejotização, pode acontecer também uma redução no ritmo de crescimento de salário do setor”, afirmou.

Cristina Helena citou uma estimativa do Ipea segundo a qual o valor por hora trabalhada poderia subir cerca de 7,8% com a redução da jornada.

Impacto será diferente entre grandes e pequenas empresas

Para a economista, empresas maiores teriam mais condições de absorver o aumento de custos por meio de produtividade, reorganização da operação e novas contratações.

“Grandes empresas têm mais espaço de fazer acomodações, ganhos de produtividade, maiores contratações”, afirmou.

Já pequenas e médias empresas tenderiam a enfrentar uma adaptação mais difícil.

“Pequenas e médias empresas têm um desafio maior e tem uma questão também que é setorial”, disse.

Por isso, Cristina Helena defendeu regras de transição e tratamentos diferenciados conforme a capacidade de adaptação de cada segmento.

“Regras de transição melhor acordadas, melhor pactuadas, são sempre melhores para todos”, afirmou.

Economista vê risco de mais pejotização

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Cristina Helena destacou que parte relevante do mercado de trabalho já opera fora da CLT, por meio de contratos como pessoa jurídica e plataformas digitais.

Segundo ela, qualquer mudança nas regras da jornada precisa considerar essa realidade.

“A grande maioria hoje já está contratando com pejotização”, disse.

Na avaliação da professora, setores que dependem mais da contratação formal pela CLT seriam os mais afetados pela redução da jornada. Já atividades com forte presença de plataformas ou de contratos como pessoa jurídica teriam impacto menor.

“Aqueles que já estão fortemente pejotizados ou que são plataformas […] nesses casos não vai ter impacto algum”, afirmou.

Produtividade pode compensar parte do custo

A economista afirmou que ganhos de produtividade podem compensar parte do aumento do custo por hora trabalhada, mas que isso varia muito conforme a atividade.

“É possível, sim, ter ganhos de produtividade. Em alguns setores esse é um desafio maior”, disse.

Ela também ponderou que uma jornada menor pode ampliar o tempo disponível dos trabalhadores para consumo, cuidado familiar e outras atividades, com possíveis efeitos econômicos e sociais.

Para Cristina Helena, o debate não deve se limitar à escala 6×1, mas envolver uma discussão mais ampla sobre as novas relações de trabalho.

“Tem uma agenda enorme fora da escala 6×1, que é discutir essas relações de trabalho que não estão dentro da CLT”, afirmou.

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