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Fim da escala 6×1 pode elevar custo do trabalho em 20%, diz professor da USP

Publicado 09/10/2026 • 13:11 | Atualizado há 44 minutos

KEY POINTS

  • Mudança da escala 6x1 para dois dias de descanso pode elevar em cerca de 20% o custo do trabalho em empresas de operação contínua.
  • Zylberstajn defende que a distribuição da jornada seja negociada entre empresas e trabalhadores, em vez de definida de forma rígida.
  • Economista afirma que a transição poderia ser gradual e acompanhada por indicadores de produção, emprego e salário.

A mudança da escala 6×1 para um modelo com dois dias de descanso pode elevar em cerca de 20% o custo do trabalho para empresas que operam continuamente ou ainda adotam a jornada de seis dias, afirmou Hélio Zylberstajn, professor sênior de Economia da USP e coordenador do Salariômetro, em entrevista ao Pre-Market, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo o economista, o impacto viria da necessidade de cobrir um dia adicional de descanso remunerado e, em parte das empresas, reorganizar equipes ou contratar trabalhadores para manter a produção.

“Isso significa um aumento de 20% no custo do trabalho”, afirmou.

Zylberstajn defendeu que eventuais mudanças na jornada sejam acompanhadas de um período de adaptação e de negociação entre empresas e trabalhadores.

Leia também: Setor produtivo alerta para alta de custos e preços com fim da escala 6×1

Empresas de operação contínua teriam maior impacto

Segundo Zylberstajn, o efeito seria mais relevante em atividades contínuas, como hospitais, siderúrgicas e indústrias alimentícias.

Nesses casos, a redução de seis para cinco dias de trabalho exigiria acomodar um dia adicional de folga sem interromper a operação.

O professor afirmou que a discussão sobre jornada envolve não apenas o total de horas trabalhadas, mas também a forma como esse tempo é distribuído.

Na avaliação dele, regras mais flexíveis de distribuição ao longo de períodos maiores poderiam facilitar a organização das escalas.

Transição exigiria reorganização

Zylberstajn afirmou que uma mudança em prazo curto aumentaria a necessidade de adaptação das empresas.

Entre os ajustes possíveis estão alterações de escala, reorganização de equipes e contratação de trabalhadores para cobertura das folgas.

O economista também reconheceu a demanda por um maior equilíbrio entre trabalho, descanso e vida familiar.

“Isso é muito importante, mas isso tem que ser negociado”, afirmou.

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Negociação coletiva é alternativa defendida

Para Zylberstajn, a legislação poderia estabelecer limites gerais de jornada e deixar a distribuição do tempo para negociação coletiva.

“A lei cuida do limite diário, e a distribuição do tempo vai para a negociação”, afirmou.

Ele citou modelos em que a carga de trabalho é organizada em períodos mais amplos, como meses, trimestres ou ao longo do ano.

Segundo o professor, esse formato permitiria adaptar as jornadas às características de cada atividade e à necessidade de manter a produção.

Mudança poderia ocorrer de forma gradual

Zylberstajn também defendeu uma implementação gradual da redução da jornada de trabalho.

Segundo ele, empresas e trabalhadores poderiam definir indicadores de produção ou de produtividade e acompanhar os efeitos das mudanças antes de ampliar o modelo para outras áreas.

O objetivo, afirmou, seria conciliar a redução do tempo de trabalho com a manutenção do emprego, do salário e da produção.

“Paulatinamente, negociadamente, os interesses seriam resolvidos”, disse.

Tema já está no radar das empresas

Apesar das ressalvas sobre a forma de implementação, Zylberstajn afirmou que o debate sobre redução da jornada já mobiliza o setor empresarial.

“Esse tema sensibilizou as empresas, sem dúvida”, afirmou.

Segundo ele, a demanda dos trabalhadores por menos tempo de trabalho deve manter o tema em discussão mesmo após o período eleitoral.

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