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França proíbe manifestações em Paris e outras cidades após onda de violência e saques
Publicado 22/10/2026 • 11:40 | Atualizado há 40 minutos
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Publicado 22/10/2026 • 11:40 | Atualizado há 40 minutos
KEY POINTS
Jeff Pachoud / AFP
Manifestante diante do posto de turismo de Lyon, incendiado durante protestos.
Autoridades francesas proibiram manifestações previstas para esta quinta-feira (22) em Paris, Lyon, Lille e Grenoble, após um fim de semana marcado por confrontos entre manifestantes e policiais, saques a lojas e incêndios de veículos. As restrições ocorrem em meio a uma onda de protestos que começou com reivindicações de estudantes e se espalhou pelo país.
Em Paris, a proibição vale até as 20h, no horário local, e inclui áreas próximas ao Palácio do Eliseu, sede da Presidência, ao Parlamento e às principais estações ferroviárias. Regiões do centro da capital atingidas pelos saques também estão incluídas.
A Prefeitura de Polícia de Paris justificou a medida pelo risco de novos episódios de violência. As restrições, no entanto, provocaram questionamentos sobre o direito de manifestação. Apesar das proibições, organizações estudantis afirmam que continuarão mobilizadas, mesmo com o início das férias escolares de outono.
Algumas áreas da capital francesa e de outras cidades também estão sob toque de recolher noturno, medida adotada pelo governo para tentar evitar novos confrontos.
Leia também: Toques de recolher reduzem tensão na França, enquanto Macron é criticado por viagem ao Golfo
As manifestações previstas para esta quinta-feira antecedem uma nova jornada de mobilizações marcada para sábado (24), com expectativa de participação de integrantes do movimento dos “coletes amarelos”, que ganhou força entre 2018 e 2019 em protestos contra os preços dos combustíveis.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou uma operação de segurança de grande porte para evitar a repetição dos episódios de violência registrados no último fim de semana.
Na quarta-feira (21), Lecornu se reuniu com representantes sindicais para discutir a situação. Segundo os sindicatos, o encontro terminou sem propostas concretas para atender às reivindicações dos manifestantes.
As entidades também organizam uma nova mobilização nacional para 5 de novembro, com convocação de trabalhadores dos setores público e privado.
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Siga o Times | CNBCSegundo o jornal francês Le Monde, os confrontos registrados no sábado (17) resultaram em cerca de 1.200 detenções e deixaram 150 integrantes das forças de segurança feridos, de acordo com um balanço preliminar divulgado pelo governo francês naquela noite.
Os episódios também deixaram manifestantes feridos. Em Saint-Étienne, um adolescente de 17 anos perdeu uma mão após a explosão de uma granada durante os distúrbios, caso que ampliou os questionamentos sobre a atuação das forças de segurança.
A dimensão dos protestos surpreendeu as autoridades. Cerca de 550 mil pessoas foram às ruas no dia 17 de outubro, segundo o Ministério do Interior, número quase três vezes maior do que a estimativa de 200 mil manifestantes considerada pelos serviços de segurança antes dos atos.
Em cidades como Paris, Lyon, Marselha e Bordeaux, policiais foram superados pelo número de participantes envolvidos nos confrontos. Houve registros de saques a estabelecimentos comerciais, incêndios e ataques a prédios públicos.
Para as manifestações previstas no sábado (24), as autoridades planejam reforçar o policiamento com veículos blindados, militares da operação Sentinelle e unidades de elite da polícia e da Gendarmeria. O objetivo é ampliar a capacidade de resposta diante de grupos que se deslocam rapidamente entre diferentes pontos das cidades.
A onda de manifestações começou em setembro, em uma escola de ensino médio de Créteil, nos arredores de Paris, após reclamações sobre a falta de funcionários.
A mobilização se espalhou para outras regiões, com estudantes cobrando mais investimentos na educação, melhorias nas instalações escolares e mudanças no sistema de admissão às universidades, considerado complexo e injusto pelos manifestantes.
Com o avanço dos protestos, as reivindicações passaram a incluir críticas ao aumento do custo de vida, pedidos de reajustes salariais, maior poder de compra e justiça fiscal.
O movimento passou a reunir estudantes, sindicatos e outros grupos sociais, ampliando a pressão sobre o governo francês a poucos meses da eleição presidencial de 2027, que definirá o sucessor de Emmanuel Macron.
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