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Fumaça de queimadas paralisa aulas e coloca Manaus em nível grave de qualidade do ar

Publicado 10/10/2026 • 19:16 | Atualizado há 36 minutos

KEY POINTS

  • A Defesa Civil emitiu um alerta recomendando que os moradores usem máscaras ao sair de casa e evitem a exposição direta à poluição.
  • O monitor do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da UEA, classificou o ar na zona central do estado como "muito ruim".
  • Em setembro, o Amazonas acumulou 3.726 focos de calor — quase quatro vezes o volume registrado no mesmo período de 2025 (942).
Manaus

Foto por SUAMY BEYDOUN / AGIF / AGIF VIA AFP

A forte fumaça gerada por queimadas levou a qualidade do ar em Manaus a níveis considerados graves para a saúde pública. Na última sexta-feira (9), a Defesa Civil emitiu um alerta recomendando que os moradores usem máscaras ao sair de casa e evitem a exposição direta à poluição.

O boletim apontou uma concentração média de 196,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de material particulado fino (MP2,5), um poluente altamente prejudicial. Diante da degradação atmosférica, a Prefeitura de Manaus suspendeu as aulas na rede municipal de ensino. A medida também alcançou centros de atendimento especializado, os Centros Municipais de Arte-Educação (Cmaes) e o Parque Cidade da Criança, com o objetivo preventivo de resguardar estudantes, professores e servidores.

No ensino superior, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) adotaram o mesmo caminho, suspendendo as atividades presenciais para preservar a comunidade acadêmica.

Apesar de uma leve melhora registrada na tarde de sábado (10), quando a plataforma IQAir indicava 80,3 µg/m³ de MP2,5, a situação continua preocupante. O monitor do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da UEA, classificou o ar na zona central como “muito ruim” (patamares acima de 125 µg/m³ já são considerados “péssimas”). Outros municípios amazonenses, como Anori, Anamã, Tapauá e Beruri, registraram as piores marcas de qualidade do ar em todo o país.

Leia também: Trump critica Canadá por fumaça de incêndios e ameaça incluir custo da poluição nas tarifas

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Crise climática e avanço do fogo

O cenário crítico reflete o aumento expressivo das chamas na região. Em setembro, o Amazonas acumulou 3.726 focos de calor — quase quatro vezes o volume registrado no mesmo período de 2025 (942), conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em outubro, o número já chega a 832.

A estiagem severa agravada pela falta de chuvas desde agosto intensificou a poluição e dificultou o trabalho dos bombeiros. O Inpe aponta que o uso tradicional do fogo para limpeza e renovação de pastagens, somado à vegetação seca, tem facilitado a propagação descontrolada das chamas para áreas de floresta.

Diante do quadro, o governo estadual decretou em junho estado de emergência climática e ambiental por 180 dias, motivado pelas previsões do fenômeno El Niño. Em setembro, o uso do fogo foi oficialmente proibido em todo o território amazonense por 120 dias.

Enquanto isso, a articulação entre as esferas de governo enfrenta impasses. Em entrevista à Rede Amazônica na sexta-feira, o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Orleilso Muniz, declarou que o Estado ainda não havia recebido suporte do governo federal no combate aos incêndios florestais.

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