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Galípolo relata à PF demora de servidores do BC na fiscalização do Banco Master

Publicado 08/10/2026 • 13:30 | Atualizado há 38 minutos

KEY POINTS

  • Gabriel Galípolo afirmou à PF que dois servidores do Banco Central demoraram injustificadamente a entregar relatórios sobre possíveis irregularidades no Banco Master.
  • O presidente do BC relatou ter realizado reuniões para cobrar documentos e disse que precisou formar uma nova equipe de auditoria, sem a participação dos servidores investigados.
  • Galípolo afirmou que se posicionou contra a venda do Banco Master ao BRB por considerar que a operação poderia provocar prejuízos ao banco público.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC).

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Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC).Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou à Polícia Federal (PF) que houve uma demora injustificada na fiscalização do Banco Master e que dois servidores da instituição resistiram a apresentar relatórios detalhados sobre possíveis irregularidades. Segundo seu depoimento, ele precisou realizar reuniões para cobrar providências e obter informações sobre o banco de Daniel Vorcaro.

Galípolo também declarou que se posicionou internamente contra a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB), por considerar que a operação poderia provocar prejuízos à instituição financeira pública do Distrito Federal.

As informações foram publicadas nesta quinta-feira (8) pelo jornal O Estado de S. Paulo, com base no depoimento prestado por Galípolo à PF na terça-feira (6). O presidente do BC foi ouvido como testemunha no inquérito que apura suspeitas de atuação de servidores da autoridade monetária em benefício do Banco Master.

Segundo o relato, Galípolo realizou reuniões em clima de tensão, inclusive com discussões e palavrões, para cobrar providências de Belline Santana, então chefe de Supervisão Bancária, e de seu adjunto, Paulo Sérgio Neves de Souza.

O objetivo era obter um relatório com indícios de possíveis fraudes financeiras para encaminhamento ao Ministério Público Federal (MPF). De acordo com Galípolo, porém, os documentos solicitados não eram entregues.

Leia também: PF adia depoimento de Roberto Campos Neto sobre caso Banco Master

Servidores são investigados por suspeita de favorecimento

Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza são investigados por suspeitas de atuação em benefício de Daniel Vorcaro dentro do Banco Central. Ambos negam ter favorecido o Banco Master ou cometido irregularidades.

De acordo com a investigação relatada pelo jornal, Belline teria sido contratado para prestar consultoria por uma pessoa ligada ao banqueiro. Paulo Sérgio, por sua vez, teria vendido um terreno ao cunhado de Vorcaro.

Mensagens analisadas pelos investigadores também levantaram suspeitas de que os dois prestavam orientações ao empresário sobre a defesa dos interesses do Master perante o órgão regulador.

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Galípolo foi chamado para depor depois que Paulo Sérgio afirmou à PF que o presidente do Banco Central havia impedido o envio de um relatório com indícios de crimes ao Ministério Público Federal.

Em seu depoimento, Galípolo contestou essa versão e afirmou que havia cobrado a apresentação dos documentos. Segundo ele, os servidores resistiam a fornecer registros dos fluxos financeiros das carteiras de crédito consignado negociadas entre o Master e o BRB.

Ainda conforme o presidente do BC, Belline e Paulo Sérgio defendiam a regularidade das operações do banco de Vorcaro, mas não apresentavam o material solicitado.

Galípolo relata criação de nova equipe de auditoria

Galípolo afirmou que precisou formar uma equipe de auditoria com outros integrantes do Banco Central, sem a participação de Belline e Paulo Sérgio, diante da demora na entrega das informações.

O presidente do BC também relatou que o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, superior hierárquico dos dois servidores, foi o primeiro a identificar inconsistências nas carteiras de crédito analisadas.

As suspeitas estavam relacionadas a operações do Banco Master, incluindo carteiras de crédito consignado negociadas com o BRB.

O Banco Central acabou vetando a aquisição do Master pelo banco público de Brasília. Posteriormente, em 18 de novembro de 2025, decretou-se a liquidação da instituição financeira de Daniel Vorcaro.

A liquidação ocorreu no mesmo dia em que foi deflagrada a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que resultou na primeira prisão do banqueiro.

As investigações apuram possíveis irregularidades na fiscalização do Banco Master e suspeitas de atuação de servidores do Banco Central em benefício da instituição financeira.

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