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Groenlândia rebate Trump e nega exploração em massa de petróleo e gás

Publicado 14/10/2026 • 09:36 | Atualizado há 41 minutos

KEY POINTS

  • Groenlândia contesta Trump e afirma que a exploração de petróleo, gás e minerais em larga escala ainda está distante de começar.
  • Condições climáticas extremas, extensas camadas de gelo e falta de infraestrutura dificultam a extração de recursos naturais no território ártico.
  • Acordo entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia prevê cooperação mineral e militar, mas não estabelece projetos concretos de exploração de petróleo e gás.

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Donald Trump ao lado da bandeira da Groenlândia

O governo da Groenlândia contestou as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a perspectiva de uma exploração em larga escala de petróleo, gás e minerais no território ártico. Autoridades locais afirmam que, embora existam projetos de empresas americanas na região, não há previsão de início imediato de operações de grande porte.

A manifestação ocorreu depois que Trump afirmou, em uma publicação na rede social Truth Social, que a Groenlândia estaria prestes a receber investimentos para uma exploração significativa de seus recursos naturais. O presidente americano também alegou que especialistas identificaram na região quantidades de petróleo de fácil acesso superiores às encontradas em grande parte do mundo.

O vice-ministro de Mineração da Groenlândia, Jørgen Hammeken-Holm, reconheceu a presença de companhias dos Estados Unidos em atividades de pesquisa mineral, mas ressaltou que os empreendimentos estão distantes de alcançar a dimensão descrita pelo presidente. Segundo ele, há diversas iniciativas de menor porte em andamento, que poderão levar anos até se tornarem operacionais.

As condições geográficas e a ausência de infraestrutura adequada elevam significativamente os custos de implantação dos projetos.

Condições naturais dificultam exploração

A Groenlândia possui depósitos de recursos naturais em áreas remotas, muitas delas localizadas acima do Círculo Polar Ártico. A exploração dessas reservas exige operações em regiões de difícil acesso, marcadas por temperaturas extremas e extensas camadas de gelo.

Aproximadamente 80% da superfície da ilha é coberta por gelo. Em determinadas localidades, essa camada chega a cerca de 1,6 quilômetro de espessura, o que representa um obstáculo para levantamentos geológicos, transporte de equipamentos e instalação de estruturas industriais.

Leia também: Presidente Donald Trump anuncia exploração de petróleo, gás e minerais na Groenlândia

A infraestrutura limitada também dificulta o desenvolvimento das atividades. A implantação de operações de extração depende de investimentos em transporte, energia e instalações de apoio, além de estudos para determinar a viabilidade comercial das reservas.

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Por essas razões, a existência de recursos no subsolo não significa que sua produção possa começar rapidamente. Entre a identificação de depósitos e o funcionamento de empreendimentos comerciais, podem transcorrer vários anos.

Interesse americano amplia tensão diplomática

As declarações de Trump ocorrem em meio a uma disputa política sobre o futuro da Groenlândia, território autônomo que integra o Reino da Dinamarca. Desde seu retorno à Casa Branca, o presidente americano tem manifestado repetidamente interesse em assumir o controle da ilha e de seus recursos naturais.

As ameaças de anexação provocaram reações de governos europeus e de integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A localização da Groenlândia é considerada estratégica para a segurança do Atlântico Norte e para as operações militares na região do Ártico.

Em setembro, Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia chegaram a um entendimento destinado a reduzir as tensões diplomáticas. Na ocasião, Trump afirmou que o acordo garantiria aos americanos um controle permanente sobre a segurança da ilha.

O texto, entretanto, estabelece como pontos iniciais o reconhecimento da soberania dinamarquesa e o direito da população groenlandesa de decidir seu próprio futuro. Essas disposições delimitam o alcance da cooperação entre os três governos.

Acordo prevê cooperação mineral e militar

O entendimento firmado em setembro introduz ajustes em um tratado de 1951 que autoriza a presença de tropas americanas na Groenlândia como parte da estrutura de defesa da Otan.

Embora não mencione expressamente a exploração de petróleo ou gás, o documento prevê cooperação na área mineral e iniciativas conjuntas voltadas ao desenvolvimento econômico e à promoção de negócios. O texto divulgado pela Casa Branca não apresenta detalhes sobre investimentos, empresas participantes ou cronogramas de execução.

Na área de defesa, o acordo abre caminho para a instalação de bases militares adicionais dos Estados Unidos. Também estabelece garantias de acesso das forças americanas ao território caso a Groenlândia venha a conquistar independência em relação à Dinamarca.

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