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Guerra no Irã expõe fragilidade energética do Brasil, diz ex-presidente da Petrobras
Publicado 28/03/2026 • 15:13 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 28/03/2026 • 15:13 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputado
o ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli,
A guerra no Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz devem provocar um novo choque global do petróleo, com efeitos duradouros sobre o mercado de energia – e evidenciam a fragilidade da segurança energética do Brasil, avalia o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli.
Segundo ele, o cenário atual configura o terceiro grande choque do petróleo da história recente, após as crises de 1973 e 1979. “Estamos tendo um terceiro grande choque do petróleo que vai deixar efeitos estruturais, mudando a comercialização do petróleo, mas, mais ainda, do mercado de gás”, afirmou.
Gabrielli destaca que os impactos tendem a ser mais profundos no gás natural, diante de ataques a importantes áreas produtoras. No caso do petróleo, o efeito inicial pode ser mais gradual, mas com consequências prolongadas, especialmente porque o Oriente Médio concentra novos investimentos em refino, com foco no abastecimento de China e Índia.
Na avaliação do ex-presidente da Petrobras, a atuação dos Estados Unidos no conflito também tem relação com o controle do mercado energético global. “A política americana agressiva do Trump tem claramente um objetivo de controle do mercado de petróleo”, disse.
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Ele aponta ainda que a guerra pode alterar fluxos comerciais relevantes, sobretudo pela atuação do Irã no Estreito de Ormuz. “Ao controlar o estreito, o Irã passou a permitir que só alguns passem por lá, desde que paguem em yuans”, afirmou, indicando uma possível mudança na predominância do dólar nas transações internacionais.
Para Gabrielli, o conflito também abre espaço para outros produtores ganharem relevância no mercado global. Canadá, Guiana e Brasil devem responder por parte importante da nova oferta nos próximos anos. “Esses três países são determinantes para a oferta nova que vem de petróleo em 2027”, disse.
Nesse contexto, o Brasil pode ampliar sua presença no mercado asiático. “O petróleo que melhor se adapta às maiores refinarias chinesas é o brasileiro”, afirmou, acrescentando que o país já ocupa posição relevante como exportador para a China.
Apesar disso, o ex-presidente da Petrobras alerta para um problema estrutural: a dependência do Brasil de importações de combustíveis. “Nós não temos capacidade de refino para atender o mercado brasileiro de diesel, gasolina e gás de cozinha”, disse. Segundo ele, a dependência de diesel varia entre 20% e 30% do consumo nacional.
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Siga o Times | CNBCGabrielli atribui essa vulnerabilidade à interrupção de projetos de expansão do refino no país, especialmente após a Operação Lava Jato. “A Petrobras tinha planos de construir cinco refinarias, construiu uma”, afirmou.
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Ele também critica o papel das importadoras de combustíveis, que, segundo ele, atuam de forma oportunista. “Os importadores são claramente especulativos. Só importam quando o preço internacional está mais barato do que o preço nacional”, disse.
No curto prazo, a solução para eventuais crises de abastecimento passa por ajustes de preços, já que a construção de novas refinarias leva anos.
Sobre a transição energética, Gabrielli afirma que o uso de combustíveis fósseis ainda é indispensável. “Prescindir do combustível fóssil nesse momento é a morte”, disse, ressaltando que o aumento dos preços tende a estimular mudanças no consumo e acelerar, no longo prazo, a adoção de alternativas.
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Ele avalia que o hidrogênio verde pode ter papel relevante nesse processo, mas depende da criação de mercado e de políticas públicas. “Só tem sentido o hidrogênio verde crescer se nós descarbonizarmos a produção industrial e o transporte pesado”, afirmou.
Segundo Gabrielli, embora já existam aplicações viáveis em alguns contextos, a expectativa predominante é de que o hidrogênio verde ganhe escala global por volta de 2035. “Mas, para que isso aconteça, as decisões têm que começar a ser tomadas agora”, concluiu.
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