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IPCA-15 desacelera em outubro com recuo de passagens aéreas e energia elétrica; ficando abaixo das projeções

Publicado 23/10/2026 • 10:15 | Atualizado há 15 minutos

KEY POINTS

  • IPCA-15 desacelera de 0,70% em setembro para 0,32% em outubro, abaixo dos 0,43% esperados pelo economista do Daycoval
  • Alimentação no domicílio sobe 1,01%, com tomate em alta de 24,54%, e economista vê El Niño pressionando preços adiante
  • Passagens aéreas caem 9,24% e energia elétrica recua com bandeira verde, e Daycoval projeta IPCA perto de 5% no ano
IPCA-15 i inflação e o custo de vida preocuparam o brasileiro no primeiro semestre de 2025.

Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo

A inflação e o custo de vida preocuparam o brasileiro

O IPCA-15, indicador de inflação medido pelo IBGE com a mesma metodologia do IPCA, desacelerou para 0,32% em outubro, ante 0,70% em setembro, informou o instituto nesta sexta-feira (23). O resultado ficou 0,38 ponto percentual abaixo da taxa do mês anterior.

O número também veio abaixo dos 0,43% que o economista Julio Barros, do banco Daycoval, esperava. Segundo ele, o principal destaque baixista foi a queda das passagens aéreas, em vez da alta que o banco projetava.

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IPCA-15 de outubro vem abaixo da expectativa do Daycoval

Em outubro de 2025, o IPCA-15 havia sido de 0,18%. No ano, o indicador acumula alta de 4,15% e, em 12 meses, de 4,62%, acima dos 4,47% observados nos 12 meses imediatamente anteriores, de acordo com o IBGE.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta. A maior variação e o maior impacto vieram de Alimentação e bebidas, com 0,88% e 0,19 ponto percentual. O único recuo foi o de Habitação, de 0,10%, e a maior alta entre os demais foi a de Despesas pessoais, de 0,55%.

Alimentos aceleram com tomate, cebola e arroz

A alimentação no domicílio subiu 1,01% em outubro, ante 0,38% em setembro. Contribuíram os aumentos do tomate (24,54%), da cebola (13,63%), da batata-inglesa (10,96%) e do arroz (5,80%). Cenoura (-10,67%), frutas (-1,37%) e café moído (-1,16%) recuaram.

A alimentação fora do domicílio também acelerou, de 0,44% para 0,56%, com altas da refeição (de 0,38% para 0,61%) e do lanche (de 0,44% para 0,66%).

Barros avalia que a composição do índice ficou próxima do esperado pelo banco, com a alimentação pressionando e deixando para trás o período mais benéfico dos preços dos alimentos. Para o economista, os itens in natura e o arroz tiveram alta possivelmente por já refletirem efeitos parciais do El Niño. Ele diz que o Daycoval tem alertado que os preços dos alimentos devem continuar subindo, em razão do clima mais adverso.

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Passagens aéreas e energia elétrica seguram o IPCA-15

As passagens aéreas caíram 9,24% e tiveram o principal impacto negativo do mês, de 0,08 ponto percentual, segundo o IBGE. Em Curitiba, a queda chegou a 11,58%.

Na energia elétrica residencial, a variação foi de -0,89%, ante 7,42% em setembro, com a passagem da bandeira tarifária amarela para a verde, sem cobrança adicional. O grupo Habitação foi de 2,07% para -0,10%.

Já em Transportes, que subiu 0,05%, os combustíveis aceleraram de 0,22% para 1,20%, com alta de 3,70% do óleo diesel, de 2,73% do etanol e de 0,92% da gasolina.

Barros diz que os bens industriais ficaram um pouco mais pressionados por causa de vestuário e etanol. Os preços administrados, segundo ele, refletiram uma alta da gasolina mais forte que a esperada, atenuada pela deflação da energia elétrica.

Núcleo segue desafiador para o Banco Central, avalia economista

Nos serviços, o economista afirma que as passagens aéreas surpreenderam para baixo, mas itens como alimentação fora de casa e serviços intensivos em mão de obra seguem pressionados. Para ele, o núcleo da inflação e os serviços subjacentes estão em patamar desafiador para o Banco Central.

Em Despesas pessoais, os destaques foram cinema, teatro e concertos (4,30%), pacote turístico (2,18%) e empregado doméstico (0,62%), de acordo com o IBGE.

O Daycoval projeta o IPCA em torno de 5% no fim do ano, com viés de alta, por causa do clima mais adverso, segundo Barros.

Por região, dez das onze áreas pesquisadas tiveram alta em outubro. A maior variação foi a de Belém (0,76%), com altas do tomate (17,55%) e da energia elétrica residencial (3,71%). O menor resultado foi o de Curitiba (-0,27%), com queda nas passagens aéreas e na taxa de água e esgoto.

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