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“Índice do medo” atinge máxima histórica às vésperas da eleição com aumento da percepção de risco no mercado
Publicado 30/09/2026 • 06:54 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 30/09/2026 • 06:54 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O indicador que mede a expectativa de volatilidade do mercado acionário brasileiro atingiu nesta terça-feira (29) o maior nível desde sua criação. O Ibovespa VIX, conhecido no mercado como “índice do medo”, encerrou o pregão aos 32,06 pontos, alta de 0,69% em relação ao dia anterior.
Este foi o segundo recorde consecutivo. Na segunda-feira (28), o índice havia fechado aos 31,84 pontos, até então sua máxima histórica. Também é a primeira vez que o VIX Brasil termina uma sessão acima dos 32 pontos desde que começou a ser calculado, em março de 2024.
O movimento sinaliza que a expectativa dos investidores por oscilações mais intensas no preço das ações nas próximas semanas aumentou. A proximidade da eleição presidencial, combinada com as incertezas provocadas pelo conflito envolvendo Estados Unidos e Irã e seus efeitos sobre petróleo e inflação, está entre os principais fatores por trás da escalada.
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No mercado doméstico, a principal fonte de incerteza é a eleição presidencial, que ocorre em menos de uma semana. A maior competitividade indicada pelas pesquisas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ampliou as dúvidas sobre o resultado da votação e sobre os possíveis rumos da política econômica após o pleito.
Para o mercado, períodos eleitorais costumam aumentar a dificuldade de projetar o comportamento dos ativos. Quanto menor a previsibilidade sobre o resultado e, principalmente, sobre as medidas que poderão ser adotadas pelo próximo governo, maior tende a ser a procura por instrumentos capazes de proteger as carteiras contra oscilações bruscas.
Essa procura se reflete diretamente no VIX Brasil. Como o indicador é calculado com base nos preços das opções do Ibovespa, uma demanda maior por proteção tende a encarecer esses contratos e, consequentemente, elevar a volatilidade implícita calculada pelo índice.
O recorde, portanto, não representa necessariamente uma expectativa de queda da bolsa. Ele mostra que os investidores enxergam uma maior possibilidade de movimentos mais intensos, tanto positivos quanto negativos, nos próximos 30 dias.
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Siga o Times | CNBCA disputa eleitoral ocorre ao mesmo tempo em que o cenário externo permanece instável. Os mercados acompanham os desdobramentos da guerra entre Estados Unidos e o Irã, sem uma perspectiva clara de solução no curto prazo.
A preocupação vai além do próprio confronto militar. Um dos principais canais de transmissão para a economia global é o petróleo. O avanço das cotações da commodity aumenta o risco de novas pressões inflacionárias, especialmente porque combustíveis e energia afetam custos de transporte, produção e consumo em diferentes países.
Caso a inflação permaneça elevada por mais tempo, bancos centrais podem enfrentar maior dificuldade para reduzir juros. Esse cenário tende a afetar bolsas, moedas e títulos públicos, além de aumentar a cautela dos investidores em relação a mercados emergentes, como o Brasil.
Esse ambiente de menor previsibilidade já se reflete no comportamento dos mercados internacionais. Bolsas na Ásia e na Europa registraram perdas na terça-feira, enquanto Wall Street também operava sob pressão próximo ao encerramento do pregão.
Mesmo com a alta do VIX Brasil, o Ibovespa terminou o dia no campo positivo. O principal índice da Bolsa avançou 0,46%, para 183.827,59 pontos, depois de oscilar ao longo da sessão.
O desempenho indica que o VIX não deve ser interpretado como uma previsão da direção da bolsa. Um índice de volatilidade elevado pode coexistir com uma sessão de ganhos, porque sua função é medir a intensidade esperada das oscilações futuras, e não indicar se o mercado necessariamente cairá.
No câmbio, o dólar comercial recuou 0,25%, para R$ 5,213. Durante o pregão, a moeda chegou a superar R$ 5,24, antes de perder força. O comportamento também destoou da valorização da divisa americana em parte do mercado internacional.
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