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Indústria e comércio alertam para impactos econômicos do fim da escala 6×1

Publicado 14/10/2026 • 22:51 | Atualizado há 20 minutos

KEY POINTS

  • CNI estima que a redução da jornada para 40 horas pode elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões.
  • Fiesp cita possíveis impactos em setores essenciais e afirma que a mudança deveria ter sido discutida fora do calendário eleitoral.
  • CNC defende que alterações nas jornadas de trabalho sejam tratadas prioritariamente por meio de negociação coletiva.

A aprovação da PEC que põe fim à escala 6×1 provocou reações de entidades empresariais nesta quarta-feira (14). CNI, Fiesp e CNC alertaram para possíveis impactos sobre custos, preços, empregos e competitividade e questionaram a votação da proposta durante o período eleitoral. Já o Sebrae avaliou que a nova jornada de trabalho pode beneficiar pequenos negócios.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou o cenário como preocupante e afirmou que os efeitos econômicos da mudança não foram suficientemente avaliados antes da votação.

Segundo levantamento da entidade, a redução da jornada para 40 horas semanais, com manutenção dos salários, pode elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e provocar uma queda de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 76,9 bilhões.

A CNI estima ainda uma alta média de 6,2% nos preços ao consumidor. Nas projeções da entidade, as compras em supermercados poderiam ficar 5,7% mais caras, enquanto os produtos industrializados teriam aumento médio de 6%. Em roupas e calçados, a alta poderia chegar a 6,6%.

“Lamentamos que a votação tenha sido feita sem mais debates com a sociedade brasileira e entendemos que os impactos dessa medida não foram devidamente mensurados”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Segundo Alban, a entidade considera possível que o Congresso volte a discutir o tema caso sejam constatados efeitos como perda de competitividade e aumento da inflação.

Fiesp cita impacto em setores essenciais

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também criticou a aprovação da PEC e afirmou que uma mudança dessa dimensão deveria ter sido discutida fora do calendário eleitoral.

“Nossa posição sempre foi a de que um tema dessa magnitude exigia debate profundo e fora do calendário eleitoral, sem o risco de se tornar uma ‘PEC Boca de Urna’”, afirmou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

A entidade disse que a mudança terá impactos no funcionamento de setores como saúde, educação, transporte, supermercados e indústria química e defendeu que os efeitos sejam avaliados com “responsabilidade e seriedade”.

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A Fiesp também citou como possíveis consequências o aumento do trabalho informal e a elevação de despesas para consumidores e empresas.

“Decisões açodadas têm um preço alto. E, infelizmente, essa conta será paga por toda a sociedade”, afirmou Skaf.

CNC defende negociação coletiva

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) também lamentou que a discussão tenha avançado durante o período eleitoral.

A entidade afirmou reconhecer a legitimidade do debate sobre melhores condições de trabalho e qualidade de vida, mas defendeu uma avaliação mais aprofundada dos efeitos sobre emprego, competitividade e sustentabilidade das empresas, especialmente nos setores de comércio, serviços e turismo.

Para a CNC, mudanças dessa natureza devem ser discutidas prioritariamente por meio de negociação coletiva entre trabalhadores e empregadores.

Segundo a entidade, esse modelo permitiria levar em conta as particularidades de cada atividade econômica e as diferenças entre regiões, além de oferecer maior previsibilidade e segurança jurídica às empresas e aos trabalhadores.

Novas oportunidades para pequenos negócios podem ser criadas, diz Sebrae

O Sebrae avalia que o fim da escala 6×1 pode abrir oportunidades para os pequenos negócios, ao melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e estimular o consumo em setores como turismo, lazer, bares e restaurantes. Segundo pesquisa da entidade, 51% dos donos de micro e pequenas empresas e MEIs acreditam que a mudança não terá impacto sobre seus negócios.

O presidente do Sebrae, Décio Lima, defende que a transição pode favorecer uma economia mais saudável e a geração de renda. A entidade também destaca a importância de investir em planejamento, produtividade, inovação e inteligência artificial para adaptar as operações à nova jornada de trabalho, sem necessariamente elevar os custos.

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