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Isenção de IR e dividendos estão no foco do mercado após eleições no Congresso, diz economista
Publicado 02/02/2025 • 18:50 | Atualizado há 1 ano
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Publicado 02/02/2025 • 18:50 | Atualizado há 1 ano
KEY POINTS
Davi Alcolumbre e Hugo Motta.
Foto: Agência Senado e Mário Agra/Câmara dos Deputados.
O estrategista da RB investimentos, Gustavo Cruz, entende que o mercado vai dar atenção especial a quatro agendas no Congresso, passada a eleição de ontem que confirmou Hugo Motta (Republicanos-PB) como presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), do Senado.
Conforme o estrategista, a tributação dos dividendos e a isenção do imposto de renda para salários de até R$ 5 mil – duas pautas do segundo capítulo da reforma tributária, que tratará da tributação da renda – são dois dos temas a serem monitorados de perto pelos investidores. Completam a lista a exploração de petróleo na bacia da foz do rio Amazonas e a negociação das emendas parlamentares.
Para Cruz, enquanto a tributação de lucros e dividendos tende a enfrentar alguma resistência, a isenção de imposto a rendas de até R$ 5 mil deve ter caminho menos embargado. Esta última foi uma promessa feita em campanha não apenas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também pelo candidato derrotado, Jair Bolsonaro, de modo que é uma pauta, em tese, tanto do governo quanto da oposição. “Será difícil ver um senador ou deputado votando contra”, comenta o estrategista da RB.
A promessa de ampliação da faixa de isenção do imposto de renda gerou estresse no mercado, uma vez que sua compensação, além de ser vista como insuficiente, é mais difícil de ser aprovada. Nas contas da RB Investimentos, a taxação das maiores rendas, como propõe o governo, levantaria não muito mais do que R$ 10 bilhões – “forçando muito”, R$ 15 bilhões, diz Cruz -, quando a renúncia da isenção é estimada no mercado em R$ 45 bilhões. “Não fecha muito a conta de um governo que já tem problemas em entregar a sua meta fiscal”, diz o estrategista da RB.
A questão da Margem Equatorial, como é chamada a região na foz do Amazonas onde a Petrobras pretende explorar petróleo, talvez seja, segundo Cruz, a pauta com maior entendimento na classe política, sendo de interesse, inclusive, do novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. “O presidente Lula quer, o Congresso quer, os governadores que vão ser beneficiados querem, e o Davi Alcolumbre, que é do Amapá, também quer. Portanto, o mercado financeiro entende que isso vai acontecer.”
Como a Petrobras é uma das maiores pagadoras de dividendos, a liberação de uma nova área para exploração de petróleo significaria um potencial de valorização “interessante”, avalia o estrategista.
Já as emendas parlamentares, conclui Cruz, devem continuar ditando o andamento das pautas de interesse do governo no Congresso. “Podemos ter uma reforma ministerial adiante, mas entendo que as grandes medidas fiscais não vão ser aprovadas sem emendas liberadas ao longo do ano”, comenta.
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Juliana Colombo é jornalista especializada em economia e negócios. Já trabalhou nas principais redações do país, como Valor Econômico, Forbes, Folha de S. Paulo e Rede Globo.
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