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Juros nos EUA e petróleo pressionam mercados e podem afetar fluxo de capital para o Brasil
Publicado 03/09/2026 • 17:26 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 03/09/2026 • 17:26 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A alta do petróleo é hoje o principal fator de preocupação para os mercados, por seus efeitos sobre a inflação e as diferentes cadeias produtivas, a combinação entre energia mais cara, juros elevados e dívida pública aumenta a incerteza para os ativos globais e pode ter reflexos no Brasil, segundo Gustavo Pessoa, professor de Economia e Finanças da FGV, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
“O problema é a extensão. Quanto tempo parece que esse petróleo vai ficar neste patamar?”, questionou. Segundo ele, o impacto não se limita às empresas diretamente dependentes do petróleo, mas alcança setores que repassam os custos de energia para seus preços.
A dívida pública dos Estados Unidos, por outro lado, não representa uma novidade para os mercados, na avaliação do professor. O ponto de atenção está principalmente nos juros de longo prazo americanos, que podem afetar o fluxo internacional de capitais.
Caso o Federal Reserve volte a elevar os juros, parte dos recursos investidos no Brasil e em outros mercados emergentes poderia migrar para os Estados Unidos em busca de maior retorno. Gustavo Pessoa considera, porém, esse cenário pouco provável no curto prazo.
O Brasil ainda mantém um dos maiores níveis de juros do mundo, o que preserva um diferencial considerado atrativo para investidores. “Nós ainda temos um diferencial de juros muito convidativo para os especuladores do mercado”, afirmou.
No cenário doméstico, o professor vê sinais de desaceleração da atividade econômica. Segundo ele, diferentes indicadores apontam para uma “refecida” da economia, o que pode abrir espaço para novos cortes de juros pelo Banco Central.
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Siga o Times | CNBCEsperar uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em um movimento que, na avaliação dele, anteciparia a perda de ritmo da atividade econômica brasileira.
Além dos fatores econômicos, o ambiente eleitoral deve continuar influenciando os preços dos ativos no país. Para Gustavo, a proximidade da eleição tende a manter a volatilidade elevada, principalmente diante da possibilidade de definição da disputa apenas no segundo turno.
“A disputa política está bem acirrada neste momento e provavelmente vai continuar até os últimos segundos”.
Segundo ele, operações políticas e vazamentos de informações devem contribuir para a instabilidade ao longo do processo eleitoral. O cenário adiciona incerteza a um ambiente que já enfrenta desafios relacionados às contas públicas, à inflação e aos juros.
Outro destaque foi o impacto da percepção sobre as instituições brasileiras. Na avaliação do professor, não apenas o Supremo Tribunal Federal (STF), mas os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário influenciam a confiança dos investidores.
“Não é possível que um investidor consiga fazer planos de longo prazo sem que ele não tenha confiança em todos os órgãos”, afirmou.
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