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Liquidação do Will Bank reacende disputa bilionária no setor de cartões
Publicado 19/02/2026 • 09:01 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 19/02/2026 • 09:01 | Atualizado há 8 meses
KEY POINTS
Will Bank
A liquidação da fintech Will Bank, subsidiária do já liquidado Banco Master, trouxe de volta uma discussão que se arrasta há mais de uma década no mercado financeiro: quem deve arcar com os riscos no sistema de pagamentos com cartões.
O episódio envolve um prejuízo estimado em R$ 5,13 bilhões em valores a receber de transações pós-pagas, segundo dados do Banco Central, e coloca em lados opostos bandeiras de cartão, como a Mastercard, e as empresas de maquininhas (credenciadoras).
Leia também: Congresso e PF ampliam pressão sobre o caso Master
O chamado “arranjo de pagamentos” é a estrutura que permite que os cartões funcionem, envolvendo diferentes participantes:
Nesse modelo, a bandeira recebe o pagamento do cliente e pode levar até 30 dias para repassar os valores à credenciadora, que, por sua vez, costuma antecipar o dinheiro aos lojistas.
Quando o emissor quebra ou é liquidado, como no caso do Will Bank, surge o problema: quem cobre o rombo das transações já realizadas?
Leia também: Lições do Master e Pleno: CDB a 160% do CDI é oportunidade rara ou sinal de alerta?
A Mastercard, parceira do Will Bank, tem sinalizado ao mercado que não pretende assumir sozinha os prejuízos, além das garantias já disponíveis.
Por outro lado, as credenciadoras defendem que a responsabilidade é das bandeiras, com base na regulamentação brasileira. O argumento é que:
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Siga o Times | CNBCO Banco Central já indicou, em regulações e comunicações, que o risco do arranjo deve recair sobre quem o organiza – no caso, as bandeiras.
Leia também: Banco Pleno: Semp Toshiba, Indusval e décadas de problemas de liquidez
Executivos do mercado afirmam que a posição das credenciadoras está respaldada principalmente pela Lei nº 12.865/2013 e pelas normas do Banco Central sobre arranjos de pagamento.
Além disso, uma nota do BC divulgada antes da liquidação do Banco Master reforçou essa interpretação, aumentando a pressão sobre as bandeiras.
Em meio à disputa, entidades do setor acompanham o caso. A Abecs, que representa as empresas de cartões, afirmou estar atenta à segurança do ecossistema de pagamentos.
Especialistas apontam que, em cenários de crise, é comum haver tentativas de redistribuir prejuízos entre os participantes do sistema, o que pode gerar conflitos regulatórios.
Para a advogada Mariana Barros Mendonça, especialista em Direito Bancário, não há respaldo automático para repassar perdas às credenciadoras.
Já executivos do setor reforçam que o foco deve ser garantir o funcionamento do sistema:
os lojistas precisam receber, e a discussão deve ocorrer entre os agentes financeiros sobre como dividir o prejuízo.
Embora o caso não represente risco sistêmico, ele expõe fragilidades importantes como dependência de emissores menores no ecossistema, falta de clareza na alocação de riscos e possível necessidade de revisão regulatória pelo Banco Central.
O episódio do Will Bank se soma à crise do Banco Master e reforça um alerta no mercado:
a confiança no sistema de pagamentos depende da definição clara de responsabilidades em momentos de crise.
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