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Mesmo com safra maior, Brasil enfrenta risco de escassez de café de qualidade

Publicado 26/08/2026 • 17:28 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • Chuvas de julho derrubaram entre 30% e 40% dos cafés ainda nas árvores em algumas regiões, segundo diretor-presidente executivo da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado.
  • A estimativa é de que até 20% do volume que chegaria ao mercado possa apresentar dificuldades de qualidade.
  • Estoques globais baixos mantêm os preços sustentados e podem aumentar a volatilidade do café premium.

As chuvas durante a colheita de café no Brasil podem comprometer a qualidade de parte da safra e reduzir a oferta de grãos destinados aos segmentos de maior valor agregado.

Mesmo com expectativa de uma safra recorde de café arábica, o mercado enfrenta estoques globais baixos e uma disputa por produtos de melhor qualidade.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Simão Pedro de Lima, diretor-presidente executivo da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado, afirmou que cerca de 90% da colheita já foi realizada, mas as chuvas registradas em julho derrubaram uma parcela significativa dos frutos maduros ainda nas árvores.

“Em alguns casos, estima-se que em torno de 30% e até 40% do volume que estava na árvore foi ao chão com as chuvas”, afirmou.

Segundo Lima, os grãos que caíram podem sofrer perdas na qualidade, especialmente no aspecto e na bebida. No entanto, a dimensão exata do problema só poderá ser determinada após o beneficiamento e a entrada desse café no mercado.

“Só depois que esses cafés começarem a ser beneficiados e entregues é que nós conseguiremos saber a real qualidade desse café”.

A preocupação do mercado, porém, já está sendo antecipada. Para o executivo, cerca de 20% do volume que chegaria ao mercado pode apresentar dificuldades de qualidade, com impacto mais direto sobre os cafés especiais e outros segmentos de maior valor.

Uma produção elevada não significa, necessariamente, pressão de baixa sobre os preços. Lima destacou que a atual safra de café arábica é considerada a maior da história, mas o volume não deve ser suficiente para recompor os estoques mundiais.

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“Uma safra grande como a que nós estamos colhendo este ano não significa que vai mexer no mercado por si só, porque nós temos um déficit de estoque”, afirmou.

A Bolsa de Nova York opera em torno de 360 centavos de dólar por libra, segundo o executivo. A combinação entre estoques baixos e incertezas sobre a qualidade da nova safra tende a manter o mercado em um cenário de volatilidade.

“Tudo indica que o mercado tende a permanecer na forma que está, ou seja, com uma certa volatilidade para a alta”.

Para Lima, os preços do café de maior qualidade podem sofrer uma pressão adicional caso as perdas sejam confirmadas após o beneficiamento. Ele ressaltou, no entanto, que outros fatores também devem influenciar o mercado nos próximos meses.

Entre eles estão as condições climáticas durante o restante da colheita e as chuvas previstas para setembro, período importante para o pegamento das floradas e para as perspectivas da próxima safra.

Apesar dos riscos para a oferta de cafés premium, Lima afirmou que não vê ameaça à posição do Brasil no mercado internacional nem à reputação do produto brasileiro.

“O Brasil exporta diversos tipos de café. A ideia de que se exporta somente cafés finíssimos cai um pouco no campo do mito. O Brasil exporta todas as qualidades de café”.

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