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Nova tarifa de 55% sobre exportações de carne bovina brasileira à China começa nesta quinta e já impacta frigoríficos

Publicado 01/10/2026 • 08:14 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O Brasil esgotou a cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina destinada à China em 2026.
  • Os volumes acima do limite passam a pagar sobretaxa de 55%, elevando a tributação total para 67%.
  • O governo brasileiro negocia alternativas com Pequim para tentar ampliar o espaço de exportação ainda neste ano.
Carne

Foto: Freepik

O Brasil atingiu o limite anual de exportações de carne bovina para a China sujeito à tarifa regular de importação. A partir desta quinta-feira (01), os volumes que chegarem ao mercado chinês acima da cota estabelecida para 2026 terão cobrança adicional de 55%, elevando a tributação total para 67%.

A mudança tende a reduzir significativamente a competitividade do produto brasileiro no principal mercado externo da carne bovina nacional. O mecanismo foi adotado pela China neste ano e estabelece limites específicos para os principais países fornecedores.

Como funciona a cota

Para 2026, o Brasil pode exportar até 1,106 milhão de toneladas de carne bovina à China com incidência da tarifa normal de 12%. Depois de atingido esse volume, passa a valer a sobretaxa adicional de 55%.

Embora seja o maior limite concedido pela China entre os fornecedores estrangeiros, a cota brasileira ficou abaixo do volume que o país vinha embarcando nos últimos anos. Em períodos recentes, as exportações anuais ao mercado chinês chegaram a aproximadamente 1,5 milhão de toneladas.

Em 2027, a cota destinada ao Brasil deverá subir para 1,128 milhão de toneladas. O sistema de salvaguarda adotado pelo governo chinês está previsto para permanecer em vigor até 2028.

Leia também: Novos frigoríficos brasileiros ganham acesso ao mercado chinês de carne bovina

Medida chinesa busca proteger produção local

A limitação não foi direcionada exclusivamente ao Brasil. Outros grandes exportadores de carne bovina, entre eles a Austrália, também receberam cotas próprias. Segundo Sara Paixão, analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, a adoção da tarifa adicional já estava no radar do setor.

“A medida já era esperada, uma vez que as cotas para importação de carne bovina foram divulgadas em dezembro de 2025, sob a justificativa de que as importações estavam prejudicando a indústria chinesa de carnes”, afirma.

A decisão faz parte de uma política de proteção à pecuária e à indústria de carne da China, que busca limitar o avanço das importações diante do crescimento da produção doméstica.

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Frigoríficos reduziram embarques antes do esgotamento

A aproximação do limite já havia provocado mudanças na operação dos frigoríficos brasileiros ao longo dos últimos meses. Desde julho, empresas do setor passaram a diminuir o ritmo dos embarques para tentar evitar que grandes volumes fossem alcançados pela sobretaxa.

Segundo Sara Paixão, as estimativas indicavam que o volume correspondente à cota já havia sido embarcado pelo Brasil em julho. Como o transporte marítimo até a China leva cerca de dois meses, porém, o esgotamento só seria confirmado posteriormente pela alfândega chinesa.

“Algumas ações foram tomadas para tentar conter o impacto da redução das exportações para a China, como férias coletivas e redução do abate”, diz a analista. As medidas foram tomadas diante da necessidade de ajustar a produção a um cenário de menor espaço para novos embarques.

Dependência do mercado chinês intensifica impacto

A importância da China para a indústria brasileira ajuda a dimensionar os efeitos da restrição. De acordo com Sara Paixão, o país respondeu por 48% das exportações brasileiras de carne bovina em 2025. Com a tarifa total, novas operações comerciais podem deixar de ser economicamente viáveis, o que tende a reduzir as compras chinesas enquanto não houver ampliação do limite disponível.

A diminuição do ritmo das exportações também pode provocar ajustes na cadeia produtiva brasileira. A analista avalia que uma diminuição dos abates pode pressionar os preços no mercado doméstico ao afetar a quantidade de carne ofertada internamente. “Para a economia brasileira, a redução dos abates pode ter um efeito inflacionário, uma vez que reduz a oferta de carne disponível no mercado”, afirma.

O efeito, porém, não ocorre automaticamente, já que os cortes consumidos no Brasil não são necessariamente os mesmos enviados aos compradores chineses.

Governo tenta ampliar espaço para exportações

Diante do esgotamento da cota, o governo brasileiro deve intensificar as negociações com Pequim para buscar uma solução que permita ampliar os embarques ainda em 2026.

Uma das possibilidades discutidas é o aproveitamento de parcelas não utilizadas por outros países exportadores, como o Uruguai. A eventual transferência dependeria de negociação com o governo chinês e poderia reduzir o impacto da sobretaxa sobre os frigoríficos brasileiros até o fim do ano.

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