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Offshores ligadas a Vorcaro receberam R$ 188 milhões após liquidação do Master
Publicado 14/10/2026 • 13:07 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 14/10/2026 • 13:07 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Reprodução Instagram Vorcaro
Empresas imobiliárias apontadas como parte da estrutura financeira usada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para comprar imóveis de luxo nos Estados Unidos receberam ao menos R$ 188 milhões após a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025.
Segundo o colunista Artur Rodrigues, do UOL, documentos apresentados à Justiça norte-americana mostram que os repasses continuaram mesmo após o encerramento das atividades da instituição financeira.
As transferências ocorreram ao longo de cerca de quatro meses após a liquidação da instituição financeira. A última movimentação identificada foi registrada em 23 de março de 2026, quando R$ 27,6 milhões foram enviados a uma empresa proprietária de imóveis em Miami, na Flórida.
Os dados fazem parte de uma ação movida pelo liquidante do Banco Master nos Estados Unidos para recuperar recursos que teriam sido desviados do patrimônio da instituição e destinados à aquisição de propriedades de alto valor.
Leia também: Caso Master: Temer tinha contrato de R$ 30 milhões com banco de Vorcaro para atuar na tentativa de venda ao BRB
O processo pede a restituição de pelo menos R$ 851 milhões (US$ 169,5 milhões) e medidas judiciais para impedir a venda ou a transferência dos imóveis enquanto a disputa estiver em andamento.
De acordo com documentos apresentados à Justiça em 8 de outubro, os recursos passaram por uma rede de fundos de investimento e empresas offshore antes de chegar às companhias responsáveis pelas propriedades.
A Goldbeach Properties concentrou a maior parte dos recursos transferidos após a liquidação do Banco Master, com cerca de R$ 105,5 milhões recebidos entre dezembro de 2025 e março de 2026.
No mesmo intervalo, a Clear River Properties recebeu R$ 82,9 milhões. Somadas, as duas empresas movimentaram aproximadamente R$ 188,4 milhões.
Leia também: Caso Master: registros mostram Vorcaro e lobista ligado a Padilha juntos no Planalto em 2024
As transferências foram feitas a partir de uma conta de cliente da Mosaic Financial, identificada pelos quatro últimos dígitos 9921. As operações eram processadas pelo Bank of New York Mellon.
Segundo a ação judicial, a conta estava vinculada ao Mosaic Group, holding que aparece formalmente como controladora das duas companhias imobiliárias.
A Goldbeach e a Clear River têm sede em Delaware, nos Estados Unidos, e estão formalmente sob o controle do Mosaic Group. Segundo a petição judicial, porém, as estruturas societárias teriam sido utilizadas para manter imóveis de luxo sob o domínio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
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Siga o Times | CNBCInicialmente, as duas empresas estavam vinculadas a sociedades registradas nas Bahamas. Em fevereiro de 2024, uma executiva da Mosaic teria orientado a substituição do nome de Vorcaro pelo do Fortress Legacy Trust nos registros societários. Posteriormente, o controle das companhias foi transferido para o Mosaic Group.
De acordo com a ação, Vorcaro não apenas participou da compra dos imóveis, como também usufruía das mansões e acompanhava pessoalmente as obras, a decoração e a contratação de profissionais.
As três propriedades foram adquiridas à vista por mais de R$ 844 milhões (US$ 168 milhões). O imóvel em Aspen custou R$ 387 milhões (US$ 77 milhões). Em Miami, foram compradas duas casas, por R$ 428 milhões (US$ 85,2 milhões) e R$ 34,7 milhões (US$ 6,9 milhões).
Localizada em Owl Creek, uma região montanhosa próxima a estações de esqui no Colorado, a propriedade de Aspen é conhecida como The Ranch at Owl Creek. Segundo dados imobiliários, o terreno tem 246 mil m² e a casa conta com oito quartos, piscina aquecida, duas banheiras de hidromassagem, lago com trutas, academia, cinema e adega. O imóvel tem vista para quatro montanhas de esqui da região e fica a cerca de 12 minutos do centro de Aspen.
Em Miami, a propriedade mais cara está no condomínio fechado de Bay Point, uma das áreas residenciais mais valorizadas da cidade, às margens da baía de Biscayne. A casa tem cerca de 1.900 m² de área construída, 11 quartos, piscina, dois píeres particulares e aproximadamente 120 metros de frente para a água. A aquisição, por R$ 428 milhões (US$ 85,2 milhões), estabeleceu um recorde de preço no condomínio.
A segunda propriedade em Miami fica do outro lado da rua, também dentro de Bay Point. A casa tem cinco quartos, piscina, escritório, biblioteca e uma escadaria circular de mármore na entrada.
Segundo a apuração, mais de R$ 2,16 bilhões supostamente desviados do Banco Master passaram pelo Mosaic Short Duration Fund, registrado nas Bahamas. Uma das rotas descritas pelo liquidante começava com a transferência de recursos do Master para o Liquidity Strategies Fund, que, em seguida, os enviava ao OGP LatAM Investment, fundo controlado por Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.
Na sequência, o dinheiro passava pela Entre Investments and Arbitrage, empresa também atribuída a Mineiro, antes de chegar ao Mosaic Short Duration Fund.
Em abril de 2024, o fundo firmou um contrato para emprestar até R$ 1,76 bilhão (US$ 350 milhões) ao Mosaic Group. Parte dos recursos teria sido utilizada para financiar a compra dos imóveis.
O liquidante sustenta que as operações não tinham finalidade econômica legítima e serviam para movimentar recursos supostamente desviados do banco em benefício pessoal de Vorcaro.
Delator no caso Master, Mineiro é dono da Entre Investimentos, empresa conhecida por suas ligações com Vorcaro. O Grupo Entre também está entre as companhias envolvidas no financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A ação judicial afirma ainda que Vorcaro utilizava um cartão de crédito em nome de um executivo norte-americano para pagar despesas pessoais que, em alguns meses, ultrapassavam R$ 500 mil (US$ 100 mil).
Segundo o liquidante, o cartão estava em nome de David Garff, identificado no processo como presidente-executivo da Accuvest Global Advisors, empresa que seria ligada à Mosaic. Garff teria permitido que Vorcaro utilizasse o cartão durante o período em que, segundo a investigação, recursos eram desviados do Banco Master.
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