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PF rastreia pagamentos de viagens de Lulinha e pede mais prazo para investigações

Publicado 20/10/2026 • 21:38 | Atualizado há 43 minutos

KEY POINTS

  • PF pediu a prorrogação de dois inquéritos sobre Fábio Luís Lula da Silva e afirma que diligências consideradas essenciais ainda não foram concluídas.
  • Investigadores querem mapear viagens desde 2023, identificar a origem dos pagamentos e verificar quando Lulinha esteve acompanhado de Roberta Luchsinger ou de outros investigados.
  • Defesa de Lulinha afirma que não há elementos de prova contra ele e diz que a investigação deveria ser arquivada.
Lulinha

A Polícia Federal ampliou as diligências em dois inquéritos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula. Entre as medidas, os investigadores querem descobrir a origem dos pagamentos de viagens nacionais e internacionais, aprofundar a análise da movimentação bancária e levantar vínculos empresariais e reuniões de investigados em órgãos do governo federal.

Para concluir esse trabalho, a PF pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mais prazo para as duas investigações. O pedido foi apresentado em 2 de outubro, quando terminou o período inicial de 60 dias, e ainda não havia sido analisado. Os documentos foram obtidos pelo Estadão. 

A defesa de Lulinha nega irregularidades, afirma que não existem provas contra ele e sustenta que o inquérito deveria ser arquivado.

PF quer saber quem pagou viagens de Lulinha

Uma das principais questões abertas pelos investigadores é a reconstrução das viagens realizadas por Lulinha e pela lobista Roberta Luchsinger desde janeiro de 2023.

A PF determinou o levantamento de bilhetes, localizadores, agências responsáveis pelas emissões e, principalmente, da origem dos recursos usados no pagamento de passagens e outros serviços ligados às viagens.

Os investigadores também querem identificar ocasiões em que Lulinha e Roberta estiveram nos mesmos destinos, inclusive quando as reservas foram feitas separadamente, e cruzar esses deslocamentos com viagens de outros nomes citados no inquérito.

A análise deverá incluir ainda uma cronologia relacionando deslocamentos, reuniões, movimentações financeiras, contratos e contatos mantidos com integrantes do governo.

Um dos episódios que receberá atenção específica é uma viagem a Portugal em junho de 2024 feita por Lulinha e Roberta. Dias depois, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e pessoas ligadas a ele também viajaram para o país.

A investigação busca esclarecer se houve relação entre esses deslocamentos e quem arcou com as despesas.

O próprio Careca do INSS já havia admitido ter pago outra viagem de Lulinha a Portugal, no fim de 2024, relacionada a uma visita para conhecer um projeto de fábrica de cannabis medicinal.

Dois inquéritos miram relações com empresas e governo

Uma das investigações apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo Lulinha e Roberta Luchsinger na tentativa de viabilizar negócios ligados à cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde.

Nesse inquérito, a PF também quer analisar informações relacionadas ao Careca do INSS e à empresa vinculada a ele, buscando identificar pagamentos e verificar se houve avanço concreto nas tratativas dentro do governo.

Os investigadores determinaram ainda um levantamento dos vínculos societários, financeiros, profissionais e funcionais de pessoas e empresas citadas nas apurações.

Entre os nomes que podem aparecer nesse mapeamento está Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula.

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O segundo inquérito trata da atuação do empresário Cléber Ribas e de sua relação com negócios no governo federal. A empresa dele obteve contratos que somam R$ 53 milhões no Ministério do Desenvolvimento Social.

Nesse caso, a PF também quer verificar se Ribas realizou viagens em conjunto com Lulinha ou Roberta e aprofundar a análise dos fluxos financeiros dos investigados.

Movimentação bancária será cruzada com contratos e reuniões

A PF determinou a elaboração de um relatório detalhado a partir das informações bancárias já disponíveis nos autos.

A análise deverá identificar entradas e saídas de recursos, transferências, pagamentos, saques e outras movimentações consideradas relevantes, além de apontar a origem e o destino do dinheiro.

Os investigadores também querem cruzar essas operações com contratos, reuniões e demais acontecimentos ligados aos fatos investigados.

Outra frente prevê o levantamento de agendas, registros de entrada em órgãos públicos e contatos dos investigados com autoridades e dirigentes de instituições como Dataprev e INSS.

Segundo a PF, os resultados dessas diligências serão usados tanto para esclarecer os fatos já investigados quanto para avaliar se novas medidas serão necessárias.

PF pede mais prazo ao STF

Ao solicitar a prorrogação dos inquéritos, a Polícia Federal afirmou que parte das medidas ainda está em andamento e que o tempo transcorrido desde a determinação das diligências foi insuficiente para concluir o trabalho.

A corporação sustentou que os resultados são importantes para esclarecer os fatos e definir se haverá necessidade de novas providências investigativas.

Defesas pedem arquivamento e negam irregularidades

A defesa de Lulinha criticou a continuidade das investigações e afirmou que a PF deveria encerrar os inquéritos.

“Faltou coragem para fazer o que precisa ser feito, que é o arquivamento. Se o Fábio não fosse filho do presidente Lula, esse inquérito nem sequer teria sido instaurado”, afirmou o advogado Marco Aurélio de Carvalho.

A defesa de Roberta Luchsinger também questionou as novas diligências e afirmou que um inquérito não deve servir para uma investigação sem limites sobre a vida de uma pessoa.

Já a defesa de Cléber Ribas afirmou que os contratos de sua empresa com o governo federal foram celebrados de forma regular e transparente, sem intermediação ou favorecimento.

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