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Setor ferroviário cobra continuidade de projetos e prevê R$ 154,9 bilhões em investimentos no Brasil

Publicado 02/10/2026 • 11:45 | Atualizado há 47 minutos

KEY POINTS

  • O setor ferroviário pressiona pela continuidade de concessões, autorizações e obras diante da mudança de governo, sob o argumento de que projetos do segmento exigem planejamento de longo prazo.
  • A carteira prevista para o setor soma R$ 154,9 bilhões em investimentos, enquanto os aportes na malha ferroviária cresceram cerca de 25% nos últimos cinco anos, para aproximadamente R$ 50 bilhões.
  • O Brasil tem cerca de 30 mil quilômetros de ferrovias concedidas à iniciativa privada, mas apenas aproximadamente 10 mil quilômetros estão efetivamente em operação, o que mantém a expansão da malha no centro do debate logístico.

Agência GOV/ Ministério dos Transportes.

A indústria ferroviária defende a manutenção de uma agenda contínua de concessões, autorizações e investimentos para ampliar a malha no Brasil e reduzir os gargalos logísticos do país. O tema foi discutido durante a InnoTrans, feira internacional do setor realizada em Berlim, na Alemanha, que reuniu mais de 3 mil expositores de 59 países.

A principal preocupação do mercado está na continuidade dos projetos após mudanças de governo. Como obras ferroviárias exigem planejamento de longo prazo, alto volume de recursos e anos de execução, empresas avaliam que alterações frequentes de prioridades podem atrasar investimentos e comprometer a expansão da infraestrutura.

Carteira bilionária depende de continuidade

O próximo governo deverá receber uma carteira de R$ 154,9 bilhões em investimentos previstos para projetos ferroviários. Entre os oito leilões citados pelo Ministério dos Transportes, apenas o Corredor Minas-Rio tem previsão de realização ainda no atual mandato.

Segundo a Folha de S. Paulo, a expectativa do setor é que os demais projetos avancem nos próximos anos, preservando o planejamento já iniciado. A avaliação é de que a previsibilidade é necessária tanto para concessionárias quanto para fabricantes de equipamentos, que trabalham com prazos longos de produção e entrega.

Algumas máquinas ferroviárias, por exemplo, podem levar de 24 a 36 meses para serem fabricadas. Isso faz com que decisões de compra e expansão de capacidade precisem ser tomadas com antecedência.

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Malha concedida ainda opera abaixo do potencial

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O Brasil possui cerca de 30 mil quilômetros de ferrovias concedidas à iniciativa privada, mas aproximadamente 10 mil quilômetros estão efetivamente em operação, segundo os dados apresentados no material.

Para o setor, ampliar o uso da malha ferroviária é uma forma de reduzir a dependência das rodovias, especialmente no transporte de grandes volumes de carga a longas distâncias.

A pressão sobre a infraestrutura é maior em regiões ligadas à produção agrícola e mineral, onde o aumento da movimentação de cargas exige novas alternativas logísticas.

Investimentos cresceram nos últimos anos

Dados apresentados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres indicam que os investimentos na malha ferroviária aumentaram cerca de 25% nos últimos cinco anos e chegaram a aproximadamente R$ 50 bilhões. A projeção é de que o volume possa crescer entre 25% e 30% nos próximos cinco anos, considerando a continuidade dos projetos atualmente em discussão.

Esse avanço depende de novas concessões, autorizações, renovações de contratos e obras de ampliação da rede. Parte dessas iniciativas deve atravessar a mudança de governo e, por isso, a manutenção do planejamento é tratada como um dos principais pontos para o desenvolvimento do setor.

Ferrovias ganham espaço na estratégia logística

A expansão ferroviária também é vista como resposta às limitações do transporte rodoviário em áreas de forte crescimento econômico. No Centro-Oeste, por exemplo, o avanço da produção agrícola aumenta a demanda por corredores capazes de transportar grandes volumes com menor custo logístico.

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