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Quais são os negócios no Brasil dos empresários ligados às viagens de Lulinha, do túnel Santos-Guarujá a eventos

Publicado 21/10/2026 • 20:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Mota-Engil, dona da ECB, venceu o túnel Santos-Guarujá e a Rota dos Sertões e negocia ativos da Bamin na Bahia
  • MChecon, de amigo de Lulinha, fechou 13 contratos de R$ 63 milhões com o governo federal desde 2023
  • Polícia Federal investiga a lobista Roberta Luchsinger por suspeita de tráfico de influência junto ao governo federal

(Reprodução/Revista Veja)

LUXO - Empresária realizou uma série de viagens com o filho do presidente - algumas em jatinhos fretados

Uma construtora que venceu a concessão do túnel submerso Santos-Guarujá (obra do PAC) e uma empresa de eventos com 13 contratos no governo federal aparecem nas fotos e nas mensagens da lobista Roberta Luchsinger sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além disso, as imagens obtidas pela revista Veja e publicadas pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quarta-feira (21) mostram viagens de Lulinha por quatro continentes desde 2022, em jatos fretados e com passeios pagos por empresários.

Assim, o levantamento a seguir reúne o que as empresas ligadas a esses nomes fazem no país. O material divulgado até agora não comprova que os empresários tenham pago despesas de Lulinha nem que os contratos tenham relação com ele.

Lulinha em jato fretado, Rock in Rio e Muralha da China

Uma das fotos foi tirada na Finlândia, no início de 2025, quando Lulinha e a lobista viajaram num Embraer Praetor 600 fretado para ver a aurora boreal.

Em 2024, ele comemorou o aniversário num camarote do Rock in Rio Lisboa, presente de um empresário. No ano passado, almoçou ao lado da Grande Muralha, em viagem à China paga por outro empresário.

Passagem aérea era assunto frequente nas mensagens de Luchsinger. Numa conversa com um empresário, ela cobra o pagamento de bilhetes pendentes de Lulinha e, segundo ela, o filho do presidente pedia passagem a todo mundo.

Mota-Engil e ECB no túnel Santos-Guarujá

Entre os nomes que aparecem no material está a Empresa Construtora Brasil (ECB), do grupo português Mota-Engil. Luchsinger sugere que pessoas ligadas à ECB ajudam a pagar as contas de Lulinha em Madri, onde ele mora com a família desde junho do ano passado.

O advogado do filho do presidente, Marco Aurélio de Carvalho, diz que ele se sustenta no exterior com trabalho de consultoria e governança.

Amauri Rodrigues Pinha, presidente do conselho de administração da ECB, foi vizinho de Lulinha em São Paulo. A portuguesa Mota-Engil comprou em maio de 2025 os 50% da construtora que ainda não detinha, informou o presidente executivo do grupo, Carlos Mota Santos, à agência Lusa. O grupo era sócio da empresa, sediada em Belo Horizonte, desde 2012.

Depois da compra, o grupo venceu em 5 de setembro de 2025 o leilão do túnel imerso Santos-Guarujá, na Bolsa de Valores de São Paulo. A oferta teve desconto de 0,5% sobre a contraprestação pública anual de R$ 438,3 milhões, e a espanhola Acciona ofereceu desconto zero.

O investimento estimado é de R$ 6,8 bilhões, com aporte público de até R$ 5,1 bilhões divididos entre a União e o estado de São Paulo. A concessão dura 30 anos, e o contrato foi firmado com o governo paulista em janeiro de 2026.

Além do túnel, a ECB integra, com 33% de participação, o consórcio que assinou em outubro de 2025 contrato de R$ 4,4 bilhões com a Petrobras para obras ligadas à Refinaria de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, conforme comunicado da Mota-Engil ao mercado português.

Rota dos Sertões, Bamin e Odebrecht Engenharia na pauta da Mota-Engil

Na Bahia, o consórcio 116 Sertões, formado por Mota-Engil, Neo Invest, do grupo Novonor, e Galápagos Capital, venceu em 28 de maio a concessão da Rota dos Sertões. O trecho tem 502 quilômetros das rodovias BR-116 e BR-324, entre Feira de Santana (BA) e Salgueiro (PE), e a oferta teve desconto de 19,6% na tarifa de pedágio.

Em paralelo, o grupo negocia os ativos da Bahia Mineração (Bamin), que incluem o trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), o projeto do Porto Sul, em Ilhéus, e uma mina de minério de ferro em Caetité. O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que a Mota-Engil aguarda autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para assumir a concessão da Fiol 1.

Antes, no dia 26 de janeiro, o presidente Lula recebeu representantes do grupo no Palácio do Planalto. O encontro foi divulgado três dias depois pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, que escreveu nas redes sociais ter se reunido ao lado de Lula com o vice-presidente do conselho de administração da Mota-Engil, Manuel Antonio.

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A estatal chinesa China Communications Construction Company (CCCC) é a segunda maior acionista da Mota-Engil, com participação superior a 30%.

Ainda no Brasil, a Mota-Engil negocia a compra de 40% da Odebrecht Engenharia e Construção, braço da Novonor, sem acordo anunciado até agora. A empresa concluiu a recuperação judicial em março, e a holding Novonor segue em recuperação.

Amigo de Lulinha e 13 contratos da MChecon

Em outra foto, Lulinha aparece ao lado de Marcelo Checon, dono da MChecon Design e Cenografia, empresa de eventos. Antes da posse de Lula, em 2023, a MChecon tinha um só contrato com o governo federal, de R$ 197 mil.

Nos três anos seguintes, a empresa fechou mais 13, que somam R$ 63 milhões, e passou a atender o Palácio do Planalto e vários ministérios.

Checon e Lulinha se conheceram em 2023, apresentados por Fernando Bittar, sócio do filho do presidente numa empresa de games investigada por suspeita de tráfico de influência no primeiro governo Lula.

O nome de Checon aparece numa conversa de 25 de agosto de 2025, recuperada pela Polícia Federal, em que Luchsinger relata ter dito a Lulinha que deixaria de pagar as passagens dele. Na mensagem, ele teria respondido que pediria ajuda a Cléber e Checon, e o material divulgado até agora não comprova que o empresário tenha pago passagens ou outras despesas.

O advogado de Checon confirmou a amizade e nega que ela tenha influenciado os contratos da empresa com o governo federal. A defesa de Lulinha afirma que a relação é pública e não tem ilicitude.

Histórico da Mota-Engil em obras públicas fora do Brasil

Em Portugal, a Mota-Engil Engenharia e Construção foi condenada em abril de 2019 pela Autoridade da Concorrência por participar de um cartel em concursos de manutenção ferroviária lançados pela Infraestruturas de Portugal em 2014 e 2015. A empresa admitiu a participação e fez acordo com o órgão.

Já na Linha Violeta do Metro de Lisboa, a Comissão Europeia investigou desde novembro de 2025 a subcontratada chinesa CRRC, do consórcio liderado pela Mota-Engil, por suspeita de subsídios estrangeiros que distorcem a concorrência. A Comissão autorizou a adjudicação em abril, depois que o consórcio trocou a fabricante chinesa por uma polonesa.

No Paraguai, o governo rescindiu em fevereiro de 2020 o contrato da empresa para dois trechos do Metrobús de Assunção. Uma arbitragem decidiu em dezembro de 2023 em favor da Mota-Engil, mas um tribunal paraguaio anulou parte da decisão em 2024, e a empresa recorreu.

Em Gaia, ainda em Portugal, a associação Frente Cívica afirmou na terça-feira (20) à agência Lusa que o consórcio liderado pela Mota-Engil tentou mudar a localização de uma estação do TGV depois de vencer o concurso. A tentativa, feita em 2025, foi barrada pela Agência Portuguesa do Ambiente. O presidente executivo da Mota-Engil, Carlos Mota Santos, disse que o grupo está comprometido com o projeto licenciado, que prevê a estação em Santo Ovídio.

Investigação da PF e delação da lobista

A Polícia Federal investiga Luchsinger por suspeita de tráfico de influência e afirma que ela e Lulinha trabalhavam juntos para conseguir contratos no governo federal para empresas e empresários.

No sábado (17), a lobista disse que quer fazer delação premiada e que tem fotos, vídeos, mensagens e documentos sobre os anos de convivência com a família do presidente, material que ainda não mostrou. Ela nega ter dividido lucro com Lulinha.

Lula disse em 27 de agosto, na sabatina do Jornal Nacional, que nunca tinha visto Luchsinger.

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