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A vantagem brasileira na corrida pelos data centers
Publicado 14/10/2026 • 12:00 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 14/10/2026 • 12:00 | Atualizado há 2 horas
Foto: Divulgação/Ascenty
A inteligência artificial parece existir na nuvem, mas sua infraestrutura é profundamente física. Por trás de cada modelo ou agente inteligente existem servidores, chips, redes, sistemas de refrigeração e instalações que funcionam 24 horas por dia. A nuvem, afinal, tem endereço, ocupa terreno, consome energia e precisa ser resfriada.
Estamos entrando em uma transformação mais profunda: inteligência deixa de ser apenas uma capacidade humana e passa a existir também como infraestrutura disponível em escala. Carros poderão dirigir sem motorista, fábricas operar com crescente autonomia e agentes de IA comprar, contratar e negociar. Governos poderão antecipar congestionamentos, fraudes e falhas de infraestrutura. É a capacidade de produzir, decidir e antecipar multiplicada por milhões de máquinas.
Mas inteligência em escala exige energia em escala. Segundo a Agência Internacional de Energia, os data centers consumiram cerca de 485 TWh de eletricidade em 2025 e poderão chegar a 950 TWh em 2030, ligeiramente mais que todo o consumo atual do Japão. A revolução aparentemente imaterial da IA encontrou um limite concreto: eletricidade.
Isso começa a mudar a geografia da economia digital. Conectividade, segurança e talentos continuam importantes, mas uma nova pergunta entrou na mesa: onde está a energia? Servidores podem ser instalados rapidamente; redes de transmissão e geração levam anos. A infraestrutura digital começa a correr mais rápido do que a energética que precisa sustentá-la.
Há ainda a água. Sistemas de refrigeração podem demandar volumes relevantes. A questão não é ser a favor ou contra data centers, mas quais queremos, onde instalá-los e
com que padrões de eficiência. Reúso de água, refrigeração eficiente e energia de baixo carbono podem transformar restrição ambiental em vantagem competitiva.
É aqui que o Brasil ganha relevância. Em 2025, 86,8% da matriz elétrica brasileira foi renovável; eólica e solar responderam juntas por 26,4% da geração. Poucos grandes mercados combinam escala territorial e econômica com uma matriz dessa natureza. Na economia da IA, um ativo que durante décadas enxergamos principalmente como ambiental passa a ser também tecnológico.
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Siga o Times | CNBCA dimensão do movimento já aparece nos números. Em junho de 2026, o Ministério de Minas e Energia informou 38 GW em pedidos de acesso relacionados a data centers, dos quais 7,1 GW estavam associados a cerca de R$ 159 bilhões em investimentos previstos. Os 38 GW superam em mais de duas vezes e meia a capacidade instalada de Itaipu. São grandezas distintas, mas revelam a pressão potencial sobre o sistema.
O Redata, aprovado pela Câmara em fevereiro, prevê benefícios tributários e contrapartidas. Mas a questão decisiva será menos quantos servidores atrairemos e mais quanto valor permanecerá no país.
Um data center isolado é infraestrutura. Ligado a energia, telecomunicações, software, universidades, fornecedores e talentos, pode integrar um ecossistema de inovação.
Estados e municípios disputarão esses investimentos como no passado disputaram montadoras e siderúrgicas. Os vencedores dificilmente serão os que oferecerem apenas o maior incentivo fiscal, mas os que conseguirem combinar energia, água, conectividade, licenciamento, qualificação profissional e integração com a economia regional.
A próxima fronteira da inteligência artificial será definida tanto pelos algoritmos quanto pela infraestrutura capaz de executá-los. O Brasil pode transformar energia de baixo carbono, eficiência ambiental e escala territorial em uma razão para esses investimentos virem para cá. Na economia da IA, sustentabilidade não precisa ser o preço que se paga pelo desenvolvimento. Pode ser uma de suas vantagens competitivas.
Fabio Veras
Conselheiro no Conselho Nacional de Proteção de Dados, foi titular do Conselho Superior da Anatel, participou do Berkeley University Entrepreneurship Bootcamp na California e do Programa de Inovação da Universidade de Stanford no Vale do Silício, Empresario, PhD pela UFMG
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