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Energia

Capital Sustentável: Crise de energia aumenta pressão econômica e política sobre Europa, avalia Carlo Pereira

Publicado 07/10/2026 • 21:23 | Atualizado há 41 minutos

KEY POINTS

  • Europa chega à preparação para o inverno mais eletrificada do que em 2022, mas ainda enfrenta forte dependência de combustíveis importados.
  • Choque no mercado de diesel e gás amplia pressões sobre inflação, juros e contas públicas e alimenta protestos em países europeus.
  • Carlo Pereira vê diferenças em relação à crise da dívida de 2009 a 2012, mas alerta que governos têm menos espaço para reagir ao cenário atual.

A Europa está mais preparada no setor elétrico do que durante a crise energética de 2022, mas a dependência externa de combustíveis mantém o continente vulnerável aos efeitos da guerra no Oriente Médio, avaliou Carlo Pereira, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, no quadro Capital Sustentável desta quarta-feira (7).

Carlo Pereira afirmou que o avanço da eletrificação e das fontes renováveis representa uma diferença importante em relação ao choque provocado pela perda do gás russo. Desta vez, porém, o diesel ganhou papel central na crise, pressionando economias europeias e contribuindo para uma onda de manifestações.

“O país está um pouco mais preparado quando a gente fala em eletricidade, se comparar com 2022. Apesar de pouco tempo, a gente tem uma eletrificação muito maior da economia. Ainda muito aquém do que eles querem ter, mas avançaram muito”, afirmou.

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Dependência energética mudou de endereço

Segundo o especialista, a Europa conseguiu reduzir a dependência energética da Rússia após a crise de 2022, mas passou a recorrer com maior intensidade a outros fornecedores externos, especialmente países do Golfo Pérsico.

O problema reapareceu com as restrições provocadas pelo conflito no Estreito de Ormuz. “Eles passaram a depender um pouco mais também do Golfo Pérsico, que, por conta do Estreito de Ormuz, passou a reduzir muito o envio, seja de gás do Catar ou até mesmo de diesel e petróleo”, explicou.

A busca por alternativas levou os europeus também à Índia, mas a origem russa de parte do petróleo refinado no país trouxe novas dificuldades. Na sequência, Noruega e Estados Unidos ganharam espaço como fornecedores de diesel para o continente.

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“Eles começaram a importar mais dos Estados Unidos. A importação dos Estados Unidos aumentou em mais de 20%”, afirmou Carlo Pereira. Segundo ele, essa dependência cria outro risco diante da possibilidade de Washington restringir exportações para proteger seu próprio mercado.

Para o notável, o movimento europeu deixa uma lição sobre os riscos de substituir uma concentração de fornecedores por outra, sem reduzir suficientemente a exposição externa a combustíveis fósseis.

Eletrificação oferece proteção maior

A expansão das fontes renováveis e da eletrificação funciona como uma espécie de amortecedor que não existia na mesma dimensão em 2022. Ainda assim, Carlo Pereira ressaltou que a transformação da matriz energética europeia está longe de eliminar a vulnerabilidade do continente.

“Eles querem avançar muito mais, mas avançaram muito. Então, isso já dá um alento para os europeus”, disse.

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O cenário se torna mais delicado diante da aproximação do inverno europeu. O aumento dos custos de energia se soma à inflação elevada, aos juros mais altos e às dificuldades fiscais de alguns dos principais governos do continente.

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Crise atual é diferente da turbulência da dívida

Apesar das dificuldades, o especialista evitou comparar diretamente o momento atual com a crise da dívida soberana europeia iniciada entre 2009 e 2010. Naquele período, a revelação da dimensão dos problemas fiscais da Grécia provocou uma crise de confiança e expôs a falta de instrumentos para uma resposta coordenada na zona do euro.

“A Europa se viu numa crise sem saber o que fazer. Então, já tem essa diferença. Hoje você tem ali os mecanismos”, afirmou.

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O problema, segundo ele, está justamente na utilização desses instrumentos. Com a inflação elevada, o Banco Central Europeu tem menos liberdade para repetir políticas de forte estímulo, enquanto os governos enfrentam resistência popular às medidas de austeridade.

França concentra tensão social e fiscal

O notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC destacou a França como um dos principais focos da pressão. Segundo ele, o governo enfrenta resistência a um ajuste fiscal de 54 bilhões de euros (R$ 301,86 bilhões), ao mesmo tempo em que a população sente os efeitos do aumento dos custos dos combustíveis.

“Você tem centenas de milhares de pessoas na França contra o quê? Contra a ação de austeridade que foi colocada ali, de fazer um corte de 54 bilhões de euros na França”, disse.

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As manifestações, segundo Pereira, reuniram diferentes grupos. Além das mobilizações relacionadas aos combustíveis, estudantes também aderiram aos protestos diante dos efeitos das medidas de ajuste sobre políticas de apoio.

Desta vez, grandes economias estão no centro

Outra diferença em relação à crise da década passada, segundo Carlo Pereira, está no tamanho das economias atualmente sob pressão. Se naquele período as maiores dificuldades começaram em países menores da zona do euro, agora França e Alemanha estão diretamente expostas aos problemas econômicos e energéticos.

“Naquela época, a gente estava falando de países que eram menos importantes na Europa, vamos colocar dessa maneira. Aqui, a gente está falando da França, segunda maior economia, e também dos problemas da Alemanha”, afirmou.

Para ele, ainda não há elementos suficientes para falar em uma nova crise da dívida europeia nos moldes da ocorrida há mais de uma década. O risco está na combinação entre energia cara, inflação, juros elevados, fragilidade fiscal e resistência social às medidas de austeridade.

“Antes, não se sabia qual era o remédio. Foi criado o remédio e conseguiram superar. Agora não dá para fazer isso da mesma forma, porque você tem uma inflação muito alta. Então, como vai ser feito? Esse é o problema”, concluiu.

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