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Trânsito de petróleo no Golfo Pérsico volta para perto do nível pré-guerra, mas Brent segue caro com frete, riscos e estoques baixos

Publicado 22/10/2026 • 10:07 | Atualizado há 32 minutos

KEY POINTS

  • Exportações do Golfo Pérsico ficam 10% abaixo do nível pré-guerra e as da Arábia Saudita superam a média anterior
  • Brent fecha perto de US$ 108,82 e acumula alta de cerca de 10% em outubro, com frete caro, estoques baixos e ataques a navios
  • Deutsche Bank vê Brent a US$ 74 em 2027 com cessar-fogo e perto de US$ 130 se a guerra se estender por todo o ano
Petróleo

Hakon Rimmereid via REUTERS

Foto de arquivo. O navio-tanque Bella 1 no Estreito de Singapura, após autoridades americanas afirmarem que a Guarda Costeira dos EUA perseguiu um petroleiro em águas internacionais perto da Venezuela, nesta imagem capturada de uma rede social em 18 de março de 2025.

Os petroleiros voltaram a circular pelo Golfo Pérsico quase como antes da guerra com o Irã, mas a conta do combustível não acompanhou. O petróleo embarcado pela região em outubro chegou perto do volume de janeiro e fevereiro, mas o preço do barril continua perto das máximas desde maio.

O Brent, referência internacional do petróleo, é negociado acima de US$ 112 nesta quinta-feira (22), e o WTI, referência americana, avança 2,79%, a US$ 99,86.

Leia também: Petróleo Brent passa de US$ 112 com planos de EUA e Israel para novos ataques ao Irã após as eleições de meio de mandato

As exportações de petróleo de Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã ficaram a 10% dos níveis de janeiro e fevereiro, segundo dados da TankerTrackers.com, empresa que rastreia navios e cargas de petróleo, compilados pelo site MarketWatch.

Irã exporta zero e Arábia Saudita supera média anterior

O Irã vendia cerca de 1,5 milhão de barris por dia antes da guerra, e o volume caiu a zero desde que os EUA reimpuseram o bloqueio, em meados de julho.

Os embarques da Arábia Saudita, maior exportadora do mundo, estão 10% acima da média de antes do conflito.

Brent sobe quase 10% em outubro mesmo com petróleo fluindo de novo

No mês, Brent e WTI acumulam alta de quase 10%. O contrato do Brent para dezembro atingiu na semana passada o maior nível desde maio. O WTI de dezembro caiu 0,7% na quarta-feira, para US$ 97,15, segundo a FactSet.

Rotas mais longas e ataques mantêm frete caro

Parte do petróleo volta ao mercado por caminhos mais caros. “Muito óleo ainda passa por oleodutos em terra, petroleiros menores e até navios da frota paralela”, disse Ben McMillan, diretor de investimentos da IDX Advisors, ao MarketWatch. Frota paralela é o grupo de embarcações que opera fora dos canais formais de rastreamento e seguro. Segundo ele, há um prêmio para tirar petróleo do Golfo, porque o transporte ainda não foi totalmente retomado.

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Ataques a navios no Estreito de Ormuz, passagem estreita por onde sai boa parte do petróleo do Golfo, e ao oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita sustentam o custo do frete.

A promessa do presidente Donald Trump de não atacar o Irã antes das eleições legislativas amenizou a alta no início do mês, mas o temor de novas operações militares após 3 de novembro mantém o risco elevado.

Estoques americanos de petróleo caem 3,1 milhões de barris

Os estoques comerciais de petróleo dos EUA caíram 3,1 milhões de barris na semana encerrada em 16 de outubro, terceira queda seguida, para cerca de 412,5 milhões de barris, segundo a agência de energia do governo americano (EIA).

Para Michael Lynch, presidente da Strategic Energy & Economic Research, o problema é que os estoques estão baixos. “Com estoques tão magros, até a perda de 5 a 10 milhões de barris por semana mantém os preços elevados”, disse ao MarketWatch. Ele prevê oscilações no volume exportado a cada dia, por causa do risco de novos ataques a navios e à infraestrutura de energia.

Eleições americanas e saída de diplomatas elevam risco

Na quarta-feira, a Reuters informou que o Departamento de Estado planejava retirar parte do pessoal das embaixadas americanas no Golfo Pérsico, incluindo todos os funcionários e familiares na Arábia Saudita. A AFP citou fonte diplomática que falou em ordem de saída para equipes na Arábia Saudita, nos Emirados, na Jordânia, no Catar e no Bahrein. Já o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, disse que a determinação vale só para a Arábia Saudita, segundo a CNBC.

A agência de notícias estatal saudita informou que a defesa aérea interceptou um drone que tentava atacar uma instalação do campo de Shaybah, da Aramco. Segundo o The New York Times, citado pela CNBC, os militares dos EUA e de Israel prepararam planos de novos ataques ao Irã após as eleições.

Deutsche Bank projeta Brent entre US$ 74 e US$ 130 em 2027

A retomada do fluxo pode ser só o começo. Michael Hsueh, analista de commodities do Deutsche Bank, avalia que a normalização do tráfego em Ormuz levaria o mercado a um excedente grande de petróleo, o que poderia derrubar o Brent a US$ 74 em 2027.

O cenário-base do banco é um cessar-fogo negociado, seguido de conversas mais amplas. Se a guerra se estender por todo 2027, o Brent iria para perto de US$ 130, segundo nota a clientes. “Enquanto isso, o fluxo restabelecido segue precário”, escreveu Hsueh, e o spread de refino deve continuar alto. Spread de refino é a diferença entre o preço do barril de petróleo e o dos derivados feitos com ele, como gasolina e diesel.

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